segunda-feira, 7 de abril de 2014

1980 - Francis Hime - Francis

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, trago aqui no Blog um disco do cantor e compositor carioca Francis Hime. Filho da pintora Dália Antonina, Francis desde cedo se interessou pela música, iniciando seus estudos de piano aos seis anos de idade. Aos 23 anos, começou a participar de reuniões musicais realizadas na casa de Vinicius de Moraes em Petrópolis, onde conheceu Carlos Lyra, Edu Lobo, Dori Caymmi, Baden Powell, Wanda Sá, Marcos Valle, dentre outros grandes nomes da música brasileira do período. Destas reuniões surge a composição de Francis, ao lado de Vinicius de Moraes - "Sem Mais Adeus" -, gravada pela primeira vez por Wanda Sá, em 1963. Ainda nos anos 1960, participou de shows e escreveu arranjos para inúmeros artistas da época, além de gravar o LP instrumental "Os Seis Em Ponto", com o grupo do qual Francis participava como pianista. Outra importante participação de Francis na época foi na chamada "era dos grandes festivais", os quais eram promovidos pelas maiores emissoras de televisão da época. Destacam-se destes festivais as participações de Francis em (i) "Por Um Amor Maior", em parceria com Ruy Guerra e interpretada por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1965; (ii) "Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Wilson Simonal no I Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Rio em 1966; (iii) "Samba de Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Jair Rodrigues no III Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Record em 1967; (iv) "Tempo da Flor" e "Eu Te Amo, Amor", ambas em parceria com Vinicius de Moraes e interpretadas pela cantora Cláudia, no II Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1967; (v) "A Grande Ausente", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida por Taiguara no IV Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1968; e "Anunciação", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida pelo MPB-4 no III Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1968. Em 1969, formou-se em Engenharia e casou-se com a cantora Olívia Hime, mudando-se para os Estados Unidos, onde ficaram por quatro anos. Ao retornar ao Brasil em 1973, Francis lança seu primeiro LP individual, "Francis Hime", pela gravadora Odeon, o qual traz sua primeira parceria com Chico Buarque, "Atrás da Porta". Nos anos seguintes, compôs algumas trilhas sonoras para o cinema e para a televisão, lançando em 1977 o disco "Passaredo" pela Som Livre, o qual marcou a estréia de Olívia Hime como cantora, letrista e produtora, e em 1978 o disco "Se Porém Fosse Portanto" (também pela Som Livre), consagrando as parcerias de Olívia Hime, Chico Buarque, Cacaso, Vinicius de Moraes, Ruy Guerra, entre outros. Finalmente, em 1980 excursionou pelo Brasil ao lado de Toquinho e Maria Creuza, gravando neste mesmo ano o LP "Francis", o qual é o tema da postagem de hoje. Deste disco, merecem destaque as músicas "E Se", "Cabelo Pixaim", "Pássara", "Baião do Jeito", "Parintintin", "Elas Por Elas", "O Rei de Ramos" e "Marina Morena". Além de trazer o talento de um compositor já consagrado na música brasileira, com arranjos belíssimos e trilhas sonoras de sucesso, este disco também nos revela um cantor que encontrou sua forma particular de dar vida às suas canções, assinando a parceira com Cacaso, Chico Buarque, Olívia Hime, Tite Lemos e, surpreendentemente, Dias Gomes, em "O Rei de Ramos". Apesar de não fazer parte da lista dos mais lembrados nomes da MPB, Francis Hime é sem dúvida, na minha opinião, um dos principais pilares da música brasileira de sua geração. E este disco nos mostra exatamente isto: um compositor que se confunde com o excelente cantor, com o belíssimo arranjador e, é claro, com o grande compositor que é, genuinamente brasileiro e essencialmente Francis Hime.

1 - E Se (Francis Hime / Chico Buarque)
2 - Cabelo Pixaim (Francis Hime / Cacaso)
3 - Pássara (Francis Hime / Chico Buarque) - com Chico Buarque
4 - Navio Fantasma (Francis Hime / Paulo César Pinheiro)
5 - Baião do Jeito (Francis Hime / Cacaso)
6 - Cinzas (Francis Hime / Olívia Hime)
7 - Parintintin (Francis Hime / Olívia Hime)
8 - Elas Por Elas (Francis Hime / Cacaso)
9 - Meio Demais (Francis Hime / Cacaso)
10 - O Rei de Ramos (Dias Gomes / Francis Hime / Chico Buarque)
11 - Flor do Mal (Francis Hime / Tite Lemos)
12 - Marina Morena (Francis Hime / Cacaso)
13 - Grão de Milho (Francis Hime / Cacaso)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

2004 - Em Algum Lugar - Beto Guedes

Oi pessoal! Nesta quinta-feira, trago mais um cantor ainda inédito por aqui, o mineiro Beto Guedes. Ainda na infância, teve contato com a música, visto que o pai já era músico e compositor. Aos nove anos, mudou-se com a família de Montes Claros (sua cidade natal) para a capital, Belo Horizonte, onde conheceu seu amigo e parceiro musical, Lô Borges. Na adolescência, participou de bandas de rock como "The Beavers" (com Márcio Aquino, Lô e Yé Borges) e "Os Bructos", esta última com os irmãos e o amigo Lô Borges. Em 1969, sua música "Equatorial" (em parceria com Lô e Márcio Borges) ganhou o primeiro lugar no 1º Festival Estudantil da Canção de Belo Horizonte. Um ano mais tarde, aos 18 anos, participou do V Festival Internacional da Canção (FIC), realizado pela Tv Globo, com a música "Feira Moderna", composta em parceria com o também mineiro Fernando Brant. Neste mesmo ano, o grupo Som Imaginário gravou em seu primeiro LP, pela gravadora Odeon, a música "Feira Moderna". Em 1972, participou da gravação do LP Clube da Esquina, juntamente com os músicos mineiros Milton Nascimento (carioca de nascimento mas mineiro de criação e coração) e Lô Borges, e com a cantora Alaíde Costa. Neste disco, Beto Guedes participou tocando viola 12 cordas, guitarra, percussão, fazendo parte do coro e cantando nas músicas "Nada Será Como Antes", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, "Saídas e Bandeiras Nº 1" e "Saídas e Bandeiras Nº 2", ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant. No ano seguinte, gravou, junto com Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, o disco "Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta", lançado pela EMI-Odeon e que trazia duas de suas composições ("Caso Você Queira Saber" e "Belo Horror"). Em 1975, participou da gravação do disco "Minas", de Milton Nascimento, na música "Fé Cega, Faca Amolada" (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos), alcançando grande popularidade. Dois anos depois, foi convidado pela gravadora EMI-Odeon para a gravação de seu primeiro LP solo, "A Página do Relâmpago Elétrico", alcançando elogios da crítica e boa receptividade do público. Contudo, seu primeiro grande sucesso veio em 1978, com a gravação do LP "Amor de Índio", o qual se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. Outro grande sucesso de sua carreira veio com o disco "Sol de Primavera", lançado em 1979 pela mesma gravadora, sendo a música que dá título ao disco (com letra de Ronaldo Bastos e arranjo de Wagner Tiso) o principal destaque. Durante a década de 1980, Beto Guedes continuou no âmbito musical, gravando ao todo 6 trabalhos, todos pela EMI-Odeon, porém não alcançando grande expressão. Nos anos 1990, Beto Guedes dedica-se à marcenaria e à mecânica, afastando-se um pouco da música, retomando a carreira com o lançamento do disco de inéditas "Em Algum Lugar", tema da postagem de hoje. Lançado pela Sony Music, o disco tem como destaque as músicas "Em Algum Lugar", "Sonhando o Futuro", "Até Depois", "Amor de Filho", "O Amor Por Nós", "Vem Ver O Sol", "A Via Láctea" e "Um Sonho Para Viver". Um disco interessante, que traz na voz e interpretação do próprio Beto Guedes músicas inéditas de seu repertório, que nos mostra seu estilo "comportado" da música mineira, além do talento deste compositor em transformar em música lindas letras e histórias vividas em nosso cotidiano. Um disco que vale a pena se ouvir, para conhecer um pouco mais do trabalho e do talento deste músico essencialmente brasileiro, mineiro e integrante deste importante movimento musical chamado "Clube da Esquina".

1 - Até Depois (Luis Guedes / Paulo Flexa / Thomas Roth)
2 - Sonhando O Futuro (Cláudio Venturini / Lô Borges)
3 - O Amor Por Nós (Jimmy Webb / Vrs. Beto Guedes / Tadeu Franco)
4 - Um Sonho Para Viver (Renato Vasconcelos / Murilo Antunes)
5 - Outro Amanhã (Beto Guedes / Murilo Antunes)
6 - Lamento Árabe (Godofredo Guedes)
7 - Em Algum Lugar (Frederick Rousseau / Vrs. Fernando Brant)
8 - Eu Te Dou Meu Coração (Beto Guedes / Léo Lopes / Ronaldo Bastos)
9 - Amor de Filho (Beto Guedes / Milton Nascimento)
10 - A Via Láctea (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
11 - Tua Canção (Ronaldo Cotrim / Carolina Futuro)
12 - Vem Ver O Sol (Claudio Faria)
13 - Júlia (Gabriel Guedes)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

2001 - Acústico MTV - Cássia Eller

Oi pessoal! Nesta primeira postagem de 2014, trago uma cantora ainda inédita por aqui, a carioca Cássia Eller. Eleita pela revista Rolling Stones como a décima oitava maior voz brasileira, Cássia Eller nasceu no Rio de Janeiro, filha de um sargento pára-quedista do exército e de uma dona de casa, cujo nome foi sugerido pela avó, devota de Santa Rita de Cássia. O interesse pela música surgiu aos 14 anos, ao ganhar de presente seu primeiro violão, onde tocava principalmente música dos Beatles. Quatro anos mais tarde, mudou-se com a família para Brasília, cantando em corais, fazendo testes para musicais, se apresentando como cantora de um grupo de forró. Durante um ano, fez parte de um conjunto de trio elétrico, denominado Massa Real, além de tocar surdo num grupo de samba. Trabalhou em vários bares da capital federal, despontando no mundo artístico ao participar de um show de Oswaldo Montenegro na cidade. Aos 19 anos, mudou-se sozinha para Belo Horizonte, trabalhando de servente de pedreiro para se sustentar, dormindo num quartinho alugado, porém sem deixar de lado os shows que fazia com frequência. Por causa deles, largou a escola, não tendo tempo para se dedicar aos estudos. Sua carreira somente decolou em 1989, quando gravou, com a ajuda e apoio do tio, uma fita demo com a música "Por Enquanto", de Renato Russo, a qual foi levada pelo tio à gravadora Polygram, rendendo à cantora sua contratação. No ano seguinte, após uma participação no LP "Baobab" de Wagner Tiso, a cantora lança seu primeiro disco, "Cassia Eller", o qual vendeu mais de 60.000 cópias e alcançando grande sucesso com a música "Por Enquanto". Dois anos mais tarde, Cássia lança seu segundo disco, "O Marginal", o qual não obteve grande número de vendas e que é considerado pela crítica como o disco mais "alternativo" de sua carreira. Em 1994, logo após o nascimento do seu filho Chicão, a cantora gravou seu terceiro disco, "Cássia Eller", o qual ultrapassou 100.000 cópias vendidas, além de trazer ao público os sucessos de "Malandragem" (um dos maiores sucessos de sua carreira) e "E.C.T.". Dois anos mais tarde, cada vez mais trilhando os caminhos do sucesso, lançou seu primeiro disco gravado ao vivo, "Cássia Eller ao Vivo", o qual trazia nos arranjos três violões, sendo um deles tocado pela própria cantora. Com o grande sucesso de "Malandragem" e a admiração da cantora pelo cantor e compositor Cazuza lhe rendeu, já em 1997, o disco "Veneno Anti-Monotonia", em homenagem à Cazuza. Além de todas as músicas do disco serem da composição do próprio cantor, este disco é um dos marcos da fase roqueira de Cássia Eller. No ano seguinte, o registro ao vivo da turnê "Veneno Anti-Monotonia" seria lançado em disco, gravado ao vivo, com o título "Veneno Vivo", o qual tinha incluso em seu repertório as músicas "Nós" e "Eu Queria Ser Cássia Eller", que não constava nas músicas da turnê. Em 1999, após um comentário de seu filho Chicão, que a mãe berrava ao invés de cantar, Cássia Eller decidiu enveredar num caminho mais suave da sua carreira, culminando no disco "Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo", produzido por Nando Reis, trazendo o sucesso de "O Segundo Sol", além das inéditas "Gatas Extraordinárias", de Caetano Veloso, e "Palavras ao Vento", de Marisa Monte e Moraes Moreira, ambas feitas exclusivamente para Cássia Eller. Em 2000, Cássia lança o disco "Cássia Rock Eller", com músicas já conhecidas de seu repertório e alguns covers. No ano seguinte, foi lançado o último disco da carreira da cantora, "Acústico MTV", o qual é o tema da postagem. Gravado ao vivo na Fazenda São José, teve na direção musical Nando Reis e Luiz Brasil e, na direção artística, o renomado Max Pierre. Das 17 músicas do repertório, destacam-se os sucessos de "Malandragem", "O Segundo Sol", "E.C.T.", "Por Enquanto" e "Relicário", além de "Luz dos Olhos", "Nós", "Non, Je Ne Regrette Rien", "Queremos Saber", "Vá Morar Com O Diabo", "Partido Alto", "1º Julho" e "Quando A Maré Encher". Um disco fantástico, intenso, com os principais sucessos de Cássia Eller gravados ao vivo, no formato especial dos discos da série "Acústicos MTV", os quais nos dá a sensação de que estamos participando ao vivo do show. E que, apesar de ser o último disco lançado pela cantora, traz em um belo resumo o talento, a voz inconfundivelmente grave de uma cantora que nasceu para arrebentar nos palcos, para mostrar ao público uma música moderna, misturando rock e pop numa essência genuinamente brasileira, com a marca registrada de Cássia Eller.

1 - Non, Je Ne Regrette Rien (Michel Vaucaire / Charles Dumont)
2 - Malandragem (Cazuza / Frejat)
3 - E.C.T. (Nando Reis / Marisa Monte / Carlinhos Brown)
4 - Vá Morar Com O Diabo (Riachão)
5 - Partido Alto (Chico Buarque)
6 - 1º De Julho (Renato Russo)
7 - Luz Dos Olhos (Nando Reis)
8 - Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Cazuza / Frejat)
9 - Queremos Saber (Gilberto Gil)
10 - Por Enquanto (Renato Russo)
11 - Relicário (Nando Reis) - com Nando Reis
12 - O Segundo Sol (Nando Reis)
13 - Nós (Tião Carvalho)
14 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (John Lennon / Paul McCartney)
15 - De Esquina (Xis) - com Nação Zumbi
16 - Quando A Maré Encher (Fábio Trummer / Roger Man / Bernardo Chopinho) - com Nação Zumbi
17 - Top Top (Os Mutantes / Arnolpho Lima Filho)

domingo, 10 de novembro de 2013

2013 - Vanessa da Mata Canta Tom Jobim

Oi pessoal! Neste domingo ensolarado de novembro, trago aqui no Blog da Música Brasileira um dos melhores discos do ano, em que a cantora matogrossense Vanessa da Mata homenageia o eterno maestro Tom Jobim. Gravado em julho pela Sony Music, o disco traz 16 das 23 músicas da turnê "Nívea Viva Tom Jobim", em que a cantora percorreu o Brasil divulgando a obra e a genialidade deste grande compositor, músico e pianista carioca. Quanto à cantora, Vanessa da Mata nasceu em Alto Garças (MT) e, aos 14 anos, deixou sua cidade natal para se dedicar ao vestibular de medicina e à música. Já em Uberlândia, no ano seguinte, Vanessa faz sua estreia em bares da cidade mineira, cantando um repertório variado que ia de Reggae a MPB. Em 1992, Vanessa deixa Minas e se muda para São Paulo, para ser integrante do grupo feminino Shalla-Bal, este dedicado à música Reggae. Três anos mais tarde, Vanessa integra a banda jamaicana Black Uhuru e o grupo de ritmos regionais Mafuá. Em 1997, Vanessa conhece o cantor Chico César, com quem começa a compor. Uma das suas composições ao lado de Chico César, "A Força Que Nunca Seca" se transformou na primeira grande expressão musical do talento de Vanessa, ao ser escolhida por Maria Bethânia a fazer parte do seu disco gravado em 1999, o qual levou como título a música de Vanessa e Chico. No ano seguinte, a também baiana Daniela Mercury lança o disco "Sol da Liberdade", o qual traz a primeira composição solo de Vanessa, "Viagem". Em 2001, Maria Bethânia lança em seu disco "Maricotinha" a segunda música de seu repertório com a composição de Vanessa da Mata, "O Canto de Dona Sinhá", que conta com a participação de Chico Buarque na versão ao vivo. Neste mesmo ano, Vanessa estreia a parceria com a mineira Ana Carolina, com a música "Me Sento Na Rua", incluída no disco "Ana Rita Joana Iracema e Carolina". Em 2002, Vanessa lança seu primeiro disco pela gravadora Sony BMG, "Vanessa da Mata", o qual alcança grande repercussão com as músicas "Nossa Canção" (Luiz Ayrão) e "Onde Ir" (Vanessa da Mata), integrantes das trilhas sonoras das novelas "Celebridade" e "Esperança", respectivamente. Dois anos depois, Vanessa lança seu segundo disco, "Essa Boneca Tem Manual", sendo este muito bem recebido pela crítica e que trouxe os sucessos de "Ainda Bem" e "Ai ai ai", ambas de Liminha e Vanessa da Mata, "História de Uma Gata", de Chico Buarque, Luis Enriquez Bacalov e Sergio Bardotti, e "Não Chore Homem", da própria autora. Em 2006, a cantora recebe o Prêmio Multishow de Melhor Música com "Ai ai ai", onde a música torna-se a música nacional executada nas rádios e o disco "Essa Boneca Tem Manual" rende à cantora seu primeiro disco de platina. No ano seguinte, Vanessa lança seu terceiro disco, "Sim", o qual trouxe mais um grande sucesso de sua carreira, "Boa Sorte", composta e gravada com o músico estadunidense Ben Harper. Em 2008, Vanessa conquista o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro e o seu segundo Prêmio Multishow de Melhor Música, desta vez com "Boa Sorte". Em 2010, Vanessa lança seu terceiro álbum de estúdio, "Bicicletas, Bolos e Outas Alegrias", que trouxe como destaque as músicas "O Tal Casal", "As Palavras (trilha sonora da novela Morde & Assopra) e "Quando Amanhecer", em parceria com Gilberto Gil. No carnaval de 2012, Vanessa entra na Sapucaí pela Portela homenageando a cantora Clara Nunes, num desfile em homenagem à Bahia. Em fevereiro de 2013, foi confirmada que a segunda edição do projeto Nívea Viva homenagearia o maestro Antonio Carlos Jobim e que a escolhida para cantar as canções de Tom seria Vanessa da Mata. Assim, no primeiro semestre, Vanessa realizou uma turnê por seis capitais brasileiras, com shows gratuitos, divulgando a obra e o talento do mestre Tom Jobim. Em julho, foi lançado o disco com as principais músicas da turnê, o qual é o tema da postagem de hoje. Trata-se de um disco simples, mas genial. Traz uma cantora que mergulhou neste mundo musical criado por Tom Jobim e que conseguiu extrair na essência o que o maestro gostava tanto em sua obra: o Brasil. O Brasil do amor, da natureza, da alegria. E a Vanessa soube muito bem mostrar a todos o seu imenso talento, com a responsabilidade de cantar e encantar a todos com a magia de Tom Jobim. E conseguiu com este disco reunir, sob sua interpretação belíssima, 16 grandes clássicos da música de Tom Jobim. É claro, ficaram de fora inúmeros sucessos do maestro, como "Águas de Março", "Luiza", "Chega de Saudade" (em parceria com Vinicius de Moraes), "Ela É Carioca" (em parceria com Vinicius e Gilbert), entre tantos outros. Mas mesmo assim, o disco é incrível, um registro inesquecível que a matogrossense Vanessa da Mata deixou de sua releitura à obra do eterno maestro Antonio Carlos Jobim.  


1- Caminhos Cruzados (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
2 - Fotografia (Antonio Carlos Jobim)
3 - Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
4 - Este Seu Olhar (Antonio Carlos Jobim)
5 - Chovendo Na Roseira (Antonio Carlos Jobim)
6 - Por Causa de Você (Antonio Carlos Jobim / Dolores Duran)
7 - Eu Sei Que Vou Te Amar (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
8 - Desafinado (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
9 - Sabiá (Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque)
10 - Dindi (Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira)
11 - Wave (Antonio Carlos Jobim)
12 - Só Tinha de Ser Com Você (Antonio Carlos Jobim)
13 - Falando de Amor (Antonio Carlos Jobim)
14 - Samba de Uma Nota Só (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
15 - Correnteza (Antonio Carlos Jobim / Luiz Bonfá)
16 - Estrada do Sol (Antonio Carlos Jobim / Dolores Duran)

domingo, 27 de outubro de 2013

1969 - Vinicius em Portugal

Oi pessoal! Neste último domingo de outubro, presto uma homenagem a um dos maiores nomes da música e da poesia brasileira. Afinal, se estivesse vivo, nosso querido "poetinha" teria completado no último dia 19 deste mês, 100 anos de vida, boemia e muitas histórias. Nascido no Rio de Janeiro do início do século XX, Vinicius ainda na escola começou a se interessar pela poesia, compondo seus primeiros versos. Aos 14 anos, junto com os amigos Tapajós (os irmãos Paulo, Haroldo e Oswaldo), Vinicius compõe suas primeiras canções, se apresentando com mais alguns amigos da escola em festinhas. Dois anos mais tarde, torna-se bacharel em Letras, entrando para a faculdade de Direito no ano seguinte. Em 1932, Vinicius publica seu primeiro poema, "A Transfiguração da Montanha", na revista "A Ordem", além de ter suas primeiras canções gravadas em disco ("Loura ou Morena" e "Canção da Noite") pelos Irmãos Tapajós, pela gravadora Columbia. No ano seguinte, por incentivo do amigo Otávio de Faria, lança pela editora Schimidt seu primeiro livro de poemas, "O Caminho para a Distância". Em 1933, lança o livro "Forma e Exegese", pela editora Irmãos Pongetti, o qual é elogiado pela crítica, além de receber o prêmio Filipe d'Oliveira e receber comentários positivos do já consagrado poeta Manuel Bandeira. Cinco anos mais tarde, lança seu quarto livro, "Novos Poemas", desta vez pela editora José Olympio, sendo novamente elogiado pela crítica e consolidado como um dos poetas da chamada "Geração de 30". Em 1939, com o início da II Guerra Mundial, Vinicius volta ao Brasil e, esperando o navio no porto de Estoril, escreve um dos poemas mais conhecidos de sua autoria, "Soneto de Fidelidade". Em 1941, inicia os estudos para ingressar na carreira diplomática, também escrevendo para o jornal "A Manhã" como crítico cinematográfico. Dois anos mais tarde, publica pela Irmãos Pongetti seu quinto livro, "Cinco Elegias", que conta com a colaboração de Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria. Em 1946, Vinicius enfim conquista o posto de vice-cônsul em Los Angeles, transferindo-se com a família para os Estados Unidos. No início da década de 1950, retorna ao Brasil, trabalhando no jornal "A Última Hora" como cronista e crítico de cinema. Em 1954, sua peça "Orfeu da Conceição" é premiada no concurso de teatro do IV Centenário da Cidade de São Paulo, além de lançar no Brasil sua "Antologia Poética", pela editora "A Noite". Dois anos mais tarde, inicia no Brasil as encenações de sua peça "Orfeu da Conceição" e, em 1957, é transferido para a embaixada brasileira de Montevidéu, lançando neste período no Brasil seu "Livro de Sonetos". Nos anos seguintes, sua parceria com Tom Jobim é levada aos quatro cantos do mundo após a explosão da Bossa Nova, movimento este que teria como pilar central a música de Tom e Vinicius. No início da década de 1960, Vinicius se lança na música brasileira, com novos parceiros musicais como Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden Powell, Francis Hime, entre outros, lançando seu primeiro disco solo "Vinicius", pela gravadora Elenco. Em 1965, do I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior, Vinicius recebe o primeiro lugar com "Arrastão", composta com Edu Lobo, após a interpretação bombástica de Elis Regina, e o segundo lugar com "Valsa do Amor Que Não Vem", composta com Baden Powell, na interpretação emocionada de Elizeth Cardoso. No ano seguinte, Vinicius lança pelo selo Forma o antológico disco "Os Afro-sambas", com o amigo Baden Powell, misturando a música do poeta, o violão do parceiro e a influência dos ritmos do candomblé. Em 1968, Vinicius perde sua mãe, dona Lydia de Moraes e, após a instauração do AI*5 pelo então presidente Costa e Silva, perde também seu cargo no Itamaraty. No ano seguinte, dedica-se a shows que levaram o poeta a Salvador, Montevidéu e Lisboa. E em Lisboa, em plena livraria Quadrante, Vinicius realiza um recital de poesia, o qual é gravado e lançado no Brasil no final de 1969, pelo selo Festa, disco este que é tema da postagem de hoje. Deste disco recheado de poemas, destaco "A Uma Mulher", "Soneto a Katherine Mansfield", o qual inspirou o poeta Manuel Bandeira a compor uma série de sonetos que há muito não o fazia, "O Desespero da Piedade", "Soneto de Intimidade", "Quarto Soneto de Meditação" e "Ternura". Um recital interessante, que nos traz um pouco do poeta Vinicius em suas várias fases, desde seu primeiro livro, "O Caminho para a Distância", em que o próprio poeta o define como "imaturo, mas bem saudado pela crítica, onde o poeta se encontra nos seus mais verdes anos", até seus últimos trabalhos poéticos. Este recital consiste numa antologia, realizada pelo próprio poeta, e que traz aos que não conheceram a boêmia de Vinicius, o próprio autor declamando suas obras, com sua voz, seu sentimento. Um documento único, que leva à posteridade a preciosidade da obra, selecionada pelo próprio Vinicius, do poeta, diplomata, cineasta e compositor brasileiro, que se estivesse vivo, completaria neste mês um século de alegria, boemia e, é claro, muita poesia.

1 - A Uma Mulher
2 - A Volta da Mulher Morena
3 - Soneto de Intimidade
4 - Soneto a Katherine Mansfield
5 - Ternura
6 - O Falso Mendigo
7 - O Desespero da Piedade
8 - Quarto Soneto de Meditação
9 - Cântico
10 - Sob o Trópico de Câncer

domingo, 6 de outubro de 2013

1964 - Tudo de Mim - Nelson Gonçalves

Oi pessoal! Nesta sexta-feira, trago aqui no Blog mais um disco do gaúcho Nelson Gonçalves. Dono de uma voz única, característica, Nelson Gonçalves se mudou ainda criança para São Paulo, trabalhando na adolescência de engraxate, jornaleiro, mecânico, polidor, tamanqueiro e lutador de boxe, tornando-se aos dezesseis anos campeão paulista, na categoria peso-médio. Mesmo sendo gago (o que lhe originou o apelido "metralha"), Nelson insistiu no sonho de ser cantor, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1939 em busca deste sonho. Já no Rio, participou de inúmeros programas de calouros, sendo até aconselhado por Ary Barroso a desistir de seu sonho, diante das reprovações. Em 1941, após quase dois anos de tentativas sem sucesso, conseguiu gravar seu primeiro disco, pela Victor, sendo este 78RPM bem recebido pelo público e pela crítica. Nesta época, foi convidado a ser crooner Casino Copacabana (estabelecido no Hotel Copacabana Palace), assinando um contrato com a Rádio Mayrink Veiga e iniciando uma carreira de sucesso no rádio, inspirando-se nos já consagrados Francisco Alves e Orlando Silva. Durante as décadas de 1940 e 1950 grava inúmeros sucessos, como "A Última Seresta" (Adelino Moreira / Sebastião Santana), "Maria Bethânia" (Capiba), "Caminhemos" (Herivelto Martins), "Meu Vício É Você" (Adelino Moreira) e "A Volta do Boêmio" (Adelino Moreira), esta última considerada o seu maior sucesso e que lhe conferiu a alcunha de "Boêmio". Em 1952, casa-se com Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no célebre Trio de Ouro, ficando juntos até 1959. Nesta época, o cantor se envolve com as drogas, fato este que quase levou ao final de sua carreira e sua vida, chegando a ser preso em flagrante, em meados de 1965. Com o apoio da família e amigos, deu a volta por cima, retomou sua brilhante carreira de sucesso e reconquistou o público que há tanto o admirava. Este disco, por sua vez, embora tenha sido lançado nesta fase triste da vida de Nelson, traz em seu repertório verdadeiras jóias musicais, com destaque especial para "Risque", imortalizada por Linda Batista, "Cadeira Vazia", uma das mais conhecidas letras de Lupicínio Rodrigues, "Dora", composição do mais baiano dos compositores, Dorival Caymmi, "Folha Morta" e "Ave Maria", grandes sucessos na voz de Dalva de Oliveira, "Da Cor do Pecado", "Tudo de Mim", que dá nome ao disco, "Cabelos Brancos", registrada em disco de Silvio Caldas, com mesmo nome, "Nossa Comédia" e "A Mesma Rosa Amarela". Um disco interessante, pela história e importância que cada uma das faixas representa para a história de nossa música brasileira, interpretadas pelo Rei do Rádio, uma das maiores vozes que o Brasil já teve e tem orgulho de se lembrar, ouvir e se emocionar: o eterno Nelson Gonçalves.

01 – Risque (Ary Barroso)
02 – Da Cor do Pecado (Bororó)
03 – Tudo de Mim (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
04 – Nossa Comédia (Custódio Mesquita / Evaldo Ruy)
05 – Cadeira Vazia (Lupicínio Rodrigues / Alcides Gonçalves)
06 – Dora (Dorival Caymmi)
07 – Folha Morta (Ary Barroso)
08 – Cabelos Brancos (Herivelto Martins / Marino Pinto)
09 – Ave Maria (Vicente Paiva / Jayme Redondo)
10 – Sinto-me Bem (Ataulfo Alves)
11 – Noite Cheia De Estrelas (Cândido das Neves)
12 – A Mesma Rosa Amarela (Capiba e Carlos Pena Filho)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

1958 - Cabelos Brancos - Silvio Caldas

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, trago aqui no Blog mais uma preciosidade de nossa música brasileira, desta vez um disco do cantor e compositor carioca Silvio Caldas. Desde criança, Silvio Caldas teve contato com a música, mas o início de sua carreira profissional remonta o final da década de 1920, cantando em programas de rádio. Somente no início dos anos 30, com a gravação de "Faceira" (1931), "Maria" (1932) e "Segure Esta Mulher" (1933), todas de autoria do compositor Ary Barroso, é que vieram seus primeiros sucessos e o reconhecimento do público. Em 1934, Silvio Caldas iniciou com Orestes Barbosa uma parceria que lhes renderia inúmeros sucessos, com destaque para "Chão de Estrelas" (1937), o maior sucesso da carreira do cantor, cuja gravação original foi realizada pela Odeon, num velho 78 RPM, em que o lado A apresentava a canção "Arranha-Céu", também de autoria da dupla. No mesmo ano, Silvio lançou outro grande sucesso de sua carreira, a marcha "As Pastorinhas", de Noel Rosa e João de Barro. No início da década de 1940, o cantor gravou "Mulher", de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, a qual alcançou algum sucesso, além das regravações de "Aquarela do Brasil" e "Na Baixa do Sapateiro", ambas de Ary Barroso, realizadas dois anos depois. Em 1943, gravou pela Continental a primeira canção da gravadora, "Mágoas de um Trovador", de J. Cascata e Manezinho Araújo. Ainda na década de 1940, participou de filmes de José Carlos Burle, como "Tristezas Não Pagam Dívidas" e "Luz dos Meus Olhos", além de "Não Adianta Chorar", de Watson Macedo. Em 1951, é lançado seu primeiro LP pelo selo Musicolor, "Com a Saudade Pelo Braço", com 14 músicas lançadas em velhos discos 78 RPM em anos anteriores. Durante a década de 1950, Silvio grava mais alguns discos, como "Saudades" (1952), "Música de Ary Barroso - Canta Silvio Caldas" (1953), "Silvio Caldas Canta" (1955), "Canta o Seresteiro" (1956), "Silvio Caldas" (1956), "Serenata" (1957) e "Cabelos Brancos" (1958), que é o tema da postagem de hoje. Deste disco, lançado originalmente pela gravadora Columbia, merecem destaque as músicas "Foi Uma Pedra Que Rolou", "Serra da Boa Esperança" - clássico da música de Francisco Alves" -, "Cabelos Brancos", a qual dá nome ao Long-Play, "Uma Jura Que Fiz", "Quando o Samba Acabou", "Pistom de Gafieira" e "Compromisso Com a Saudade". Um disco muito bom, com músicas de alta qualidade e refino musical, interpretadas por ninguém menos que o "caboclinho querido", o eterno seresteiro Silvio Caldas.

01 – Cabelos Brancos (Marino Pinto / Herivelto Martins)
02 – Foi Uma Pedra Que Rolou (Pedro Caetano)
03 – Saudade de Você (Silvio Caldas / Billy Blanco)
04 – Uma Jura Que Fiz (Ismael Silva / Noel Rosa)
05 – Chuvas de Verão (Fernando Lobo)
06 – Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo)
07 – Compromisso Com a Saudade (Billy Blanco)
08 – Talento Não Tem Idade (Ataulfo Alves)
09 – Reverso (Marino Pinto / Gilberto Milfont)
10 – Pistom de Gafieira (Billy Blanco)
11 – Pastora dos Olhos Castanhos (Alberto Ribeiro / Horondino Silva “Dino”)
12 – Quando o Samba Acabou (Noel Rosa)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

1969 - Aracy de Almeida

Oi pessoal! Nesta terça-feira, posto aqui no Blog um disco em homenagem à cantora carioca Aracy de Almeida. Considerada a maior intérprete de Noel Rosa pelo próprio compositor e pela crítica, Aracy iniciou sua carreira aos 19 anos, cantando profissionalmente sambas na Rádio Educadora do Rio de Janeiro. Em 1934, gravou seu primeiro disco pela Columbia, com a marchinha "Em Plena Folia", de Julieta de Oliveira, além de gravar pela primeira vez Noel, com a canção "Riso de Criança". Um ano mais tarde, assinou contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul, passando a fazer parte do coro do elenco da gravadora. Neste ano, dentre as músicas que gravou pela RCA Victor, destacam-se os sambas "Triste Cuíca", de Noel Rosa e Hervê Cordovil e "Pedindo a São João", de Herivelto Martins e Darci de Oliveira. Em 1936, o samba "Palpite Infeliz", de Noel Rosa, tornou-se o primeiro sucesso da cantora, que se tornaria uma das maiores cantoras da história da música brasileira e, consequentemente, da era de ouro do rádio nacional. No ano seguinte, Aracy gravou com Castro Barbosa os sambas "Eu e Você" e "Helena", ambas de Raul Marques e Ernâni Silva; de Noel Rosa, os sambas "Eu Sei Sofrer" e "O Maior Castigo Que Eu Te Dou"; e o sucesso "Tenha Pena de Mim", de Ciro de Souza e Babaú, uma das músicas mais importantes na sua carreira. Nesta época, transferiu-se para a Rádio Nacional. Em 1938, Aracy gravou com Lamartine Babo as marchas "Vaca Amarela", de Lamartine e Carlos Neto, e "Esquina da Sorte", de Lamartine e Hervê Cordovil, além dos sambas "Último Desejo", "Século do Progresso" e "Rapaz Folgado", todas de autoria de Noel. Já em 1939, Aracy grava outro grande sucesso de sua carreira, "Camisa Amarela", desta vez de autoria de Ary Barroso. No início da década de 1940, Aracy passou por vários programas musicais de rádio, como no Programa Casé, da Rádio Philips, onde cantava em dupla com Silvio Caldas, além de gravar mais um sucesso de sua carreira, "Fez Bobagem", de Assis Valente. Durante a década de 1940, sua popularidade e seus sambas ganharam grande destaque na música, sendo considerada uma das maiores cantoras do rádio na época. E justamente desta fase é que se trata este disco, tema da postagem de hoje. Lançado em 1969 pelo selo Imperial, este disco traz uma coletânea dos principais sucessos de Aracy desta época marcante de sua carreira, com sambas que até hoje são lembrados pelo grande público. Dentre estes, destacam-se "Saia do Caminho", "Nasci Para Bailar", "Quando Esse Nego Chega", "Parabéns Para Você", "Carta Esquecida", "Ele Não Sabe Dançar" e "Desde Ontem". Apesar de ser lembrada apenas como a júri polêmica do Programa Silvio Santos pelo grande público, Aracy de Almeida é uma das melhores e maiores cantoras de sambas de nossa música, com sambas inesquecíveis e músicas que marcaram o início de nossa história musical brasileira, devendo sempre ser lembrada e referenciada por aqueles que, como eu, gostam de ouvir uma boa música genuinamente brasileira.

1 - Saia do Caminho (Custódio Mesquita / Evaldo Ruy) - 1946
2 - Nasci Para Bailar (Joel de Almeida / Tasiro / Vrs. Fernando Lobo) - 1948
3 - Desde Ontem (Fernando Lobo) - 1949
4 - João Ninguém (Noel Rosa) - 1949
5 - Carta Esquecida (Mario Amorim) - 1946
6 - Parabéns para Você (Roberto Martins / Wilson Batista) - 1945
7 - Franqueza (Newton Teixeira / Valdemar Gomes) - 1946
8 - Diagnóstico (Wilson Batista / Germano Augusto) - 1943
9 - Memórias de Torcedor (Geraldo Gomes / Wilson Batista) - 1946
10 - Distância (Fernando Lobo) - 1948
11 - Quando Esse Nego Chega (Haroldo Barbosa) - 1948
12 - Ele Não Sabe Dançar (Alcebíades Nogueira / Cristóvão Alencar) - 1945

quinta-feira, 25 de julho de 2013

1970 - Miltinho e a Seresta

Oi pessoal! Depois de mais de dois meses de ausência, retomo as postagens no Blog da Música Brasileira, trazendo ao público curiosidades, histórias, grandes sucessos e nomes que marcaram a história de nossa música. E, como primeira postagem deste mês de julho, o blog homenageia o cantor  carioca Miltinho, um dos grandes nomes da música brasileira, embora hoje esteja esquecido pelo público e pela mídia em geral. Dono de uma voz belíssima e um talento sem igual, Miltinho iniciou sua carreira ainda na década de 1940, participando de diversos grupos musicais, como Cancioneiros do Luar, Anjos do Inferno, Namorados da Lua e Quatro Ases e Um Curinga. Durante a década de 1950, Miltinho foi crooner da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, e do grupo Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira, até que em 1960, decidiu seguir carreira solo, lançando o disco "Um Novo Astro", pelo selo Sideral, alcançando grande sucesso, especialmente com o lançamento de "Mulher de Trinta", de Luiz Antônio, uma das principais músicas de seu extenso repertório. Ainda neste ano, lançou o disco "O Diploma do Astro", que trazia o sucesso de "Não Emplaca 61", de Ari Monteiro e Monsueto. Em 1961, Miltinho se transfere para a RGE, onde grava no ano seguinte a música "Palhaçada", de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, tornando-se outra música marcante em sua carreira. De 1961 a 1965, período em que gravou pela RGE, Miltinho lançou mais de 12 discos (dentre eles, seu primeiro disco gravado ao vivo), e inúmeros sucessos, como "Estou Só", "Canção do Nosso Amor" e "Lembranças", ambas de Benil Santos e Raul Sampaio, "Mulata Assanhada", de Ataulfo Alves, "Zé da Conceição", de João Roberto Kelly, "Poema do Olhar", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, dentre outros. Em 1966, transferiu-se para a Odeon, gravando nos anos seguintes três discos de enorme sucesso com a cantora Elza Soares, da série "Elza, Miltinho & Samba". Durante o período em que esteve na gravadora Odeon, Miltinho lançou o disco "Miltinho e a Seresta", tema da postagem de hoje, onde merecem destaque as músicas "No Rancho Fundo", "Malandrinha" (um dos grandes sucessos de Francisco Alves), "Três Apitos" (um dos grandes sucessos de Aracy de Almeida), "Deusa da Minha Rua" (um dos grandes sucessos de Silvio Caldas), "Foi Ela", "Queixumes", "Arranha-Céu" e "Modinha". Um disco fantástico, que mostra o talento de Miltinho na interpretação de serestas inesquecíveis de nossa música brasileira.

1 - No Rancho Fundo (Ary Barroso / Lamartine Babo)
2 - Malandrinha (Freire Júnior)
3 - Queixumes (Henrique Brito / Noel Rosa)
4 - Três Apitos (Noel Rosa)
5 - Deusa da Minha Rua (Jorge Faraj / Newton Mendonça)
6 - Se Tu Soubesses (George Moran / Cristóvão de Alencar)
7 - Última Inspiração (Peterpan)
8 - Foi Ela (Ary Barroso)
9 - Modinha (Sergio Bittencourt)
10 - Arranha-Céu (Silvio Caldas / Orestes Barbosa)
11 - Boneca (Aldo Cabral / Benedito Lacerda)
12 - Quem Há de Dizer (Alcides Gonçalves / Lupicínio Rodrigues)

sábado, 4 de maio de 2013

1970 - Falou e Disse - Elizeth Cardoso

Oi pessoal! Neste sábado, trago aqui no Blog mais um disco da cantora carioca Elizeth Cardoso. Dona de um talento sem igual, ficou eternizada como a "Divina" intérprete de choros, sambas-canção e bossa nova. Sua carreira teve início ainda na infância, cantando para as crianças da vizinhança os sucessos de Vicente Celestino até que, em 1936, a um convite de Jacob do Bandolim, se apresentou pela primeira vez na Rádio Guanabara, cantando ao lado de cantores consagrados na época, como o próprio Vicente Celestino, Noel Rosa, Marília Batista, Aracy de Almeida, entre outros. Contratada pela rádio uma semana depois de sua primeira apresentação, Elizeth continuou sua carreira cantando em boates nas noites cariocas, chegando a crooner de orquestras no início de da década 1940. Em 1945, Elizeth se mudou para São Paulo para cantar no Salão Verde do Edifício Martinelli e se apresentar na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa "Pescando Humoristas". De volta ao Rio de Janeiro em 1948, Elizeth foi contratada pela Rádio Mauá para atuar no programa "Alvorada da Alegria", sendo recontratada em seguida pela Rádio Guanabara. No ano seguinte, por intermédio de Ataulfo Alves, grava seu primeiro disco pela Star, contendo as músicas "Braços Vazios", de Acir Alves e Edgar G. Alves, e "Mensageiro da Saudade", de Ataulfo Alves e José Batista. Seu primeiro sucesso veio em 1950 com "Canção de Amor", de Chocolate e Elano de Paula, no segundo disco da carreira de Elizeth, desta vez gravado pela Todamérica, e que continha também a música "Complexo", de Wilson Batista. Com o sucesso de "Canção de Amor", recebeu o convite para ir para a Rádio Tupi, chegando a se apresentar na recém-criada Tv Tupi em 1951, além de participar do seu primeiro filme, "Coração Materno", dirigido por Gilda Abreu, cantando "Canção de Amor". Durante a primeira metade da década de 1950, continuou a gravar inúmeras músicas e grandes sucessos, lançando em 1955 seu primeiro long-play - "Canções à Meia-Luz" - pela Continental - e, em 1956, participando do filme "Carnaval em Lá Maior", de Adhemar Gonzaga. Nos anos seguintes, lançou os LP's "Fim de Noite" (1956), "Música e Poesia de Fernando Lobo" (1957), "Noturno" (1957), "Naturalmente" (1958) e "Retrato da Noite" (1958), todos pela gravadora Copacabana, a qual acompanharia a cantora por mais de 20 anos de carreira e sucessos. Em 1958, Elizeth grava pelo selo Festa um dos discos mais emblemáticos e antológicos da música brasileira, "Canção do Amor Demais", com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, transformando-se um dos marcos iniciais do movimento Bossa Nova, que revolucionou a música da época. Nos anos seguintes, gravou os discos "Magnífica" (1959) e "A Meiga Elizeth" (1960), além de gravar para o filme "Orfeu do Carnaval", de Marcel Camus, as músicas "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu". Em 1960, estreou na Tv Continental o programa "Nossa Elizeth", ao lado do compositor e violonista Baden Powell e, em 1965, estreou seu programa "Bossaudade", na Tv Record, que esteve no ar durante dois anos. Durante a primeira metade da década de 1960, gravou inúmeros sucessos, registrando-os em discos memoráveis de sua carreira, com destaque para "A Meiga Elizeth Nº 2" (1961), "Elizeth Interpreta Vinicius" (1963) e "Elizeth Sobe O Morro" (1965). Em 1965, defendeu no I Festival de MPB, promovido pela Tv Excelsior, a música "Valsa do Amor Que Não Veam", de Baden Powell e Vinicius de Moraes, obtendo o segundo lugar. Nos anos seguintes, sua carreira se volta aos sambas e aos discos gravados ao vivo, até que em 1970, Elizeth grava mais um disco de estúdio pela Copacabana, "Falou E Disse", tema da postagem de hoje. Embora não apresente nenhum grande sucesso da carreira de Elizeth, este disco traz como destaque as músicas "É de Lei", "Aviso aos Navegantes", "A Flor de Laranjeira", "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida", "Refém da Solidão", "Carta de Poeta" e "Tudo OK", além de "Corrente de Aço" e "Você Foi Um Atraso Em Meu Caminho". Um disco excelente que, embora não esteja entre os principais e mais conhecidos da carreira da cantora, traz a interpretação marcante da "divina", doze músicas selecionadas de seu extenso repertório de mais de 40 LP's gravados no Brasil.

1 - É de Lei (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
2 - Corrente de Aço (João Nogueira)
3 - Você Foi Um Atraso Em Meu Caminho (Picolino / Jair Costa)
4 - Lua Aberta (Paulo Frederico / João de Aquino)
5 - Tudo OK (Maurício Tapajós / Hermínio Bello de Carvalho)
6 - Refém da Solidão (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
7 - Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida (Paulinho da Viola)
8 - Degraus da Vida (Nelson Cavaquinho / César Brasil / Antônio Braga)
9 - Aviso aos Navegantes (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
10 - Camisa Branca (Elton Medeiros / Otávio de Moraes)
11 - Carta de Poeta (Baden Powell / Paulo César Pinheiro)
12 - A Flor de Laranjeira (Humberto de Carvalho / Zé Pretinho da Bahia / Bernardino Silva)