terça-feira, 25 de dezembro de 2012

1995 - 25 de Dezembro - Simone

Oi pessoal! Nesta véspera de Natal, trago aqui no Blog um disco de músicas natalinas que ouço desde pequeno nesta época, lançado pela cantora Simone (que, aliás, ainda é inédita por aqui) em 1995. Nascida num dia de Natal em Salvador, Bahia, Simone desde a infância teve grande contato com a música através de seu pai, cantor de ópera, e sua mãe, que tocava piano. Sua carreira remonta o início da década de 1970, mais precisamente o ano de 1973, onde a partir de um jantar promovido por sua amiga e professora de violão, conheceu o gerente de marketing da gravadora Odeon, o qual a convidou a assinar um contrato com a gravadora e que, neste mesmo ano, lançou seu primeiro disco, intitulado "Simone". Ainda em 1973, foi convidada a excursionar pelos Estados Unidos e Canadá durante três meses, onde iniciou sua carreira internacional. Nos anos seguintes, gravou mais alguns discos, como "Quatro Paredes" (1974), "Gota D'Água" (1975) e "Face a Face" (1979), até que, em 1980, regravou a música "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Caminhando)", de Geraldo Vandré, que havia sido vetada pela censura durante o regime militar, alcançando enorme sucesso e reconhecimento. Dois anos mais tarde, lotou o Maracanãzinho com o show do disco "Amar", o Estádio do Morumbi, em São Paulo, com o show  "Canta Brasil", e o Canecão, no Rio, com o show homônimo ao disco "Corpo e Alma", no qual interpretou os sucessos de "Me Deixas Louca", de Armando Manzareno, "Vida", de Chico Buarque, e "Alma", de Sueli Costa e Abel Silva. Durante a década de 1980 e início dos anos 1990, gravou inúmeros discos, dentre eles: "Delírios e delícias" (1983), "Desejos" (1984), "Cristal" (1985), "Amor e paixão" (1986), "Vício" (1987), "Sedução" (1988), "Simone/Tudo por amor" (1989), "Liberdade" (1990), "Raio de luz" (1991), "Sou Eu" (1993), "Simone Bittencourt de Oliveira" (1995), além do disco tema da postagem de hoje, "25 de dezembro". Neste disco, Simone traz 10 clássicas canções que embalam essa época de Natal, destacando-se as músicas "Noite Feliz", "Boas Festas", "Bate O Sino", "Então É Natal", "O Velhinho", "Natal das Crianças", "Jesus Cristo" e "Natal Branco", passando por compositores brasileiros como Roberto & Erasmo Carlos, além de Blecaute e Assis Valente, e fechando com clássicos internacionais. Um disco que me traz muitas lembranças felizes, e que até hoje faz parte do dia e das celebrações do Natal de muitas famílias pelo Brasil afora. Uma homenagem do Blog da Música Brasileira à cantora Simone, aniversariante do dia. E, a todos vocês, leitores e frequentadores deste blog, que contribuem com este trabalho para que a beleza da música brasileira não seja nunca esquecida e sempre se renove em suas raízes musicais, um Feliz Natal!

1 - Então É Natal (John Lennon / Yoko Ono / Vrs. Claudio Rabello)
2 - Natal Branco (Irving Berlin / Vrs. Marino Pinto)
3 - Bate O Sino (DP)
4 - Pensamentos (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
5 - O Velhinho (Octávio Filho)
6 - Jesus Cristo (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
7 - Que Maravilha Viver...(G. D. Weiss / B. Thiele / Vrs. Claudio Rabello)
8 - Natal das Crianças (Blecaute)
9 - Boas Festas (Assis Valente) - com Timbalada
10 - Noite Feliz (F. Gruber / DP)

*DP - Domínio Público

domingo, 16 de dezembro de 2012

2002 - Volta Por Cima - Roberto Silva

Oi pessoal! Neste sábado, posto aqui no Blog um disco em homenagem ao Príncipe do Samba, Roberto Silva, falecido este ano aos 92 anos, vítima de um AVC. Nascido no morro do Cantagalo, Rio de Janeiro, Roberto Silva iniciou sua carreira ainda na década de 1930, participando de diversos programas de calouros, até ser contratado pela Rádio Mauá em 1943, cantando "Risoleta", de Raul Marques e Moacyr Bernardino, e "Neusa", de Antonio Caldas e Celso Figueiredo. Três anos depois, gravou seu primeiro disco pela Continental, custeado pelos compositores das músicas "Ele É Esquisito", de Walter Rodrigues, e "O Errado Sou Eu", de Djalma Mafra, sendo contratado ainda neste ano pela Rádio Nacional. Nesta época, Roberto Silva ganhou do locutor oficial da Rádio Tupi, à qual foi convidado a participar do elenco por Paulo Gracindo, o apelido que o consagrou durante toda a vida, "O Príncipe do Samba". Em 1948, com o samba "Maria Tereza", de Altamiro Carrilho, alcançou seu primeiro sucesso, gravando diversos sambas de inúmeros compositores nos anos seguintes. Em 1954, obteve sucesso com a música "Perdi Você", de Raimundo Olavo e Silva Jr., e, no ano seguinte, as músicas "Mãe Solteira", de Wilson Batista e Jorge de Castro, "Notícia", de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Norival Reis, também se tornaram destaques na carreira e na música de Roberto Silva. Em 1957, fez muito sucesso com "Emília", de Wilson Batista e Haroldo Lobo, e no ano seguinte, alcançou o auge de sua carreira com o lançamento de seu primeiro LP "Descendo o Morro", o qual daria origem a mais três da série, num total de quatro verdadeiras jóias da música e do samba, recheados de sucessos e músicas que marcaram a história do samba brasileiro. Durante a década de 1960 esteve no auge de sua carreira, com diversos sucessos e participando de programas nas Rádios Nacional, Mayrink Veiga e Tupi. No início da década de 1970 foi contratado pela Tv Excelsior, permanecendo por lá durante dois anos, gravando os discos "Saudade em Forma de Samba" (1974), "Protesto ao Protesto" (1978) e "A Personalidade do Samba" (1979) nos anos seguintes. Durante as décadas de 1980 e 1990, sua carreira diminuiu de intensidade, gravando os discos "Wilson Batista, o Samba Foi Sua Glória" (1985), ao lado da cantora Joyce, e "Roberto Silva Interpreta Orlando Silva" (1997). Em 2000, foi relançada parte de sua discografia em CD, além de ter participado do disco "Ganha-se Pouco Mas É Divertido", de Cristina Buarque, sobre a obra do compositor fluminense Wilson Batista, e da gravação da música "Juracy", de Antonio Almeida e Ciro de Souza (sendo esta uma das músicas de maior sucesso de sua carreira), ao lado de Caetano Veloso, para a coletânea "Casa de Bamba 4", a convite do produtor musical Rildo Hora. Em 2002, participou do show "O Samba É Minha Nobreza", apresentado no Rio de Janeiro durante três meses, dando origem a um CD duplo contendo inúmeros sucessos de sua carreira. Este show também serviu de incentivo para a gravação do disco "Volta Por Cima" pela Universal Music, que é tema da postagem de hoje em homenagem a este grande artista. Lançado ainda em 2002, o disco traz a versão de "Juracy" gravada com Caetano Veloso dois anos antes, além dos sucessos de "Volta Por Cima" - que dá nome ao disco -, "Gosto Que Me Enrosco", "Notícia", "A Primeira Vez", "Da Cor Do Pecado", "Inquietação", "Normélia", "Meu Sonho É Você" e "A Rita". Este é um disco maravilhoso, um dos melhores discos de samba de nossa música brasileira, gostoso de ouvir, na interpretação do Príncipe do Samba, que nos deixou órfãos de sua música, sua genialidade neste ano de 2012, mas que deixou para a posteridade seus sucessos, seus sambas, seu nome marcado na história do samba e em nossa música brasileira. Fica aqui registrada esta singela homenagem a este artista que, apesar de hoje em dia ser pouco lembrado e referenciado, trouxe ao samba uma interpretação repleta de melodias e ritmos diferentes, que o transformaram num dos estilos musicais mais ricos de nossa música brasileira.

1 - Notícia (Nelson Cavaquinho / Alcides Caminha / Norival Reis)
2 - Volta Por Cima (Paulo Vanzolini)
3 - A Rita (Chico Buarque)
4 - Gosto Que Me Enrosco (Sinhô)
5 - Da Cor Do Pecado (Bororó)
6 - A Primeira Vez (Marçal / Bide)
7 - Inquietação (Ary Barroso)
8 - Normélia (Raymundo Olavo)
9 - Meu Sonho É Você (Átila Nunes / Altamiro Carrilho)
10 - Quem Mente Perde a Razão (Edgard Nunes / Zé da Zilda)
11 - Bohêmio (J. Pereira / Ataulfo Alves / Orlando Portela)
12 - Nova Ilusão (Claudionor Cruz / Pedro Caetano)
13 - Juracy (Antonio Almeida / Cyro de Souza) - com Caetano Veloso

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

2012 - Compacto - Esse Cara Sou Eu - Roberto Carlos

Oi pessoal! Nesta quarta-feira, escolhi para postar um disco que transformou a nova música do rei Roberto Carlos, "Esse Cara Sou", na música mais baixada do iTunes do mês de novembro e num dos principais sucessos do cantor dos últimos tempos. Tema romântico das personagens Théo (Rodrigo Lombardi) e Morena (Nanda Costa) da novela "Salve, Jorge", que estreou no ar dia 22 de outubro, no horário das 21:00, a música tinha sido composta pelo rei, mas não com o objetivo de fazer parte da trilha sonora da novela. Ainda estava incompleta (faltava o último verso) quando recebeu da escritora Glória Perez o convite para estrear a música na novela. E, logo após a estréia da novela, a música "estourou" em todas as rádios, nas redes sociais, até que foi lançado pela Sony em novembro um disco "single", ao estilo dos velhos compactos, que traz o sucesso de "Esse Cara Sou Eu", além de "Furdúncio", um funk melody também inédito e integrante da trilha sonora da novela "Salve, Jorge", como tema do casal Lurdinha (Bruna Marquezine) e Caíque (Duda Nagle), composta desta vez em parceria com o velho amigo Erasmo Carlos. No lado B do compacto, ou melhor, as outras duas músicas que compões o disco são "A Volta", da novela "América" (2005), e "A Mulher Que Eu Amo", da novela "Viver A Vida" (2009-10). Um disco que além de revolucionar a carreira do rei, que há muitos anos não lançava músicas inéditas, trouxe à tona o romantismo e o estilo inconfundível de Roberto Carlos à musica da atualidade de forma moderna e, de certa forma, até um pouco ousada, comparando-se as músicas que se consagraram na carreira do rei. Um disco que mesmo sendo um EP lançado para divulgar o sucesso de "Esse Cara Sou Eu" (enquanto o disco completo não esteja totalmente pronto para ser lançado) traz de forma diferente um Roberto Carlos mais próximo e mais popular que o mesmo Roberto de alguns anos. E, é claro, que traz 4 músicas de puro romantismo, em temas e trilhas sonoras de novelas, que marcaram a carreira o rei nos últimos anos.

1 - Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos)
2 - Furdúncio (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
3 - A Mulher Que Eu Amo (Roberto Carlos)
4 - A Volta (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

sábado, 1 de dezembro de 2012

1970 - Angela de Todos os Temas

Oi pessoal! Nesta manhã de sábado, posto aqui no Blog mais um disco da eterna Rainha do Rádio, Angela Maria. Dona de uma voz linda e um talento incomparável, a cantora teve de deixar seu trabalho numa fábrica de lâmpadas, sua voz no coral da igreja - onde seu pai era o pastor - e a família para se tornar uma das maiores cantoras do Brasil. Em 1948, aos 20 anos de idade, iniciou sua jornada no mundo da música cantando na boate Dancing Avenida, onde foi descoberta pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira, que a levaram para a Rádio Mayrink Veiga, adotando o nome de Angela Maria (seu verdadeiro nome é Abelim) para que a família não descobrisse. Nestes primeiros anos de sua carreira, cantou em diversos programas de calouros e em várias boates, até que conseguiu um contrato com a RCA Victor, para a gravação de seu primeiro disco, já em 1951, com as músicas "Sou Feliz", de Custódio Mesquita e Ari Monteiro, e "Quando Alguém Vai Embora", de Cyro Monteiro e Dias da Cruz. Neste mesmo ano, seu primeiro sucesso "Não Tenho Você", de Paulo Marques e Ari Monteiro, bateu recordes de vendagens, dando uma guinada em sua carreira. No ano seguinte, participou de seu primeiro filme, "Com o Diabo No Corpo", do diretor Mario del Rio, gravou mais algumas músicas, com destaque para "Tenha Pena de Mim",  de Aldacir Louro e Anísio Bichara, um dos maiores sucessos de Aracy de Almeida. Em 1953, gravou a inédita "Nem Eu", de Dorival Caymmi, além de mudar-se para a gravadora Copacabana, obteve muito sucesso com as músicas "Fósforo Queimado", de Paulo Meneses, Milton Legey e Roberto Lamego e "Vida de Bailarina", de Chocolate e Américo Seixas. No ano de 1954, Angela Maria gravou outro grande sucesso, "Recusa", de Herivelto Martins, participou do filme "Rua Sem Sol", de Alex Viany, interpretando as músicas "Vida de Bailarina" e "Rua Sem Sol" e, ainda neste ano, foi escolhida como a "Melhor Cantora do Ano" e, com uma votação de mais de 1 milhão de votos, conquistou o título de "Rainha do Rádio de 1954". Após ser coroada Rainha e descrita pelo então presidente Getúlio Vargas como "tendo a voz doce e cor do sapoti", Angela Maria continuou trilhando sua carreira de enorme sucesso, principalmente no final dos anos 1950 e toda a década de 1960, influenciando grandes nomes da música de outras gerações e emplacando recordes de vendagens de disco, considerada como a cantora que mais gravou discos na história da música brasileira. E no auge de sua popularidade e de sua carreira, "Angela de Todos os Temas" é gravado pela Copacabana em 1970, com um repertório digno de uma cantora da expressão de Angela Maria, com músicas que são verdadeiras obras-primas em sua interpretação, como as clássicas "Gente Humilde" e "Último Desejo", além de "A Nave dos Arrependidos" (pra mim, uma das melhores interpretações de Angela Maria), "Noite de Temporal", "Viola Enluarada", "Um Tipo Especial de Amor", "Tardes de Lindóia", "Os Argonautas" e "Depois do Adeus". Apesar de não fazer parte dos discos mais conhecidos e referenciados de Angela Maria, este disco mostra em cada música, cada interpretação, o talento de uma cantora que deixou de imitar Dalva de Oliveira, em quem se inspirava desde a infância, para se tornar uma das maiores e mais populares vozes da música brasileira. Embora hoje esteja um pouco esquecida pela mídia, pelo público, Angela Maria estará sempre na alma daqueles que gostam de uma boa música brasileira. Afinal, quem é Rainha, não perde a majestade e, no caso de Angela Maria, não é diferente.

1 - Gente Humilde (Garoto / Chico Buarque / Vinicius de Moraes)
2 - A Nave dos Arrependidos (D. Ramos / Vrs. Fred Jorge)
3 - Último Desejo (Noel Rosa)
4 - Um Tipo Especial de Amor (L. Christie / T. Herbert / Vrs. Arnaldo Saccomani)
5 - Outra Noite (R. Sciammrella / Vrs. L. Lobato)
6 - Viola Enluarada (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle)
7 - Noite de Temporal (Dorival Caymmi)
8 - Pra Dizer Adeus (Edu Lobo / Torquato Neto)
9 - Tardes de Lindóia (Pinto Martins / Zequinha de Abreu)
10 - Depois do Adeus (P. Ihle / G. P. Reberberi / L. Ihle / Mogol / Vrs. Fred Jorge)
11 - Estou Procurando Uma Rima (Martinha)
12 - Os Argonautas (Caetano Veloso)

domingo, 25 de novembro de 2012

1979 - Seu Último Show Gravado Ao Vivo - Adoniran Barbosa

Oi pessoal! Neste final de domingo, escolhi para homenagear um dos maiores gênios de nossa música brasileira, o paulista Adoniran Barbosa, que nos deixou há 30 anos, completados na última sexta-feira, 23 de novembro. Nascido na cidade de Valinhos em 6 de agosto de 1910, João Rubinato iniciou sua carreira artística em 1933 ao participar de um programa de calouros na antiga Rádio Cruzeiro do Sul, cantando o samba "Filosofia", de Noel Rosa. Segundo o próprio Adoniran, ele só foi aprovado neste programa porque o responsável pelo gongo estava dormindo na ocasião. Dois anos depois, sua primeira composição "Dona Boa" foi gravada por Raul Torres pela Columbia, além de que, neste mesmo ano, passa a usar o pseudônimo de Adoniran Barbosa, que marcaria sua vida e carreira artística, em homenagem ao amigo Adoniran Alves e ao cantor e compositor Luiz Barbosa. Entre os anos de 1935 e 1940, trabalhou na Rádio Cruzeiro do Sul como cantor e animador de programa, até que em 1941 foi levado à Rádio Record por convite de Otávio Gabus Mendes para fazer radioteatro.Em 1943, o grupo "Demônios da Garoa" foi formado, onde Adoniran permaneceu atuando com o grupo animando torcidas em jogos de futebol pelo interior paulista. Participou de dois filmes, ainda na década de 1940 - "Pif Paf" (1945) e "Caídos do Céu" (1946) - e, em 1951, Adoniran gravou seu primeiro disco, pela Continental, contendo as músicas "Os Mimosos 'colibri'", de Hervé Cordovil e Osvaldo Moles, e "Saudade da Maloca", de sua própria autoria. Ainda no mesmo ano, o samba "Malvina", de sua autoria, foi premiado no Carnaval, sendo gravado pelos "Demônios da Garoa" pelo selo Elite Especial. No ano seguinte, também pela Continental, Adoniran grava dois de seus maiores sucessos: o famoso "Samba do Arnesto", de sua autoria com Alocin - em homenagem ao amigo Ernesto Paulelli, morador do bairro da Móoca (não no Brás, como diz a música), que diz que nunca deu um "bolo" em Adoniran e que, interrogado a respeito do motivo da música conter este fato, o compositor respondeu assim "ora, Arnesto, se não tivesse mancada, não tinha samba!" - e o samba "Joga a Chave", de sua autoria com Osvaldo França. Em 1955, o grupo dos "Demônios da Garoa" gravaram um disco contendo "Saudosa Maloca" e "Samba do Arnesto", onde alcançaram enorme sucesso ao apresentá-las no programa de Manoel de Nóbrega na Rádio Nacional, trazendo por conseqüência ao compositor, enorme prestígio e reconhecimento. Durante os anos seguintes, a popularidade e o prestígio de Adoniran só foram aumentando, com as gravações dos seus sambas "As Mariposa" (1955), "Um Samba no Bixiga" (1956), "Iracema" (1956), "Bom Dia, Tristeza" (1956), em parceria com Vinicius de Moraes, "Pafunça" (1958), "Tiro Ao Álvaro" (1960), entre tantos outros. Sua carreira e seu sucesso só aumentou durante a década de 1960, chegando até ter uma música de sua autoria com Osvaldo Moles, "Mulher, Patrão e Cachaça", defendida na I Bienal do Samba pelos "Demônios da Garoa", realizada em 1968 pela Tv Record, que mesmo não classificada, deu origem a um compacto gravado na ocasião. Na década de 1970, gravou dois discos antológicos, com 12 sambas de sua autoria cada, que até hoje representam um dos melhores registros musicais do compositor. Em 1977, apresentou-se no Teatro 13 de Maio, no Bixiga, ao lado de Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kétti, Mário Lago e Carlos Cachaça, num encontro histórico para o samba e a música brasileira. Finalmente, em 10 de março de 1979, teve seu último show gravado ao vivo, ao lado do Grupo Talismã, no Teatro Cabaré, em São Paulo, registrado em disco apenas em 1990 pela RGE. E este disco, tema da postagem de hoje, traz um Adoniran já debilitado pela idade (podemos identificar pela sua voz já cansada e fraca), mas que traz ainda suas piadas, sua irreverência, seu jeito inconfundível de ser, falando que só ia cantar se o público pedisse "Canta, meu amor!". Além dos seus sambas já consagrados, como "Trem das Onze", "As Mariposa", "Um Samba No Bixiga", "Samba do Arnesto", "Iracema" e "Samba do Metrô", temos como destaque as inéditas "Viaduto Santa Ifigênia", "Rua dos Gusmões" e "Despejo Na Favela". Um disco interessante, gostoso de ouvir, que traz o registro inédito de um show na íntegra de Adoniran, mostrando suas músicas, seus sucessos e seu jeito único de se apresentar e de fazer a platéia rir e se divertir. E, mesmo após 30 anos, sua música continua sendo atual, caracterizada como um retrato da cidade de São Paulo e sua gente, seus costumes, suas histórias. Um dos maiores e melhores compositores de sambas de nossa música brasileira, que assumiu a "terra da garoa" como pano de fundo às suas criações maravilhosas, atemporais e inesquecíveis.

1 - Abertura / Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
2 - Já Fui Uma Brasa (Adoniran Barbosa / Marcos Cesar)
3 - As Mariposa (Adoniran Barbosa)
4 - Um Samba No Bixiga (Adoniran Barbosa)
5 - Samba Italiano (Adoniran Barbosa)
6 - Bom Dia, Tristeza (Adoniran Barbosa / Vinicius de Moraes)
7 - Apaga o Fogo Mané (Adoniran Barbosa)
8 - Samba do Arnesto (Adoniran Barbosa / Alocin)
9 - Despejo Na Favela (Adoniran Barbosa)
10 - Uma Simples Margarida (Samba do Metrô) (Adoniran Barbosa)
11 - Viaduto Santa Ifigênia (Adoniran Barbosa / Alocin)
12 - Iracema (Adoniran Barbosa)
13 - Rua dos Gusmões (Adoniran Barbosa)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

1969 - Carmélia Alves

Oi pessoal! Nesta sexta-feira, emenda de feriado, posto aqui no Blog uma homenagem à nossa querida Rainha do Baião, Carmélia Alves, que nos deixou no último dia 3 de novembro, aos 89 anos. Consagrada como uma das maiores cantoras da década de 1950, vivia desde 2010 no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, sofria do mal de Alzheimer e, segundo seu irmão Noel Alves, também lutava contra um câncer. Sua carreira teve início nos anos 1940, cantando músicas do repertório de Carmen Miranda no programa "Picolino", a convite de Barbosa Júnior. Em 1941, foi contratada como crooner do Copacabana Palace para se apresentar no programa "Ritmos da Panair", transmitido ao vivo pela Rádio Nacional. Nesta época, foi convidado por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink iaVeiga, a substituir a estrela Carmen Miranda, que havia se mudado definitivamente para os Estados Unidos, cantando músicas do repertório de Carmen a uma soma de 800 mil-réis por mês. Em 1943, grava seu primeiro disco, o qual teve que financiar com parte de suas economias, contando com grande ajuda do amigo Benedito Lacerda, com as músicas "Quem Dorme No Ponto É Chofer", de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro, e o samba "Deixei de Sofrer". Nos anos seguintes, excursionou pelo Brasil apresentando-se em diversas cidades do país, voltando ao Rio em 1948 e retomando seu lugar na Rádio Mayrink Veiga. No outro ano, Carmélia gravou ao lado de Ivon Curi a toada "Me Leva", de Hervê Cordovil e Rochinha, tornando-se seu primeiro grande sucesso, além de "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e "Trepa No Coqueiro", de Lauro Maia e Humberto Teixeira, sendo este último um dos maiores sucessos da carreira da cantora. Durante a década de 1950, sua carreira entrou em verdadeira ascensão, com a gravação de sucessos que marcariam definitivamente sua história na música brasileira, como "Sabiá Na Gaiola" (1950), de Luís Bandeira, "Adeus, Maria Fulô" (1951), de Humberto Teixeira e Sivuca, dentre muitos outros. Em 1952, ingressa no cinema, participando do filme "Tudo Azul", de Moacyr Fenelon, cantando "Dança da Muléstia", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Ao longo de sua carreira, participa de inúmeros filmes, como "Está Com Tudo" (1952), "Agulha no Paieiro" (1953), "Carnaval em Lá Maior" (1955), "A Pensão da Dona Estela" (1956), "Estão Voltando as Flores" (2001), entre outros. Nesta época, Carmélia ganhou o título de Rainha do Baião, cuja côrte era composta pelo Rei, Luiz Gonzaga, e pelos príncipes, Luiz Vieira e Claudette Soares. Em 1956, pela gravadora Copacabana, Carmélia lança o disco "Carmélia Alves" (relançado pelo selo Beverly, em 1969), com os principais sucessos de sua carreira, como "Sabiá Na Gaiola", "Pé de Manacá", "Esta Noite Serenou", "Baião Vai...Baião Vem", "Cabeça Inchada", "Adeus, Adeus, Morena" e "Eh! Boi", todas de Hervé Cordovil e seus parceiros, além de "Paraíba", "Asa Branca", "Baião de Dois", "Qui Nem Jiló", e "No Meu Pé de Serra", todas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Este, na minha opinião, é sem dúvida um dos melhores discos da carreira de Carmélia, que traz os principais sucessos da carreira, baiões que trazem a alegria, o talento e a marca de uma das maiores cantoras brasileiras, carioca de nascimento, mas nordestina de coração. Sua morte foi uma das maiores perdas que a música brasileira sofreu nos últimos anos, visto que Carmélia é uma das remanescentes deste tempo, desta música, que encantou toda uma geração de cantores que fizeram do rádio o principal veículo de manifestação artística musical da época, que levou aos quatro cantos do país o que a nossa música produzia de melhor. Fica aqui registrada uma homenagem à Carmélia Alves e a todos àqueles que deram sua vida e emprestaram seu talento para fazer da música brasileira uma das mais ricas e mais completas expressões artísticas de um povo, de todo o povo brasileiro.

1 - Pé de Manacá (Hervé Cordovil / Mariza Pinto Coelho)
2 - Esta Noite Serenou (Hervé Cordovil)
3 - Sabiá Na Gaiola (Hervé Cordovil / Mario Vieira)
4 - Eh! Boi (Hervé Cordovil)
5 - Cabeça Inchada (Hervé Cordovil)
6 - Baião Vai...Baião Vem (Hervé Cordovil)
7 - Adeus, Adeus, Morena (Hervé Cordovil / Manezinho Araújo)
8 - O Trem Chegou (Hervé Cordovil)
9 - Esquinado (Hervé Cordovil)
10 - No Meu Pé de Serra (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
11 - Estrada do Canindé (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
12 - Paraíba (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
13 - Asa Branca (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
14 - Qui Nem Jiló (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
15 - Juazeiro (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
16 - Baião de Dois (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
17 - Assum Preto (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)

sábado, 3 de novembro de 2012

1962 - Canção Que Inspirou Você - Cauby Peixoto

Oi pessoal! Neste sábado, posto aqui no Blog mais um disco de Cauby Peixoto, um dos cantores mais admirados e reverenciados do Brasil, com mais de 60 anos de carreira e ainda hoje em plena atividade. Seu início de carreira remonta o início dos anos 1950, apresentando-se em programas de calouros (como o "Hora dos Comerciários", da Rádio Tupi) e em diversas boates do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1951, gravou seu primeiro disco pelo selo Carnaval, com as músicas "Saia Branca", de Geraldo Medeiros, e "Ai, Que Carestia!", de Victor Simon e LizMonteiro e, dois anos depois, gravou mais dois discos, desta vez pela Todamérica, com as músicas "Tudo Lembra Você", de Marvel, Strachey, Link e Mário Donato, "O Teu Beijo", de Silvio Donato, "Ando Sozinho", de Hélio Ramos e R. G. de Melo Pinto, e "Aula de Amor", de Poly e José Caravaggi, com o acompanhamento de Poly e seu conjunto, assinando em seguida contrato com a gravadora Columbia. Em 1954, Cauby fez grande sucesso com a música "Blue Gardenia", de B. Russel e L. Lee, vs. de Antonio Carlos, música tema de filme de Hollywood, de mesmo nome, lançado no mesmo ano. A partir da gravação desta música, a carreira de Cauby deu um grande salto, tornando-se um dos maiores ídolos do rádio nacional, além de ser convidado a participar do cast dos principais artistas da Rádio Nacional, sendo perseguido por fãs onde quer que fosse. Em algumas vezes, teve sua roupa rasgada por fãs enlouquecidas, servindo de marketing pessoal, segundo seu empresário Di Veras na época. No ano seguinte, a consagração veio com o lançamento do seu primeiro LP, "Blue Gardenia", pela Columbia, que além da faixa-título trouxe ainda os sucessos de "Triste Melodia", de Di Veras e Chocolate, "Final de Amor", de Cidinho e Haroldo Barbosa, "Um Sorriso e um Olhar", de Di Veras e Carlos Lima, e "Sem Porém Nem Porque", de Renato César e Nazareno de Brito. Ainda neste ano de 1955, foi escolhido pelo crítico Silvio Túlio Cardoso, através da coluna "Discos Populares" do jornal "O Globo" como o melhor cantor do ano, ganhando um disco de ouro entregue em cerimônia especial em pleno Copacabana Palace. No ano seguinte, grava dois LP's, sendo que em "Você, A Música E Cauby", o cantor lança a música de maior sucesso em sua carreira, música obrigatória em todos os seus shows até hoje: "Conceição", de Jair Amorim e Dunga. Em 1957, grava mais dois discos long-play: o primeiro, "Ouvindo Cauby", com destaque para "Nada Além", de Custódio Mesquita e Mário Lago, "Chora Cavaquinho", de Dunga, "As Pastorinhas", de João de Barro e Noel Rosa, e "Na Aldeia", de Chocolate, Silvio Caldas e Carusinho, e o segundo, "Prece de Amor", com músicas oriundas de discos anteriores avulsos de 78 RPM. Nos anos finais da década de 1950, Cauby continuou gravando discos e sucessos, com destaque para a versão em inglês de "Maracangalha", de Dorival Caymmi, com o título de "I Go", numa turnê pelos Estados Unidos. Em 1960, Cauby lançou o disco "O Sucesso Na Voz de Cauby Peixoto", com sucessos já consagrados como "A Felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, além de outras músicas maravilhosas do repertório de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Em 1961, além do lançamento dos discos "Perdão Para Dois" e "Cauby Canta Novos Sucessos", o cantor é agraciado, juntamente com Elizete Cardoso com o prêmio "Soberanos do Disco de 1961" pelo jornal "O Globo". Finalmente, em 1962, temos o lançamento do disco "Canção Que Inspirou Você", tema da postagem de hoje. Neste disco, um dos melhores de Cauby (pelo menos na minha opinião), destacam-se as músicas "Samba do Avião", de Tom Jobim, "Menino Triste", de Gracindo Jr. e Rildo Hora, "Pot-Pourri - Sorri (Charles Chaplin, J. Turner e G. Parsons - vrs. de Nazareno de Brito) / Lembrança (C. Martinez Gil e S. Costa Almeida) / Perfídia (Alberto Domingues - vrs. Lamartine Babo), "Canção Que Inspirou Você", de Toso Gomes e Antônio Correa, "Belo Horizonte Poema de Amor", de Édson Macedo, "Vou Brigar com Ela", de Lupicínio Rodrigues, "Balada do Trumpete", de Francisco Pisano e Ricardo Reis, "Poema de Luz", de Maria Helena Toledo e Nelsinho, e "A Vida Continua", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Um disco completo, com interpretações belíssimas (como em "Menino Triste" e "Samba do Avião") e com músicas que fazem de Cauby Peixoto um verdadeiro gênio da música brasileira, cuja obra e cujo talento certamente perpetuarão na história de nossa música e nossa cultura popular.

1 - Balada do Trumpete
2 - Vida Minha
3 - Samba do Avião
4 - Quem Foi
5 - Fim
6 - Pot-Pourri - Sorri / Lembrança / Perfídia
7 - Belo Horizonte Poema de Amor
8 - A Vida Continua
9 - Canção Que Inspirou Você
10 - Menino Triste
11 - Vou Brigar com Ela
12 - Poema de Luz

domingo, 28 de outubro de 2012

1966 - Compacto - Canto de Ossanha / Rosa Morena - Elis Regina

Oi pessoal! Neste finalzinho de domingo, meu aniversário por sinal, posto aqui no Blog uma preciosidade da carreira de Elis Regina, a cantora que, na minha opinião, é a melhor que o Brasil já teve. Aclamada, reverenciada, lembrada e adorada por milhares (senão milhões) de fãs durante sua carreira, Elis transformava lindas canções em verdadeiras pérolas musicais, emplacando inúmeros sucessos e lançando diversos compositores e cantores que marcaram a história da música brasileira. Seu repentino sucesso com "Arrastão", música vencedora do I Festival Nacional de MPB, organizado pela Tv Excelsior em 1965, revelou ao país a "pimentinha" talentosa que revolucionou a música brasileira com sua voz maravilhosa, sua interpretação única e emocionante (e emocionada, algumas vezes), além de sua ideologia e sua forma de ser, agir, pensar. Elis é única. É, porque nunca será esquecida, sua música jamais será deixada por aqueles que realmente apreciam e gostam de boa música brasileira. Após o sucesso de "Arrastão", Elis foi convidada a comandar o programa "O Fino da Bossa" pela Tv Record, ao lado do Zimbo Trio, de Jair Rodrigues, e inúmeros convidados ilustres que fizeram o público vibrar com os números mais maravilhosos que Dorival Caymmi, Edu Lobo, Agostinho dos Santos, Adoniran Barbosa, Elza Soares, Cyro Monteiro, Gilberto Gil, Baden Powell, enfim, puderam proporcionar ao público enquanto o programa esteve no ar, de 1965 a 1967. Nessa época, era muito comum os artistas lançarem diversos compactos com músicas que se tornavam sucessos nestes programas e, como as gravadoras não atendiam à demanda por gravações e lançamentos de discos, os cantores recorriam aos compactos (simples ou duplos) para "escoarem" de forma mais rápida ao público os principais sucessos alcançados, até o lançamento do long-play oficial. E em meio a este turbilhão que sacudiu o cenário musical brasileiro dos anos 1960, está este compacto, gravado ao vivo no Teatro Record (o mesmo teatro que era utilizado para as gravações do "Fino da Bossa") em 1966, cujo registro permaneceu esquecido nos sulcos deste velho compacto, até ser totalmente remasterizado pela Philips em 2002, mais de 35 anos após o seu lançamento. E porque este compacto é tão especial pra mim? Primeiro, por representar uma das melhores fases da carreira de Elis, na minha opinião. Segundo, por trazer ao público pela primeira vez, o sucesso de "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinicius de Moraes na voz de Elis, além do clássico de Dorival Caymmi, "Rosa Morena", no lado B deste compacto, com uma interpretação alegre, contagiante de Elis. Enfim, um disquinho muito bom, que vale a pena ser lembrado, ouvido e referenciado por tudo aquilo que ele representa, em termos de música brasileira, em termos de talento, e em termos de Elis Regina.

1 - Canto de Ossanha
2 - Rosa Morena

domingo, 21 de outubro de 2012

1961 - Por Ti - Orlando Silva

Oi pessoal! Neste domingo, posto aqui no Blog mais uma preciosidade de nossa música brasileira, mais um disco do "cantor das multidões" Orlando Silva. Dono de uma voz grave, característica marcante de sua carreira, Orlando Silva iniciou sua carreira ainda na década de 1930, participando de programas de Rádio, em especial o de Francisco Alves na então Rádio Cajuti, gravando seu primeiro disco pela RCA Victor apenas 7 meses após o início de sua carreira. Em 1936, foi convidado a gravar para o filme "Cidade Mulher", da Brasil Vita, as músicas "Cidade Mulher" e "Dama do Cabaré", ambas de autoria do sambista Noel Rosa, além de participar da inauguração da Rádio Nacional, assinando contrato com a rádio na mesma ocasião. No ano seguinte, Orlando grava com acompanhamento da Orquestra Victor brasileira, a valsa "Lábios Que Beijei", de J. Cascata e Leonel Azevedo, transformando-se num dos maiores sucessos de sua carreira, além de "Juramento Falso", também de J. Cascata e Leonel Azevedo, que com o acompanhamento de Radamés Gnatalli, integrou o lado A deste mesmo disco. Neste ano, recebeu do locutor Oduvaldo Cozzi o apelido pelo qual se tornou conhecido durante toda sua carreira, "o cantor das multidões" em função de uma apresentação realizada no bairro do Brás, em São Paulo, onde estiveram presentes mais de dez mil pessoas para ouvi-lo cantar da sacada do Teatro Colombo. Ainda neste mesmo ano, no ápice de sua carreira, gravou as músicas "Rosa" e "Carinhoso", de Pixinguinha, sendo o primeiro cantor a gravá-las, além de "Alegria", de Assis Valente e Durval Maia, "Boêmio", de Ataulfo Alves e J. Pereira, "Aliança Partida", de Benedito Lacerda e Roberto Martins, e "Amigo Leal", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral. Em 1938, participou do filme "Bananas da Terra", dirigido por J. Rui, com a música "A Jardineira", de Benedito Lacerda e Humberto Porto, que viria a ser a marchinha de maior sucesso do ano seguinte, e uma das músicas de sua autoria mais lembradas de sua carreira. Neste ano de 1938, estourou no carnaval a marchinha "Abre a Janela", de Arlindo Marques Júnior e Alberto Roserti, interpretada por Orlando, além de ter gravado com muito sucesso as músicas "Caprichos do Destino", de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, "Errei, Erramos", de Ataulfo Alves, e "Nada Além", de Custódio Mesquita e Mário Lago. Consagradíssimo como um dos maiores cantores brasileiros da década de 1930, ao lado de Francisco Alves, Mário Reis e Vicente Celestino, Orlando Silva prosseguiu com sua carreira magnífica nas décadas seguintes, emplacando grandes sucessos e lançando discos memoráveis, sendo que um deles, o LP "Por Ti", é o tema escolhido como postagem de hoje. Lançado pela RCA Victor em 1961, o disco traz, além da interpretação perfeita de Orlando Silva, as músicas "Chora Cavaquinho", de Waldemar de Abreu, "Por Ti", faixa-título do disco, de Sá Roriz e Leonel Azevedo, "Naná", de Geysa Bôscoli, Jardel Jércolis e Custódio Mesquita, "Tristeza", de J. Cascata e Cristóvão de Alencar, "O Prazer É Todo Meu", de Ataulfo Alves e Claudionor Cruz, "Amigo Infiel", de Aldo Cabral e Benedito Lacerda, "História de Amor", de Humberto Porto e J. Cascata, "Perdão Amor", de Lamartine Babo, e "Lágrima de Rosa", de Kid Pepe e Dante Santoro. Um disco fantástico, que traz o "cantor das multidões" em sua interpretação única, em um disco envolvente, emocionante e, é claro, com eternos sucessos da carreira de Orlando Silva.

1 - Por Ti
2 - Chora Cavaquinho
3 - Naná
4 - Lágrima de Rosa
5 - Tristeza
6 - Apoteose do Amor
7 - Meu Coração aos Teus Pés
8 - Amigo Infiel
9 - Perdão Amor
10 - O Prazer É Todo Meu
11 - Deusa do Cassino
12 - História de Amor

domingo, 14 de outubro de 2012

1957 - Uma Voz e Seus Sucessos - Agostinho dos Santos

Oi pessoal! Neste domingo, posto aqui no Blog mais um disco paulista Agostinho dos Santos, um dos maiores cantores brasileiros e uma das grandes vozes de nossa música brasileira. Como crooner de orquestra, iniciou sua carreira no início da década de 1950, sendo contratado nesta época pelas Rádios América de São Paulo e Nacional Paulista, por onde tornou-se conhecido do público e sua voz ganhou os quatro cantos do Brasil. Em 1953, Agostinho gravou seu primeiro disco pela gravadora Star, com o samba de Sereno e Manoel Ferreira, "Rasga Teu Verso". Em 1955, foi ao Rio de Janeiro cantar com Sylvia Telles, Ângela Maria e a Orquestra Tabajara na Rádio Mayrink Veiga, assinando neste mesmo ano contrato com a gravadora Polydor, lançando a toada "O Vendedor de Laranjas", de Albertinho e Heitor Carilho, e o fox "A Última Vez Que Vi Paris", de J. Kern (versão de Haroldo Barbosa). No ano seguinte, gravou seu primeiro sucesso, a valsa "Meu Benzinho", de Hawe, Gussin e Caubi de Brito, ganhando por causa do sucesso desta canção o Troféu Roquette Pinto e seu primeiro Disco de Ouro da carreira. Neste mesmo ano, gravou sua primeira composição, o samba "Vai Sofrendo", escrita em parceria com Vicente Lobo e Osvaldo Morige. Em 1957, gravou juntamente a Orquestra de Valdomiro Lemke as músicas "Maria dos Meus Pecados", de Jair Amorim e Valdemar de Abreu, e "Chove Lá Fora", de Tito Madi, além de gravar também a marcha "Maria Shangay", do jornalista e colunista social Ibrahim Sued, de Alcyr Pires Vermelho e de Mário Jardim. Neste ano, Agostinho lança seu primeiro disco pela Polydor, com o sucesso de "Chove Lá Fora" e "Maria dos Meus Pecados", além de "O Amor Não Tem Juízo", de Fernando César, "Só Você", de Buck Itam e Ande Rand (versão de Julio Nagib), "Pra Lá e Pra Cá", de Mario Albanesi e Armando Blunde Bastos, "Esquecimento", de Nazareno de Brito e Fernando César, "Desolação", de Othon Russo, e "Concerto de Outono", de Camillo Bargoni e Danpa (versão de Julio Nagib). Um disco que, mesmo sendo de estréia de Agostinho, mostra um cantor de talento ímpar, um cantor seguro em sua interpretação e, é claro, uma voz belíssima, transformando canções em verdadeiras obras-primas de sua música. Para aqueles que não conhecem e nunca ouviram Agostinho dos Santos, este é um bom começo para se apreciar uma das melhores e maiores vozes de nossa música brasileira, cantor este que não pode ser esquecido, não pode ter seu trabalho perdido pelos anos e pelo público que, por tantas vezes, se emocionou e cantou junto com a voz e os sucessos de Agostinho dos Santos.

1 - Chove Lá Fora
2 - Maria dos Meus Pecados
3 - Desolação
4 - O Amor Não Tem Juízo
5 - Esquecimento
6 - Concerto de Outono
7 - Só Você
8 - Triste a Recordar
9 - Minha Oração
10 - Faz Mal Pra Mim
11 - Pra Lá e Pra Cá
12 - Três Marias