quinta-feira, 16 de outubro de 2014

1958 - Descendo O Morro - Roberto Silva

Oi pessoal! Nesta quinta-feira, posto aqui no Blog mais um disco em homenagem a um cantor pouco lembrado pelo grande público nos dias de hoje e que, infelizmente, deixou a nossa música brasileira mais vazia com sua morte há pouco mais de dois anos. Trata-se do carioca Roberto Silva, que dedicou mais de 60 anos de carreira à música brasileira, em especial ao samba. Desde o final da década de 1930, Roberto Silva começou a freqüentar e participar de alguns dos principais programas de rádio da época, sendo contratado pela Rádio Mauá em 1943 após cantar a música "Risoleta" (Raul Marques / Moacyr Bernardino). Três anos depois, bancado pelos autores das músicas, gravou seu primeiro disco pela Continental, com as músicas "Ele É Esquisito", de Walter Rodrigues, e "O Errado Sou Eu", de Djalma Mafra. Ainda neste mesmo ano, ingressou na Rádio Nacional, levado por Evaldo Rui e Haroldo Barbosa. Ainda na década de 1940, foi levado para a Tv Tupi por Paulo Gracindo, para participar do elenco da rádio, sendo batizado pelo locutor Carlos José como "o Príncipe do Samba", apelido este que levaria por toda a sua vida. Em 1947, foi contratado pela gravadora Star (que em 1953 se transformaria na gravadora Copacabana), onde gravou por mais de 30 anos todos os maiores sucessos de sua carreira. No ano seguinte, lançou seu primeiro sucesso com a música "Maria Teresa", de Altamiro Carrilho. Nos anos seguintes, continuou a gravar inúmeros sambas, com destaque para "Mandei Fazer Um Patuá", de Raimundo Olavo e Norberto Martins (1948), "Perdi Você", de Raimundo Olavo e Silva Jr. (1954), "Mãe Solteira", de Wilson Batista e Jorge de Castro (1954), "Notícia", de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Norival Reis (1955), "Samba Rubro-Negro", de Wilson Batista e Jorge de Castro (1955) e "Emília", de Wilson Batista e Haroldo Lobo (1957). No ano seguinte, Roberto lançou seu primeiro LP, "Descendo o Morro...", o qual teria sua continuação com mais três LP's, e que é o tema da postagem de hoje. Lançado pela Copacabana, o disco traz doze sambas de altíssimo nível, com destaque para as músicas "Ai! Que Saudades da Amélia" (como nota, para mim esta é uma das melhores interpretações desta música que já ouvi até hoje), "Risoleta", "Juracy", "Falsa Baiana", "A Voz do Morro", "Agora É Cinza", "Emília", "Indecisão" e "Seu Libório. Um disco sensacional, que traz o melhor do samba da época, de autores referenciados, consagrados, na interpretação leve, alegre, no estilo sincopado e marcado de Roberto Silva. Considerado príncipe não por acaso, com o dom de transformar grandes sambas em verdadeiras jóias do samba de morro e da música brasileira.

1 - Indecisão ( Aylce Chaves / Paulo Marques)
2 - Risoleta (Raul Marques / Moacyr Bernardino)
3 - Juracy (Antônio Almeida / Cyro de Souza)
4 - A Mulher de Seu Oscar (Ataulfo Alves / Wilson Batista)
5 - Seu Libório (Alberto Ribeiro / João de Barro)
6 - Agora É Cinza (Marçal / Bide)
7 - Pisei No Despacho (Geraldo Pereira)
8 - Ai! Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago)
9 - Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
10 - Emília (Haroldo Lobo / Wilson Batista)
11 - Bebida, Mulher, Orgia (Manoel Rabaça / Luiz Pimentel / Anis Murad)
12 - A Voz do Morro (Zé Ketti)

sábado, 27 de setembro de 2014

1961 - Miltinho

Oi pessoal! Depois de mais de três meses de ausência, volto com mais uma homenagem a um grande cantor brasileiro que infelizmente nos deixou no último aniversário da independência, aos 86 anos de idade. Trata-se do cantor e instrumentista Miltinho, que durante os anos 1960 fez grande sucesso como cantor de sambas e canções românticas. Carioca de samba e nascimento, Miltinho ingressou na música na década de 1940 ao participar como instrumentista e vocalista de diversos conjuntos musicais, com destaque para Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do Inferno (grupo que fez enorme sucesso nos EUA acompanhando a cantora Carmen Miranda), Quatro Ases e Um Coringa, Orquestra Tabajara e Milionários do Ritmo. Em 1960, lançou-se em carreira solo com dois velhos discos 78 RPM pela gravadora Sideral, com as músicas "Menina Moça", "Ri", "Eu E O Rio" e "Mulher de Trinta", todas de autoria do compositor carioca Luiz Antonio. Dentre estas quatro, destaca-se "Mulher de Trinta", que tornou-se um grande sucesso e um dos maiores de sua carreira, o que motivou o lançamento de seus primeiros LP's, também pela Sideral, "O Diploma do Astro" e "Um Novo Astro", gravados ainda no mesmo ano de 1960. No ano seguinte, gravou mais dois velhos 78 RPM com as músicas "Poema das Mãos", "Poema do Adeus" e "A Canção Que Virou Você", as três de Luiz Antonio, e "Só Vou de Mulher" (Haroldo Barbosa / Luis Reis). Neste mesmo ano, gravou o disco "Miltinho", o terceiro LP de sua carreira solo, pela gravadora RCA Victor, o qual é o tema da postagem de hoje. Apesar de ter se lançado em carreira independente menos de um ano antes do lançamento deste disco, as doze músicas mostram um cantor já experiente, com um talento sem igual ao cantar sambas, com em "Teleco-Teco Nº 2", "O Amor E A Rosa", "Eu Quero Um Samba", "Murmúrio", "Samba Em Tu", "Se Você Disser Que Sim" e "Sincopado Triste". Destaque para "Rosa Morena", um dos maiores sucessos do baiano Dorival Caymmi, na genial interpretação de Miltinho, que na minha opinião é uma das melhores já gravadas até hoje. Um disco completo, repleto de grandes sambas, com o estilo e o talento inconfundível de Miltinho.       

1 - Murmúrio (Djalma Ferreira / Luiz Antonio)
2 - Eu Quero Um Samba (Haroldo Barbosa / Janet de Oliveira)
3 - Se Foi Passado (William Duba / A. Louro / L. Rodrigues)
4 - A Dor de Uma Saudade (Luiz Bonfá / Aor Ribeiro)
5 - Samba Em Tu (Hianto de Almeida / Macedo Neto)
6 - Sincopado Triste (Hianto de Almeida / Macedo Neto)
7 - Volta (Djalma Ferreira / Luiz Bandeira)
8 - Se Você Disser Que Sim (Luiz Bandeira)
9 - Vou Te Contar (Hianto de Almeida / Otávio Teixeira)
10 - O Amor E A Rosa (Pernambuco / Antonio Maria)
11 - Rosa Morena (Dorival Caymmi)
12 - Teleco-Teco Nº 2 (Nelsinho / Oldemar Magalhães)

domingo, 8 de junho de 2014

1966 - O Sorriso de Jair

Oi pessoal! Neste último dia 8 de junho lembramos com saudade do cantor Jair Rodrigues, que nos deixou há um mês atrás, deixando órfãos seus fãs e admiradores de sua alegria, seu talento e sua carreira de mais de 50 anos de muitos sucessos. Nascido em Igarapava, interior de São Paulo em 6 de fevereiro de 1939, Jair Rodrigues iniciou sua carreira aos dezoito anos, cantando como crooner em casas noturnas no interior de São Paulo. No início dos anos 1960, se mudou para a capital paulista, participando de programas de calouros, com destaque para o "Programa de Claúdio de Luna", apresentado pela Rádio Cultura, no qual obteve o primeiro lugar. Dois anos mais tarde, Jair grava seu primeiro disco, um 78 rpm, com duas músicas para a Copa do Mundo daquele ano: "Brasil Sensacional" e "Marechal da Vitória", ambas de Alfredo Borba e Edson Borges, sendo a segunda muito tocada na Rádio Record na época. Lançou entre 1962/63 alguns outros discos, como os velhos bolachões "Tem Bobo Pra Tudo" (João Correa da Silva / Manoel Brigadeiro) e "O Morro Não Tem Vez" (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes), este com Portinho e sua orquestra, e "Brigamos" (Jorge Costa / Nairson Menezes) e "Feio Não É Bonito" (Carlos Lyra / Gianfrancesco Guarnieri), e compactos simples, dentre os quais merece destaque o disquinho "Balada do Homem Sem Deus", de Fernando César e Agostinho dos Santos, e "Coincidência", de Venâncio e Corumba. No início de 1964, Jair lança seu primeiro long-play, "O Samba Como Ele É", pela gravadora Philips, a qual o acompanharia por quase 20 anos de carreira. Neste mesmo ano, o samba "Deixa Isso Pra Lá", de Alberto Paz e Edson Menezes, interpretado com a gesticulação característica de Jair, tornou-se seu primeiro grande sucesso, alcançando repercussão nacional e grande popularidade, sendo gravado no long-play "Vou de Samba Com Você" e lançado no final de 1964. Atualmente, esta música é considerada a precursora do "rap" nacional, por seu refrão "falado". No início de 1965, Jair foi convidado a participar do programa "Almoço com as Estrelas", apresentado por Airton e Lolita Rodrigues na Tv Tupi, onde conheceu a então estreante cantora gaúcha Elis Regina, que se tornaria uma grande parceira musical e sua grande amiga. Neste mesmo ano, Elis foi convidada por Walter Silva para fazer um espetáculo no Teatro Paramount, em São Paulo, juntamente com Wilson Simonal e o Zimbo Trio. Porém, como o Simonal e o Zimbo Trio já tinham fechado um contrato para uma excursão internacional com a Rhodia, Walter Silva convidou para o lugar deles ao lado de Elis o Jongo Trio e o violonista Baden Powell, que já havia viagem marcada para a Alemanha e não podia participar. E, para o lugar do compositor carioca, Walter Silva convidou Jair Rodrigues, que estava se apresentando com sucesso na Boate Cave, aceitando, assim, o convite. O espetáculo, marcado para os dias 9, 10 e 11 de abril de 1965 transformou-se num imenso sucesso de público e crítica, projetando a carreia de ambos no cenário musical da época. Logo após a seqüência de shows, Elis se apresentou na final do I Festival de Música Brasileira, conquistando o primeiro lugar com a música "Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, transformando-se num dos ícones da música brasileira. E a partir daí, foi contratada pela Tv Record, juntamente com Jair Rodrigues e o Zimbo Trio, para apresentar o programa "O Fino da Bossa", o qual rendeu aos dois sucesso e reconhecimento do público nacional e internacionalmente. No final de 1965, o LP "Dois Na Bossa", gravado ao vivo, contendo a trilha sonora do show apresentado no Paramount, foi lançado ao público, alcançando a surpreendente marca de mais de 1 milhão de discos vendidos. No ano seguinte, Elis e Jair lançam o segundo disco da dupla (Dois Na Bossa Nº 2), também gravado ao vivo, só que desta vez no Teatro Record, também alcançando grande sucesso de público e crítica. Neste ano de 1966, Elis e Jair participam do II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Record, onde Elis conquistou o quinto lugar com "Ensaio Geral", de Gilberto Gil, e Jair conquistou o público, ao emplacar o primeiro lugar com "Disparada", empatada com a inesquecível "A Banda", de Chico Buarque, interpretada por Nara Leão e o próprio compositor. Sucesso absoluto, Jair se consagrou neste festival, lançando ainda neste mesmo ano o LP "O Sorriso de Jair", tema da postagem de hoje, gravado ao vivo no Teatro Record de São Paulo, que nos traz o sucesso de "Disparada", além de "Chão de Estrelas", clássico de Silvio Caldas, "Vem Chegando a Madrugada", de Noel e Zuzuca, "A Rita", de Chico, além do "Pot-Pourri: Louco / Meu Fraco é Mulher / Emília / Fechei A Porta / Só Eu Sei / Volta / Dá-Me", e de "Vem, Menina", "Deixa Como Está", "Inaê", "Fiz Meu Amor de Manhã", "Contracanto", "O Chegar da Primavera", "Rapaz da Moda" e "Balanço do Jequibau". Um disco sensacional, que traz a alegria de Jair num dos momentos mais intensos e felizes de sua carreira musical, mesclando clássicos e sucessos da sua canção, além de nos prestigiar com boa música essencialmente brasileira, típicos sambas na interpretação do inesquecível Jair Rodrigues.

1 - Disparada (Geraldo Vandré / Théo de Barros)
2 - Vem Chegando A Madrugada (Zuzuca / Noel Rosa)
3 - Rapaz da Moda (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
4 - Contracanto (Paulinho Nogueira)
5 - O Chegar da Primavera (Luiz Henrique Rosa / Niltinho Tristeza)
6 - A Rita (Chico Buarque)
7 - Vem, Menina (Gilberto Gil / Torquato Neto)
8 - Pot-Pourri: Louco (Henrique de Almeida / Wilson Batista) / Meu Fraco É Mulher (Conde / Heitor de Barros) / Emília (Wilson Batista / Haroldo Lobo) / Fechei A Porta (Sebastião Mota / Ferreira dos Santos) / Só Eu Sei (Francisco Ávilla / J. Marques Ferraz) / Volta (Djalma Ferreira / Luiz Bandeira) / Dá-Me (Adylson Godoy)
9 - Chão de Estrelas (Orestes Barbosa / Silvio Caldas)
10 - Inaê (Vera Brasil / Maricenne Costa)
11 - Deixa Como Está (José Di)
12 - Fiz Meu Samba de Manhã (César Roldão Vieira)
13 - No Balanço do Jequibau (Mario Albanese / Ciro Pereira)

Uma singela homenagem do Blog da Música Brasileira a este artista alegre, "pra cima", que revolucionou a música brasileira nas décadas de 1960, 70 e 80 (principalmente) com seus sucessos, seu carisma e seu talento. Obrigado Jair! A música brasileira tem orgulho de ter você em sua história, e jamais se esquecerá da sua alegria de cantar, de viver, de sambar! Viva Jair!


domingo, 18 de maio de 2014

1979 - Louça Fina - Sueli Costa

Oi pessoal! Neste domingo, trago aqui no Blog mais um disco de uma cantora e compositora carioca ainda inédita por aqui. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro dos anos 1940, Sueli desde a infância foi criada em Juiz de Fora com os quatro irmãos, todos voltados de alguma forma à música. Desde os quatro anos de idade, sua mãe lhe dava aulas de canto e piano, vindo a formar anos depois com as irmãs Telma e Lisieux o Trieto, para participar dos festivais que aconteciam nas cidades vizinhas. Aos 17 anos, compôs ao violão sua primeira canção, "Balãozinho", inspirada numa apresentação da cantora Sylvia Telles na televisão. Logo depois, ao preferir o violão para realizar suas composições, musicou algumas das letras de João Medeiros Filho, sendo que a primeira delas, "Por Exemplo: Você", foi gravada em 1967 pelo Grupo Manifesto e por Nara Leão. Cursou a faculdade de direito em Minas até que, no último ano, abandonou tudo e se mudou para o Rio, onde dividiu com o compositor Sidney Miller as músicas do espetáculo "Alice No País do Divino Maravilhoso" e começou a ensinar música em escolas. No ano seguinte, participou do V Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, com a música "Encouraçado" (Sueli Costa / Tite Lemos), interpretada pelo cantor Fábio, alcançou o 3º lugar. Em 1971, três de suas composições foram escolhidas por Maria Bethânia para compor o antológico show "Rosa dos Ventos": "Aldebarã", "Assombrações" e "Sombra Amiga" (todas as três em parceria com Tite Lemos). No ano seguinte, "20 Anos Blue" (com Vitor Martins), composta durante uma viagem de ônibus entre Rio e Juiz de Fora, foi gravada por Elis Regina em seu LP "Elis", transformando-se num dos maiores sucessos da carreira de Sueli. Com o sucesso de suas músicas, Sueli foi contratada pela gravadora EMI e gravou seu primeiro LP "Sueli Costa", em 1975, com produção de Gonzaguinha e arranjos de Paulo Moura e Wagner Tiso. Dois anos depois, foi lançado seu segundo LP "Sueli Costa", com produção de João Bosco e Aldir Blanc. Nesta época, deixou de dar aulas por não conseguir acumular as duas funções, dedicando-se à música e ao seu casamento com Raymundo Wanderley, com quem ficou casada por 8 anos e que gerou seu único filho Pedro. Em 1978, Sueli gravou seu terceiro disco, "Vida de Artista", que contou com a participação da irmã Telma Costa na música "4 de Dezembro" (Sueli Costa). No ano seguinte, Sueli lança seu quarto disco, "Louça Fina", tema da postagem de hoje. Com doze músicas de seu belíssimo repertório, destacam-se entre elas "Para Os Meninos da Nicarágua", "Altos e Baixos", gravada por Elis em seu LP "Essa Mulher" no mesmo ano, "O Primeiro Jornal", "Alegria E A Dor", "Louça Fina", Sabe de Mim", "Flecha Ligeira" e "Esperar Eu Não Sei". Um disco que mostra o talento de uma compositora versátil, em temas, parceiros e sucessos, que nos traz grandes sucessos da música de Sueli, uma compositora já consagrada e uma cantora em ascensão musical. Um belíssimo trabalho, que resultou num disco gostoso de ouvir, grata surpresa para aqueles que não conhecem ou não tiveram a oportunidade de conhecer o talento de Sueli Costa.


1 - Para Os Meninos da Nicarágua (Sueli Costa / Paulo Emílio / Aldir Blanc)
2 - Louça Fina (Sueli Costa / Abel Silva)
3 - Sabe de Mim (Sueli Costa)
4 - Alegria E A Dor (Sueli Costa / Abel Silva)
5 - Uma Vida Em Segredo (Sueli Costa / Abel Silva)
6 - Esperar Eu Não Sei (Sueli Costa / Abel Silva)
7 - Flecha Ligeira (Sueli Costa / Tite de Lemos)
8 - Segredo Quebrado (Sueli Costa / Paulo César Pinheiro)
9 - Primeiro Jornal (Sueli Costa / Abel Silva)
10 - Altos e Baixos (Sueli Costa / Aldir Blanc)
11 - Jura Secreta (Sueli Costa / Abel Silva)
12 - O Inocente (Sueli Costa / Tite de Lemos)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

1980 - Francis Hime - Francis

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, trago aqui no Blog um disco do cantor e compositor carioca Francis Hime. Filho da pintora Dália Antonina, Francis desde cedo se interessou pela música, iniciando seus estudos de piano aos seis anos de idade. Aos 23 anos, começou a participar de reuniões musicais realizadas na casa de Vinicius de Moraes em Petrópolis, onde conheceu Carlos Lyra, Edu Lobo, Dori Caymmi, Baden Powell, Wanda Sá, Marcos Valle, dentre outros grandes nomes da música brasileira do período. Destas reuniões surge a composição de Francis, ao lado de Vinicius de Moraes - "Sem Mais Adeus" -, gravada pela primeira vez por Wanda Sá, em 1963. Ainda nos anos 1960, participou de shows e escreveu arranjos para inúmeros artistas da época, além de gravar o LP instrumental "Os Seis Em Ponto", com o grupo do qual Francis participava como pianista. Outra importante participação de Francis na época foi na chamada "era dos grandes festivais", os quais eram promovidos pelas maiores emissoras de televisão da época. Destacam-se destes festivais as participações de Francis em (i) "Por Um Amor Maior", em parceria com Ruy Guerra e interpretada por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1965; (ii) "Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Wilson Simonal no I Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Rio em 1966; (iii) "Samba de Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Jair Rodrigues no III Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Record em 1967; (iv) "Tempo da Flor" e "Eu Te Amo, Amor", ambas em parceria com Vinicius de Moraes e interpretadas pela cantora Cláudia, no II Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1967; (v) "A Grande Ausente", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida por Taiguara no IV Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1968; e "Anunciação", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida pelo MPB-4 no III Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1968. Em 1969, formou-se em Engenharia e casou-se com a cantora Olívia Hime, mudando-se para os Estados Unidos, onde ficaram por quatro anos. Ao retornar ao Brasil em 1973, Francis lança seu primeiro LP individual, "Francis Hime", pela gravadora Odeon, o qual traz sua primeira parceria com Chico Buarque, "Atrás da Porta". Nos anos seguintes, compôs algumas trilhas sonoras para o cinema e para a televisão, lançando em 1977 o disco "Passaredo" pela Som Livre, o qual marcou a estréia de Olívia Hime como cantora, letrista e produtora, e em 1978 o disco "Se Porém Fosse Portanto" (também pela Som Livre), consagrando as parcerias de Olívia Hime, Chico Buarque, Cacaso, Vinicius de Moraes, Ruy Guerra, entre outros. Finalmente, em 1980 excursionou pelo Brasil ao lado de Toquinho e Maria Creuza, gravando neste mesmo ano o LP "Francis", o qual é o tema da postagem de hoje. Deste disco, merecem destaque as músicas "E Se", "Cabelo Pixaim", "Pássara", "Baião do Jeito", "Parintintin", "Elas Por Elas", "O Rei de Ramos" e "Marina Morena". Além de trazer o talento de um compositor já consagrado na música brasileira, com arranjos belíssimos e trilhas sonoras de sucesso, este disco também nos revela um cantor que encontrou sua forma particular de dar vida às suas canções, assinando a parceira com Cacaso, Chico Buarque, Olívia Hime, Tite Lemos e, surpreendentemente, Dias Gomes, em "O Rei de Ramos". Apesar de não fazer parte da lista dos mais lembrados nomes da MPB, Francis Hime é sem dúvida, na minha opinião, um dos principais pilares da música brasileira de sua geração. E este disco nos mostra exatamente isto: um compositor que se confunde com o excelente cantor, com o belíssimo arranjador e, é claro, com o grande compositor que é, genuinamente brasileiro e essencialmente Francis Hime.

1 - E Se (Francis Hime / Chico Buarque)
2 - Cabelo Pixaim (Francis Hime / Cacaso)
3 - Pássara (Francis Hime / Chico Buarque) - com Chico Buarque
4 - Navio Fantasma (Francis Hime / Paulo César Pinheiro)
5 - Baião do Jeito (Francis Hime / Cacaso)
6 - Cinzas (Francis Hime / Olívia Hime)
7 - Parintintin (Francis Hime / Olívia Hime)
8 - Elas Por Elas (Francis Hime / Cacaso)
9 - Meio Demais (Francis Hime / Cacaso)
10 - O Rei de Ramos (Dias Gomes / Francis Hime / Chico Buarque)
11 - Flor do Mal (Francis Hime / Tite Lemos)
12 - Marina Morena (Francis Hime / Cacaso)
13 - Grão de Milho (Francis Hime / Cacaso)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

2004 - Em Algum Lugar - Beto Guedes

Oi pessoal! Nesta quinta-feira, trago mais um cantor ainda inédito por aqui, o mineiro Beto Guedes. Ainda na infância, teve contato com a música, visto que o pai já era músico e compositor. Aos nove anos, mudou-se com a família de Montes Claros (sua cidade natal) para a capital, Belo Horizonte, onde conheceu seu amigo e parceiro musical, Lô Borges. Na adolescência, participou de bandas de rock como "The Beavers" (com Márcio Aquino, Lô e Yé Borges) e "Os Bructos", esta última com os irmãos e o amigo Lô Borges. Em 1969, sua música "Equatorial" (em parceria com Lô e Márcio Borges) ganhou o primeiro lugar no 1º Festival Estudantil da Canção de Belo Horizonte. Um ano mais tarde, aos 18 anos, participou do V Festival Internacional da Canção (FIC), realizado pela Tv Globo, com a música "Feira Moderna", composta em parceria com o também mineiro Fernando Brant. Neste mesmo ano, o grupo Som Imaginário gravou em seu primeiro LP, pela gravadora Odeon, a música "Feira Moderna". Em 1972, participou da gravação do LP Clube da Esquina, juntamente com os músicos mineiros Milton Nascimento (carioca de nascimento mas mineiro de criação e coração) e Lô Borges, e com a cantora Alaíde Costa. Neste disco, Beto Guedes participou tocando viola 12 cordas, guitarra, percussão, fazendo parte do coro e cantando nas músicas "Nada Será Como Antes", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, "Saídas e Bandeiras Nº 1" e "Saídas e Bandeiras Nº 2", ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant. No ano seguinte, gravou, junto com Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, o disco "Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta", lançado pela EMI-Odeon e que trazia duas de suas composições ("Caso Você Queira Saber" e "Belo Horror"). Em 1975, participou da gravação do disco "Minas", de Milton Nascimento, na música "Fé Cega, Faca Amolada" (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos), alcançando grande popularidade. Dois anos depois, foi convidado pela gravadora EMI-Odeon para a gravação de seu primeiro LP solo, "A Página do Relâmpago Elétrico", alcançando elogios da crítica e boa receptividade do público. Contudo, seu primeiro grande sucesso veio em 1978, com a gravação do LP "Amor de Índio", o qual se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. Outro grande sucesso de sua carreira veio com o disco "Sol de Primavera", lançado em 1979 pela mesma gravadora, sendo a música que dá título ao disco (com letra de Ronaldo Bastos e arranjo de Wagner Tiso) o principal destaque. Durante a década de 1980, Beto Guedes continuou no âmbito musical, gravando ao todo 6 trabalhos, todos pela EMI-Odeon, porém não alcançando grande expressão. Nos anos 1990, Beto Guedes dedica-se à marcenaria e à mecânica, afastando-se um pouco da música, retomando a carreira com o lançamento do disco de inéditas "Em Algum Lugar", tema da postagem de hoje. Lançado pela Sony Music, o disco tem como destaque as músicas "Em Algum Lugar", "Sonhando o Futuro", "Até Depois", "Amor de Filho", "O Amor Por Nós", "Vem Ver O Sol", "A Via Láctea" e "Um Sonho Para Viver". Um disco interessante, que traz na voz e interpretação do próprio Beto Guedes músicas inéditas de seu repertório, que nos mostra seu estilo "comportado" da música mineira, além do talento deste compositor em transformar em música lindas letras e histórias vividas em nosso cotidiano. Um disco que vale a pena se ouvir, para conhecer um pouco mais do trabalho e do talento deste músico essencialmente brasileiro, mineiro e integrante deste importante movimento musical chamado "Clube da Esquina".

1 - Até Depois (Luis Guedes / Paulo Flexa / Thomas Roth)
2 - Sonhando O Futuro (Cláudio Venturini / Lô Borges)
3 - O Amor Por Nós (Jimmy Webb / Vrs. Beto Guedes / Tadeu Franco)
4 - Um Sonho Para Viver (Renato Vasconcelos / Murilo Antunes)
5 - Outro Amanhã (Beto Guedes / Murilo Antunes)
6 - Lamento Árabe (Godofredo Guedes)
7 - Em Algum Lugar (Frederick Rousseau / Vrs. Fernando Brant)
8 - Eu Te Dou Meu Coração (Beto Guedes / Léo Lopes / Ronaldo Bastos)
9 - Amor de Filho (Beto Guedes / Milton Nascimento)
10 - A Via Láctea (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
11 - Tua Canção (Ronaldo Cotrim / Carolina Futuro)
12 - Vem Ver O Sol (Claudio Faria)
13 - Júlia (Gabriel Guedes)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

2001 - Acústico MTV - Cássia Eller

Oi pessoal! Nesta primeira postagem de 2014, trago uma cantora ainda inédita por aqui, a carioca Cássia Eller. Eleita pela revista Rolling Stones como a décima oitava maior voz brasileira, Cássia Eller nasceu no Rio de Janeiro, filha de um sargento pára-quedista do exército e de uma dona de casa, cujo nome foi sugerido pela avó, devota de Santa Rita de Cássia. O interesse pela música surgiu aos 14 anos, ao ganhar de presente seu primeiro violão, onde tocava principalmente música dos Beatles. Quatro anos mais tarde, mudou-se com a família para Brasília, cantando em corais, fazendo testes para musicais, se apresentando como cantora de um grupo de forró. Durante um ano, fez parte de um conjunto de trio elétrico, denominado Massa Real, além de tocar surdo num grupo de samba. Trabalhou em vários bares da capital federal, despontando no mundo artístico ao participar de um show de Oswaldo Montenegro na cidade. Aos 19 anos, mudou-se sozinha para Belo Horizonte, trabalhando de servente de pedreiro para se sustentar, dormindo num quartinho alugado, porém sem deixar de lado os shows que fazia com frequência. Por causa deles, largou a escola, não tendo tempo para se dedicar aos estudos. Sua carreira somente decolou em 1989, quando gravou, com a ajuda e apoio do tio, uma fita demo com a música "Por Enquanto", de Renato Russo, a qual foi levada pelo tio à gravadora Polygram, rendendo à cantora sua contratação. No ano seguinte, após uma participação no LP "Baobab" de Wagner Tiso, a cantora lança seu primeiro disco, "Cassia Eller", o qual vendeu mais de 60.000 cópias e alcançando grande sucesso com a música "Por Enquanto". Dois anos mais tarde, Cássia lança seu segundo disco, "O Marginal", o qual não obteve grande número de vendas e que é considerado pela crítica como o disco mais "alternativo" de sua carreira. Em 1994, logo após o nascimento do seu filho Chicão, a cantora gravou seu terceiro disco, "Cássia Eller", o qual ultrapassou 100.000 cópias vendidas, além de trazer ao público os sucessos de "Malandragem" (um dos maiores sucessos de sua carreira) e "E.C.T.". Dois anos mais tarde, cada vez mais trilhando os caminhos do sucesso, lançou seu primeiro disco gravado ao vivo, "Cássia Eller ao Vivo", o qual trazia nos arranjos três violões, sendo um deles tocado pela própria cantora. Com o grande sucesso de "Malandragem" e a admiração da cantora pelo cantor e compositor Cazuza lhe rendeu, já em 1997, o disco "Veneno Anti-Monotonia", em homenagem à Cazuza. Além de todas as músicas do disco serem da composição do próprio cantor, este disco é um dos marcos da fase roqueira de Cássia Eller. No ano seguinte, o registro ao vivo da turnê "Veneno Anti-Monotonia" seria lançado em disco, gravado ao vivo, com o título "Veneno Vivo", o qual tinha incluso em seu repertório as músicas "Nós" e "Eu Queria Ser Cássia Eller", que não constava nas músicas da turnê. Em 1999, após um comentário de seu filho Chicão, que a mãe berrava ao invés de cantar, Cássia Eller decidiu enveredar num caminho mais suave da sua carreira, culminando no disco "Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo", produzido por Nando Reis, trazendo o sucesso de "O Segundo Sol", além das inéditas "Gatas Extraordinárias", de Caetano Veloso, e "Palavras ao Vento", de Marisa Monte e Moraes Moreira, ambas feitas exclusivamente para Cássia Eller. Em 2000, Cássia lança o disco "Cássia Rock Eller", com músicas já conhecidas de seu repertório e alguns covers. No ano seguinte, foi lançado o último disco da carreira da cantora, "Acústico MTV", o qual é o tema da postagem. Gravado ao vivo na Fazenda São José, teve na direção musical Nando Reis e Luiz Brasil e, na direção artística, o renomado Max Pierre. Das 17 músicas do repertório, destacam-se os sucessos de "Malandragem", "O Segundo Sol", "E.C.T.", "Por Enquanto" e "Relicário", além de "Luz dos Olhos", "Nós", "Non, Je Ne Regrette Rien", "Queremos Saber", "Vá Morar Com O Diabo", "Partido Alto", "1º Julho" e "Quando A Maré Encher". Um disco fantástico, intenso, com os principais sucessos de Cássia Eller gravados ao vivo, no formato especial dos discos da série "Acústicos MTV", os quais nos dá a sensação de que estamos participando ao vivo do show. E que, apesar de ser o último disco lançado pela cantora, traz em um belo resumo o talento, a voz inconfundivelmente grave de uma cantora que nasceu para arrebentar nos palcos, para mostrar ao público uma música moderna, misturando rock e pop numa essência genuinamente brasileira, com a marca registrada de Cássia Eller.

1 - Non, Je Ne Regrette Rien (Michel Vaucaire / Charles Dumont)
2 - Malandragem (Cazuza / Frejat)
3 - E.C.T. (Nando Reis / Marisa Monte / Carlinhos Brown)
4 - Vá Morar Com O Diabo (Riachão)
5 - Partido Alto (Chico Buarque)
6 - 1º De Julho (Renato Russo)
7 - Luz Dos Olhos (Nando Reis)
8 - Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Cazuza / Frejat)
9 - Queremos Saber (Gilberto Gil)
10 - Por Enquanto (Renato Russo)
11 - Relicário (Nando Reis) - com Nando Reis
12 - O Segundo Sol (Nando Reis)
13 - Nós (Tião Carvalho)
14 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (John Lennon / Paul McCartney)
15 - De Esquina (Xis) - com Nação Zumbi
16 - Quando A Maré Encher (Fábio Trummer / Roger Man / Bernardo Chopinho) - com Nação Zumbi
17 - Top Top (Os Mutantes / Arnolpho Lima Filho)

domingo, 10 de novembro de 2013

2013 - Vanessa da Mata Canta Tom Jobim

Oi pessoal! Neste domingo ensolarado de novembro, trago aqui no Blog da Música Brasileira um dos melhores discos do ano, em que a cantora matogrossense Vanessa da Mata homenageia o eterno maestro Tom Jobim. Gravado em julho pela Sony Music, o disco traz 16 das 23 músicas da turnê "Nívea Viva Tom Jobim", em que a cantora percorreu o Brasil divulgando a obra e a genialidade deste grande compositor, músico e pianista carioca. Quanto à cantora, Vanessa da Mata nasceu em Alto Garças (MT) e, aos 14 anos, deixou sua cidade natal para se dedicar ao vestibular de medicina e à música. Já em Uberlândia, no ano seguinte, Vanessa faz sua estreia em bares da cidade mineira, cantando um repertório variado que ia de Reggae a MPB. Em 1992, Vanessa deixa Minas e se muda para São Paulo, para ser integrante do grupo feminino Shalla-Bal, este dedicado à música Reggae. Três anos mais tarde, Vanessa integra a banda jamaicana Black Uhuru e o grupo de ritmos regionais Mafuá. Em 1997, Vanessa conhece o cantor Chico César, com quem começa a compor. Uma das suas composições ao lado de Chico César, "A Força Que Nunca Seca" se transformou na primeira grande expressão musical do talento de Vanessa, ao ser escolhida por Maria Bethânia a fazer parte do seu disco gravado em 1999, o qual levou como título a música de Vanessa e Chico. No ano seguinte, a também baiana Daniela Mercury lança o disco "Sol da Liberdade", o qual traz a primeira composição solo de Vanessa, "Viagem". Em 2001, Maria Bethânia lança em seu disco "Maricotinha" a segunda música de seu repertório com a composição de Vanessa da Mata, "O Canto de Dona Sinhá", que conta com a participação de Chico Buarque na versão ao vivo. Neste mesmo ano, Vanessa estreia a parceria com a mineira Ana Carolina, com a música "Me Sento Na Rua", incluída no disco "Ana Rita Joana Iracema e Carolina". Em 2002, Vanessa lança seu primeiro disco pela gravadora Sony BMG, "Vanessa da Mata", o qual alcança grande repercussão com as músicas "Nossa Canção" (Luiz Ayrão) e "Onde Ir" (Vanessa da Mata), integrantes das trilhas sonoras das novelas "Celebridade" e "Esperança", respectivamente. Dois anos depois, Vanessa lança seu segundo disco, "Essa Boneca Tem Manual", sendo este muito bem recebido pela crítica e que trouxe os sucessos de "Ainda Bem" e "Ai ai ai", ambas de Liminha e Vanessa da Mata, "História de Uma Gata", de Chico Buarque, Luis Enriquez Bacalov e Sergio Bardotti, e "Não Chore Homem", da própria autora. Em 2006, a cantora recebe o Prêmio Multishow de Melhor Música com "Ai ai ai", onde a música torna-se a música nacional executada nas rádios e o disco "Essa Boneca Tem Manual" rende à cantora seu primeiro disco de platina. No ano seguinte, Vanessa lança seu terceiro disco, "Sim", o qual trouxe mais um grande sucesso de sua carreira, "Boa Sorte", composta e gravada com o músico estadunidense Ben Harper. Em 2008, Vanessa conquista o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro e o seu segundo Prêmio Multishow de Melhor Música, desta vez com "Boa Sorte". Em 2010, Vanessa lança seu terceiro álbum de estúdio, "Bicicletas, Bolos e Outas Alegrias", que trouxe como destaque as músicas "O Tal Casal", "As Palavras (trilha sonora da novela Morde & Assopra) e "Quando Amanhecer", em parceria com Gilberto Gil. No carnaval de 2012, Vanessa entra na Sapucaí pela Portela homenageando a cantora Clara Nunes, num desfile em homenagem à Bahia. Em fevereiro de 2013, foi confirmada que a segunda edição do projeto Nívea Viva homenagearia o maestro Antonio Carlos Jobim e que a escolhida para cantar as canções de Tom seria Vanessa da Mata. Assim, no primeiro semestre, Vanessa realizou uma turnê por seis capitais brasileiras, com shows gratuitos, divulgando a obra e o talento do mestre Tom Jobim. Em julho, foi lançado o disco com as principais músicas da turnê, o qual é o tema da postagem de hoje. Trata-se de um disco simples, mas genial. Traz uma cantora que mergulhou neste mundo musical criado por Tom Jobim e que conseguiu extrair na essência o que o maestro gostava tanto em sua obra: o Brasil. O Brasil do amor, da natureza, da alegria. E a Vanessa soube muito bem mostrar a todos o seu imenso talento, com a responsabilidade de cantar e encantar a todos com a magia de Tom Jobim. E conseguiu com este disco reunir, sob sua interpretação belíssima, 16 grandes clássicos da música de Tom Jobim. É claro, ficaram de fora inúmeros sucessos do maestro, como "Águas de Março", "Luiza", "Chega de Saudade" (em parceria com Vinicius de Moraes), "Ela É Carioca" (em parceria com Vinicius e Gilbert), entre tantos outros. Mas mesmo assim, o disco é incrível, um registro inesquecível que a matogrossense Vanessa da Mata deixou de sua releitura à obra do eterno maestro Antonio Carlos Jobim.  


1- Caminhos Cruzados (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
2 - Fotografia (Antonio Carlos Jobim)
3 - Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
4 - Este Seu Olhar (Antonio Carlos Jobim)
5 - Chovendo Na Roseira (Antonio Carlos Jobim)
6 - Por Causa de Você (Antonio Carlos Jobim / Dolores Duran)
7 - Eu Sei Que Vou Te Amar (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
8 - Desafinado (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
9 - Sabiá (Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque)
10 - Dindi (Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira)
11 - Wave (Antonio Carlos Jobim)
12 - Só Tinha de Ser Com Você (Antonio Carlos Jobim)
13 - Falando de Amor (Antonio Carlos Jobim)
14 - Samba de Uma Nota Só (Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
15 - Correnteza (Antonio Carlos Jobim / Luiz Bonfá)
16 - Estrada do Sol (Antonio Carlos Jobim / Dolores Duran)

domingo, 27 de outubro de 2013

1969 - Vinicius em Portugal

Oi pessoal! Neste último domingo de outubro, presto uma homenagem a um dos maiores nomes da música e da poesia brasileira. Afinal, se estivesse vivo, nosso querido "poetinha" teria completado no último dia 19 deste mês, 100 anos de vida, boemia e muitas histórias. Nascido no Rio de Janeiro do início do século XX, Vinicius ainda na escola começou a se interessar pela poesia, compondo seus primeiros versos. Aos 14 anos, junto com os amigos Tapajós (os irmãos Paulo, Haroldo e Oswaldo), Vinicius compõe suas primeiras canções, se apresentando com mais alguns amigos da escola em festinhas. Dois anos mais tarde, torna-se bacharel em Letras, entrando para a faculdade de Direito no ano seguinte. Em 1932, Vinicius publica seu primeiro poema, "A Transfiguração da Montanha", na revista "A Ordem", além de ter suas primeiras canções gravadas em disco ("Loura ou Morena" e "Canção da Noite") pelos Irmãos Tapajós, pela gravadora Columbia. No ano seguinte, por incentivo do amigo Otávio de Faria, lança pela editora Schimidt seu primeiro livro de poemas, "O Caminho para a Distância". Em 1933, lança o livro "Forma e Exegese", pela editora Irmãos Pongetti, o qual é elogiado pela crítica, além de receber o prêmio Filipe d'Oliveira e receber comentários positivos do já consagrado poeta Manuel Bandeira. Cinco anos mais tarde, lança seu quarto livro, "Novos Poemas", desta vez pela editora José Olympio, sendo novamente elogiado pela crítica e consolidado como um dos poetas da chamada "Geração de 30". Em 1939, com o início da II Guerra Mundial, Vinicius volta ao Brasil e, esperando o navio no porto de Estoril, escreve um dos poemas mais conhecidos de sua autoria, "Soneto de Fidelidade". Em 1941, inicia os estudos para ingressar na carreira diplomática, também escrevendo para o jornal "A Manhã" como crítico cinematográfico. Dois anos mais tarde, publica pela Irmãos Pongetti seu quinto livro, "Cinco Elegias", que conta com a colaboração de Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria. Em 1946, Vinicius enfim conquista o posto de vice-cônsul em Los Angeles, transferindo-se com a família para os Estados Unidos. No início da década de 1950, retorna ao Brasil, trabalhando no jornal "A Última Hora" como cronista e crítico de cinema. Em 1954, sua peça "Orfeu da Conceição" é premiada no concurso de teatro do IV Centenário da Cidade de São Paulo, além de lançar no Brasil sua "Antologia Poética", pela editora "A Noite". Dois anos mais tarde, inicia no Brasil as encenações de sua peça "Orfeu da Conceição" e, em 1957, é transferido para a embaixada brasileira de Montevidéu, lançando neste período no Brasil seu "Livro de Sonetos". Nos anos seguintes, sua parceria com Tom Jobim é levada aos quatro cantos do mundo após a explosão da Bossa Nova, movimento este que teria como pilar central a música de Tom e Vinicius. No início da década de 1960, Vinicius se lança na música brasileira, com novos parceiros musicais como Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden Powell, Francis Hime, entre outros, lançando seu primeiro disco solo "Vinicius", pela gravadora Elenco. Em 1965, do I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior, Vinicius recebe o primeiro lugar com "Arrastão", composta com Edu Lobo, após a interpretação bombástica de Elis Regina, e o segundo lugar com "Valsa do Amor Que Não Vem", composta com Baden Powell, na interpretação emocionada de Elizeth Cardoso. No ano seguinte, Vinicius lança pelo selo Forma o antológico disco "Os Afro-sambas", com o amigo Baden Powell, misturando a música do poeta, o violão do parceiro e a influência dos ritmos do candomblé. Em 1968, Vinicius perde sua mãe, dona Lydia de Moraes e, após a instauração do AI*5 pelo então presidente Costa e Silva, perde também seu cargo no Itamaraty. No ano seguinte, dedica-se a shows que levaram o poeta a Salvador, Montevidéu e Lisboa. E em Lisboa, em plena livraria Quadrante, Vinicius realiza um recital de poesia, o qual é gravado e lançado no Brasil no final de 1969, pelo selo Festa, disco este que é tema da postagem de hoje. Deste disco recheado de poemas, destaco "A Uma Mulher", "Soneto a Katherine Mansfield", o qual inspirou o poeta Manuel Bandeira a compor uma série de sonetos que há muito não o fazia, "O Desespero da Piedade", "Soneto de Intimidade", "Quarto Soneto de Meditação" e "Ternura". Um recital interessante, que nos traz um pouco do poeta Vinicius em suas várias fases, desde seu primeiro livro, "O Caminho para a Distância", em que o próprio poeta o define como "imaturo, mas bem saudado pela crítica, onde o poeta se encontra nos seus mais verdes anos", até seus últimos trabalhos poéticos. Este recital consiste numa antologia, realizada pelo próprio poeta, e que traz aos que não conheceram a boêmia de Vinicius, o próprio autor declamando suas obras, com sua voz, seu sentimento. Um documento único, que leva à posteridade a preciosidade da obra, selecionada pelo próprio Vinicius, do poeta, diplomata, cineasta e compositor brasileiro, que se estivesse vivo, completaria neste mês um século de alegria, boemia e, é claro, muita poesia.

1 - A Uma Mulher
2 - A Volta da Mulher Morena
3 - Soneto de Intimidade
4 - Soneto a Katherine Mansfield
5 - Ternura
6 - O Falso Mendigo
7 - O Desespero da Piedade
8 - Quarto Soneto de Meditação
9 - Cântico
10 - Sob o Trópico de Câncer

domingo, 6 de outubro de 2013

1964 - Tudo de Mim - Nelson Gonçalves

Oi pessoal! Nesta sexta-feira, trago aqui no Blog mais um disco do gaúcho Nelson Gonçalves. Dono de uma voz única, característica, Nelson Gonçalves se mudou ainda criança para São Paulo, trabalhando na adolescência de engraxate, jornaleiro, mecânico, polidor, tamanqueiro e lutador de boxe, tornando-se aos dezesseis anos campeão paulista, na categoria peso-médio. Mesmo sendo gago (o que lhe originou o apelido "metralha"), Nelson insistiu no sonho de ser cantor, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1939 em busca deste sonho. Já no Rio, participou de inúmeros programas de calouros, sendo até aconselhado por Ary Barroso a desistir de seu sonho, diante das reprovações. Em 1941, após quase dois anos de tentativas sem sucesso, conseguiu gravar seu primeiro disco, pela Victor, sendo este 78RPM bem recebido pelo público e pela crítica. Nesta época, foi convidado a ser crooner Casino Copacabana (estabelecido no Hotel Copacabana Palace), assinando um contrato com a Rádio Mayrink Veiga e iniciando uma carreira de sucesso no rádio, inspirando-se nos já consagrados Francisco Alves e Orlando Silva. Durante as décadas de 1940 e 1950 grava inúmeros sucessos, como "A Última Seresta" (Adelino Moreira / Sebastião Santana), "Maria Bethânia" (Capiba), "Caminhemos" (Herivelto Martins), "Meu Vício É Você" (Adelino Moreira) e "A Volta do Boêmio" (Adelino Moreira), esta última considerada o seu maior sucesso e que lhe conferiu a alcunha de "Boêmio". Em 1952, casa-se com Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no célebre Trio de Ouro, ficando juntos até 1959. Nesta época, o cantor se envolve com as drogas, fato este que quase levou ao final de sua carreira e sua vida, chegando a ser preso em flagrante, em meados de 1965. Com o apoio da família e amigos, deu a volta por cima, retomou sua brilhante carreira de sucesso e reconquistou o público que há tanto o admirava. Este disco, por sua vez, embora tenha sido lançado nesta fase triste da vida de Nelson, traz em seu repertório verdadeiras jóias musicais, com destaque especial para "Risque", imortalizada por Linda Batista, "Cadeira Vazia", uma das mais conhecidas letras de Lupicínio Rodrigues, "Dora", composição do mais baiano dos compositores, Dorival Caymmi, "Folha Morta" e "Ave Maria", grandes sucessos na voz de Dalva de Oliveira, "Da Cor do Pecado", "Tudo de Mim", que dá nome ao disco, "Cabelos Brancos", registrada em disco de Silvio Caldas, com mesmo nome, "Nossa Comédia" e "A Mesma Rosa Amarela". Um disco interessante, pela história e importância que cada uma das faixas representa para a história de nossa música brasileira, interpretadas pelo Rei do Rádio, uma das maiores vozes que o Brasil já teve e tem orgulho de se lembrar, ouvir e se emocionar: o eterno Nelson Gonçalves.

01 – Risque (Ary Barroso)
02 – Da Cor do Pecado (Bororó)
03 – Tudo de Mim (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
04 – Nossa Comédia (Custódio Mesquita / Evaldo Ruy)
05 – Cadeira Vazia (Lupicínio Rodrigues / Alcides Gonçalves)
06 – Dora (Dorival Caymmi)
07 – Folha Morta (Ary Barroso)
08 – Cabelos Brancos (Herivelto Martins / Marino Pinto)
09 – Ave Maria (Vicente Paiva / Jayme Redondo)
10 – Sinto-me Bem (Ataulfo Alves)
11 – Noite Cheia De Estrelas (Cândido das Neves)
12 – A Mesma Rosa Amarela (Capiba e Carlos Pena Filho)