quarta-feira, 11 de março de 2015

1958 - Vamos Falar de Brasil - Inezita Barroso

Oi pessoal! É com eterna saudade que faço aqui no Blog uma singela homenagem à cantora Inezita Barroso, que nos deixou no último dia 8 de março, e que fez da música caipira sua vida, seja em suas músicas ou em entrevistas no lendário "Viola, Minha Viola", programa que apresentou por quase 35 anos na Tv Cultura nos domingos de manhã. Sua carreira teve início aos nove anos de idade, levada pelo pai a se apresentar na Rádio São Paulo no programa do Capitão Furtado. Nos anos seguintes, continuou a se apresentar esporadicamente em programas de rádio, cantando, tocando ou como professora de música. Em 1950, após participar como atriz do filme "Angela", de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida (cantando as músicas "Quem É", de Marcelo Tupinambá, e "Enquanto Houver", de Evaldo Ruy), foi convidada por Vicente Leporace e Evaldo Ruy para participar de um especial na Rádio Bandeirantes, em homenagem ao compositor Noel Rosa. Em 1951, Inezita foi convidada a gravar seu primeiro disco pela Sinter, com as músicas "Funeral De Um Rei Nagô", de Hekel Tavares e Murilo Araújo, e "Curupira", de Waldemar Henrique. Em seguida, viajou com o marido para o nordeste brasileiro, onde conheceu o compositor Capiba, que a convidou para realizar um recital no teatro Santa Izabel, em Recife. No ano seguinte, Inezita assina contrato com a Rádio Nacional de São Paulo, participando da inauguração da emissora. Um ano mais tarde, muda-se para a Rádio Record, apresentando pela primeira vez um programa de auditório, com arranjos de Hervê Cordovil, além de ingressar na gravadora RCA Victor. Ainda em 1953, gravou três discos pela nova gravadora, com destaque para a gravação de dois dos maiores sucessos da carreira de Inezita, "Marvada Pinga", de Cunha Jr., e "Ronda", de Paulo Vanzolini, além de participar do filme "Mulher de Verdade", de Alberto Cavalcanti, ganhando após o lançamento deste o Prêmio Saci de melhor atriz. Em 1954, gravou mais quatro discos pela RCA Victor, além de conquistar os prêmios Roquette Pinto (melhor cantora de rádio de música popular brasileira) e Guarani (melhor cantora de disco), participar do filme "É Proibido Beijar", de Ugo Lombardi (interpretando o baião "João Baiano", de Betinho), e de fazer sua estréia na televisão participando do programa "Afro" pela Tv Tupi. A partir deste mesmo ano, passou a apresentar o programa "Vamos Falar de Brasil" na Tv Record, considerado o primeiro programa totalmente dedicado à música da Tv brasileira. No ano seguinte, Inezita gravou diversas músicas com temas relacionados ao folclore brasileiro, ingressando na gravadora Copacabana ainda em 1955 e lançando seu primeiro LP, "Inezita Barroso". Em 1956, lançou o disco "Danças Gaúchas", dedicado a temas tradicionais gaúchos, acompanhada pelo grupo folclórico de Barbosa Lessa, por Luis Gaúcho na sanfona e pelos Titulares do Ritmo no coral, além do LP "Vamos Falar de Brasil", o qual trouxe o clássico "Tristeza do Jeca" (Angelino Oliveira) na interpretação antológica de Inezita. Neste mesmo ano, a gravadora RCA Victor lançou o LP "Coisas do Meu Brasil", com uma coletânea de antigas gravações de Inezita, como "Estatutos da Gafieira" (Billy Blanco) e "Moda da Pinga", entre outras. Também neste ano levou o Prêmio Roquette Pinto como a melhor intérprete de música popular, além de publicar o livro "Roteiros de Um Violão". No ano seguinte, Inezita excursionou pelo Brasil, aumentando seu repertório com novos temas folclóricos ao percorrer o nordeste brasileiro, além de ganhar mais uma vez o troféu Roquette Pinto e o Prêmio Guarani. Finalmente, em 1958, é lançado pela Copacabana o disco que é tema da postagem de hoje. Além de trazer o sucesso de "Moda da Pinga", o disco trás ainda os sucessos de "Lampião de Gás" e "Azulão", dois dos maiores sucessos da carreira da cantora, além de. Este disco, lançado numa das melhores fases da carreira da cantora Inezita, nos mostra o talento de uma intérprete que imprime às suas canções a força da música popular, como em "Peixe Vivo", "Festa do Congado", "Engenho Novo" e "Lua, Luá". Um disco fantástico, que nos fala de um Brasil simples, um pouco esquecido nos dias de hoje, que nos é lembrado e cantado na voz da nossa eterna dama da música caipira, aqui reverenciada e homenageada, para sempre, Inezita Barroso.

1 - Retiradas (Oswaldo de Souza)
2 - Peixe Vivo (Rômulo Paes / Henrique de Almeida)
3 - Engenho Novo (Hekel Tavares)
4 - Zabumba de Nego (Hervê Cordovil)
5 - Lampião de Gás (Zica Bergami)
6 - Ismália (Alphonsus de Guimarães / Capiba)
7 - Festa do Congado (Juracy Silveira)
8 - Temporal (Paulo Ruschel)
9 - Lua, Luá (Catulo de Paula)
10 - Azulão (Jayme Ovalle / Manoel Bandeira)
11 - Seresta (Georgina Erismann)
12 - Moda da Pinga (Laureano / Raul Torres)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

1957 - Carnaval de Rua - Herivelto Martins

Oi pessoal! Depois de mais de 2 meses de ausência, segue uma preciosidade de nossa música brasileira, nos apresentada pelo grande e saudoso compositor de "Aquarela do Brasil", Ary Barroso: "Carnaval de Rua". Gravado em homenagem aos 25 anos de carreira de Herivelto Martins pela Mocambo, este disco nos traz alguns dos principais sucessos da carreira de Herivelto até então. Incentivado pelo compositor carioca Príncipe Pretinho, Herivelto iniciou sua carreira musical participando de ensaios e, posteriormente, integrando como arranjador do Conjunto Tupi. Sua primeira composição, "Da Cor do Meu Violão", foi apresentada ao músico J. B. de Carvalho (um dos criadores do Conjunto Tupi), o qual aceitou que fosse gravado para o carnaval de 1932, desde que fosse seu parceiro na canção. No ano seguinte, participou no coro e de algumas gravações do Conjunto Tupi, até que no final deste ano se separou do conjunto com o músico Francisco Sena, formando a dupla Preto e Branco, que viria a substituir o conjunto nas apresentações no Cine Odeon, na Cinédia. Em 1934, com Francisco de Sena grava o primeiro disco da dupla preto e branco pela Odeon, com os sambas "Quatro Horas" e "Preto e Branco", ambos de sua autoria. Ainda neste ano, foram gravadas em disco algumas canções da dupla, com destaque para "A Vida É Boa" (Herivelto Martins / Francisco Sena / Assis Valente), gravada por Carlos Galhardo, e "Mais Uma Estrela" (Herivelto Martins / Bonfíglio de Oliveira), gravada por Mário Reis. No ano seguinte, mais algumas músicas suas foram gravadas por cantores de destaque, como Aracy de Almeida ("Pedindo A São João", com Darcy de Oliveira, e "Santo Antônio, São Pedro e São João", com Alcebíades Barcelos), Silvio Caldas ("Samaritana", com Benedito Lacerda) e Carlos Galhardo ("É de Verdade", com Bonfíglio de Oliveira) e, repentinamente, com a morte de Francisco Sena, a dupla se desfez. No ano seguinte, Herivelto conhece Nilo Chagas, com quem recria a dupla Preto e Branco e que retoma a carreira de sucesso que estava iniciando. Em 1937, numa das apresentações da dupla no Teatro Pátria, conheceu Dalva de Oliveira, que se tornaria a grande intérprete da dupla, formando assim o famoso Trio de Ouro, e futuramente, sua esposa. Já no primeiro disco gravado pela RCA Victor do então Trio de Ouro, com as músicas "Itaquari" e "Ceci e Peri" (composições de Príncipe Pretinho) fizeram grande sucesso, sendo contratados pela Rádio Mayrink Veiga. Nos anos seguintes, o trio continuou se apresentando pelo país e pelo rádio, emplacando sucessos e gravando discos, com destaque para "Praça Onze" (escrita por Herivelto a pedido de Grande Otelo, sobre a demolição da antiga Praça XI para dar lugar à atual Avenida Presidente Vargas), um dos grandes do carnaval de 1941, "Ave-Maria No Morro", gravada originalmente em 1942 e que se transformou num dos maiores sucessos do compositor, "Lá Em Mangueira" (com Heitor dos Prazeres), "Mangueira, Não" (com Grande Otelo), "Laurindo", todos os três de 1943, além de "Que Rei Sou Eu?" (com Waldemar Ressurreição), de 1944, "Isaura" (com Roberto Roberti), de 1945, "Edredom Vermelho" (gravado com grande sucesso por Isaura Garcia) e "Fala, Claudionor" (com Grande Otelo), ambas de 1946, "Segredo" (com Marino Pinto), "Senhor do Bonfim" e "Caminhemos", todas as três de 1947.Esta última, sendo considerada um prenúncio à separação de Dalva e Herivelto e o fim do Trio de Ouro com a formação original. No ano seguinte, veio o último sucesso do Trio de Ouro, com a música "Cabelos Brancos" (em parceria com Marino Pinto), imortalizada nas vozes de Silvio Caldas, Nelson Gonçalves e 4 Ases e 1 Curinga. No ano seguinte, Dalva e Herivelto se separam e a história da separação do casal vira drama nos jornais, contada pelo marido em detalhes, tornando-se escândalo nacional. Depois deste episódio, o prestígio de Herivelto é diminuído e Dalva de Oliveira torna-se uma das maiores cantoras que este país já viu e ouviu, seguindo carreira solo e respondendo às acusações de Herivelto em lindas canções e grandes sucessos. Mesmo com o relançamento do Trio de Ouro, com Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti, o sucesso do grupo não continuou como na primeira formação, porém ainda continuaram os sucessos, como "Ouro Preto" e "Camisola do Dia", ambos com David Nasser, sendo este último lançado por Nelson Gonçalves em 1952. No ano seguinte, veio a terceira formação do Trio de Ouro, com Raul Sampaio e Lourdinha Bittencourt, com o sucesso de "Negro Telefone", além das canções "Pensando Em Ti", "Francisco Alves" e "Carlos Gardel", todas com David Nasser, e que foram lançadas com grande sucesso por Nelson Gonçalves. Em 1955, veio o sucesso "Hoje Quem Paga Sou Eu", também com David Nasser e lançado por Nelson, além de "João, João", gravado pelo trio e "Boêmio", lançado por Francisco Carlos. Em 1957, em homenagem aos 25 anos de sua carreira, é lançado pela Mocambo o disco tema da postagem de hoje. Apesar do pouco prestígio do Trio de Ouro na época, Herivelto ainda lançava músicas de grande sucesso, nas vozes dos mais famosos cantores da época e, por sua história e importância para a música brasileira, esta homenagem foi idealizada e gravada pela orquestra da Mocambo, trazendo oito sambas que expressam toda a originalidade de Herivelto em suas letras leves, simples e musicais, cantando um Rio de Janeiro do tempo dos saudosos e velhos carnavais. Um disco importante, de um belíssimo repertório, homenageando os 25 anos de um de nossos maiores compositores brasileiros.       

1 - Apresentação De Ary Barroso
2 - Saudosa Mangueira (Herivelto Martins)
3 - Lá Em Mangueira (Herivelto Martins / Heitor dos Prazeres)
4 - Laurindo (Herivelto Martins)
5 - Mangueira, Não (Herivelto Martins / Grande Otelo)
6 - Acorda Escola De Samba (Herivelto Martins / Benedito Lacerda)
7 - Praça Onze (Herivelto Martins / Grande Otelo)
8 - Noite Enluarada (Herivelto Martins / Heitor dos Prazeres)
9 - Bom Dia Avenida (Herivelto Martins / Grande Otelo)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

1962 - The Boss Of The Bossa Nova - João Gilberto

Oi pessoal! Nesta terça-feira chuvosa, trago aqui no Blog mais um disco do baiano João Gilberto. Aos 19 anos, se muda para o Rio de Janeiro, onde integra o conjunto vocal Garotos da Lua, como crooner do grupo. Em 1951, com o grupo Garotos da Lua, lançou seus dois primeiros discos, pela gravadora Todamérica, com as músicas "Anjo Cruel" (Wilson Batista / Alberto Rego), "Sem Ela" (Raul Marques / Alberto Ribeiro), "Quando Você Recordar"  (Walter Souza / Milton Silva) e "Amar É Bom" (Zé Ketti / Walter Abdalla). No ano seguinte, grava seu primeiro disco solo pela Copacabana, com as músicas "Quando Ela Sai" (Alberto Jesus / Roberto Penteado) e "Meia Luz" (Hianto de Almeida / João Luiz). Em 1953, a cantora Marisa (mais tarde conhecida nacionalmente como Marisa Gata Mansa) , gravou em seu primeiro disco a música "Você Esteve Com Meu Bem", primeira composição de João Gilberto gravada em disco pela RCA Victor. Após passagens rápidas por grupos e conjuntos musicais da época, como Quitandinha Serenaders e Anjos do Inferno, João se mudou para o Rio de Janeiro em 1957, onde costumava frequentar a Boate Plaza, lugar onde se encontravam vários músicos que idealizavam um novo conceito musical, o qual se tornaria o movimento Bossa Nova anos mais tarde. No ano seguinte, participou da gravação do disco "Canção do Amor Demais", de Elizete Cardoso, acompanhando a cantora ao violão nas músicas "Chega de Saudade" (Tom Jobim / Vinicius de Moraes) e "Outra Vez" (Tom Jobim), além de gravar seu primeiro disco solo, desta vez pela Odeon, com as músicas "Chega de Saudade" e "Bim Bom" (João Gilberto). Este disco, gravado sem nenhuma pretensão por João Gilberto, tornou-se um dos marcos iniciais do movimento que viria a revolucionar a música brasileira nos anos seguintes - a Bossa Nova -, devido à interpretação intimista e da nova batida no violão. Em 1959, gravou mais um disco pela Odeon, com as músicas "Desafinado" (Tom Jobim / Newton Mendonça) e "Oba-La-Lá" (João Gilberto) e, com o grande sucesso, foi convidado ainda neste mesmo ano a gravar o LP "Chega de Saudade", com produção de Aloysio de Oliveira e arranjos de Tom Jobim. Estes dois discos emblemáticos tornaram-se marcos iniciais da Bossa Nova, lançando ao mundo a interpretação intimista do violão de João Gilberto e as letras e canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Ainda no final deste ano, João Gilberto gravou pela Odeon seu primeiro LP, intitulado "Chega de Saudade", que continha, além das gravações do seu primeiro disco solo, imortalizados sucessos da Bossa Nova, como "Desafinado" (Tom Jobim / Newton Mendonça), "Lobo Bobo" (Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli), "Saudade Fez Um Samba" (Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli) e "Brigas, Nunca Mais" (Tom Jobim / Vinicius de Moraes). Em 1960, foi lançado seu segundo LP (também pela Odeon), intitulado "O Amor, O Sorriso E A Flor", com destaque especial para a música "Samba de Uma Nota Só" (Tom Jobim / Newton Mendonça) que se transformou numa das principais canções do movimento. Ainda neste ano, participou de alguns shows pelo Brasil, como no Teatro de Arena (RJ), com o título "O Amor, O Sorriso E A Flor", além de se apresentar na boate Arpège (RJ) e na Associação Atlética Banco do Brasil, em Salvador, ao lado de Vinicius de Moraes. Em 1961, grava no Brasil pela Odeon seu terceiro LP, "João Gilberto", o qual foi lançado nos EUA no ano seguinte com o título "The Boss Of The Bossa Nova", porém com a regravação da música "Este Seu Olhar". Este disco, tema da postagem de hoje, lançado pelo selo Atlantic, nos traz os sucessos de "Samba da Minha Terra", "O Barquinho", "Este Seu Olhar", "Você E Eu", "Insensatez", "Bolinha de Papel", A Primeira Vez", "Saudade da Bahia" e "Amor Em Paz", na interpretação única de João Gilberto, seu violão e muita Bossa Nova. Um disco fantástico, que dispensa comentários não só pela sua história, como também pela sua altíssima qualidade musical (letras, arranjos, repertório e interpretação), que nos transporta à esta época mágica de nossa música brasileira.

1 - Bolinha de Papel (Geraldo Pereira)
2 - Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi)
3 - Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)
4 - O Barquinho (Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)
5 - A Primeira Vez (Armando Marçal / Alcebíades Barcellos)
6 - Amor Em Paz (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
7 - Você E Eu (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
8 - Insensatez (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
9 - Trenzinho (Lauro Maia)
10 - Presente de Natal (Neley Noronha)
11 - Coisa Mais Linda (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
12 - Este Seu Olhar (Tom Jobim)

domingo, 2 de novembro de 2014

1966 - O Samba Vem Lá de Cima - Angela Maria

Oi pessoal! Neste domingo de finados, trago aqui no Blog mais um disco de uma das maiores cantoras da história de nossa música brasileira, a carioca Abelim Maria da Cunha, conhecida popularmente como Angela Maria (pseudônimo usado desde o início da carreira para que a família não descobrisse sua carreira de cantora). Com uma carreira belíssima de mais de 60 anos de muitas histórias, sucessos e discos, Angela Maria iniciou sua carreira cantando em rádios no Rio de Janeiro no fim dos anos 40. Em 1951, gravou seu primeiro disco pela RCA Victor, com as músicas "Sou Feliz", de Augusto Mesquita e Ari Monteiro, e "Quando Alguém Vai Embora", de Cyro Monteiro e Dias da Cruz. Com a gravação do samba "Não Tenho Você", de Paulo Marques e Ari Monteiro, bateu recorde de vendas, iniciando em sua carreira um caminho de enorme sucesso. Durante os anos 50, Angela Maria tornou-se um dos expoentes máximos de nossa música brasileira através das ondas do rádio, eleita Rainha do Rádio em 1954 (com 1.464.906 votos), um dos maiores prêmios (senão, o maior) da época para as melhores cantoras do ano, sendo noticiado pelo jornal "O Globo" da seguinte forma: "Ângela Maria assinalando uma apuração recorde de mais de um milhão de votos, inegavelmente a mais popular cantora do nosso broadcasting neste último ano, sagrou-se a Rainha do Rádio de 1954. A coroação da soberana terá lugar na próxima terça-feira, por ocasião do Baile do Rádio, a ser realizado no Teatro João Caetano". Três anos depois, Angela lançou um dos seus maiores sucessos, "Babalú" (de Margarita Lecuona), gravado posteriormente num 78 rpm pela Copacabana, que trazia do outro lado do disco a música "O Samba E O Tango" (de Amado Régis). Ainda nesta época, ganhou o apelido "sapoti" do então presidente Getúlio Vargas: "Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti". No início da década de 1960, com o advento de novos movimentos musicais e cantores no cenário musical, a música e as cantoras da era de ouro do rádio foram ficando esquecidas pelo grande público, principalmente pela juventude. Contudo, Angela Maria continuou fazendo sucesso com suas músicas e canções, principalmente entre o povo mais humilde e sua legião de fãs e admiradores. E é neste cenário que o disco "O Samba Vem Lá de Cima", gravado em 1966 pela Copacabana, traz doze sambas marcados pela interpretação belíssima e marcante de Angela Maria, com destaque para "Boêmio Na Calçada", "Janela", "Fogo No Morro", "Minha Saudade", "Prece A Um Anjo De Cor", "Palmas No Portão", "Menina, Quem Foi Seu Mestre" e "Saudade", além de "Madrugada", do sambista carioca Zé Ketti. Apesar de não ter sido lançado na fase áurea de Angela Maria, este LP traz grandes sambas, interpretados de forma brilhante pela sapoti, mostrando o seu talento ao povo que, um dia, a elegeu rainha, e que nunca se esquecerá de sua majestade. Viva, Angela Maria!!!


1 - Fogo No Morro (José Batista / Monsueto)
2 - Madrugada (Zé Ketti)
3 - Janela (Jota Junior)
4 - Saudade (Nilo Viana / Roberto Nunes / Paulo Filho)
5 - Boêmio Na Calçada (Rubens Campos / Waldemar Silva)
6 - Minha Saudade (Benil Santos / Raul Sampaio)
7 - Menina, Quem Foi Seu Mestre (Erasmo Silva)
8 - Palmas No Portão (Walter Dionísio / D'Acri Luiz)
9 - Prece A Um Anjo De Cor (Carlos Cruz / Fernando César)
10 - João Ninguém (F. Martins / A. Maciel)
11 - Agora Sei (José Garcia / Laurindo do Cabuçu)
12 - Aquele Meu Lugar (Raul Marques / Estanislau Silva / Monsueto)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

1958 - Descendo O Morro - Roberto Silva

Oi pessoal! Nesta quinta-feira, posto aqui no Blog mais um disco em homenagem a um cantor pouco lembrado pelo grande público nos dias de hoje e que, infelizmente, deixou a nossa música brasileira mais vazia com sua morte há pouco mais de dois anos. Trata-se do carioca Roberto Silva, que dedicou mais de 60 anos de carreira à música brasileira, em especial ao samba. Desde o final da década de 1930, Roberto Silva começou a freqüentar e participar de alguns dos principais programas de rádio da época, sendo contratado pela Rádio Mauá em 1943 após cantar a música "Risoleta" (Raul Marques / Moacyr Bernardino). Três anos depois, bancado pelos autores das músicas, gravou seu primeiro disco pela Continental, com as músicas "Ele É Esquisito", de Walter Rodrigues, e "O Errado Sou Eu", de Djalma Mafra. Ainda neste mesmo ano, ingressou na Rádio Nacional, levado por Evaldo Rui e Haroldo Barbosa. Ainda na década de 1940, foi levado para a Tv Tupi por Paulo Gracindo, para participar do elenco da rádio, sendo batizado pelo locutor Carlos José como "o Príncipe do Samba", apelido este que levaria por toda a sua vida. Em 1947, foi contratado pela gravadora Star (que em 1953 se transformaria na gravadora Copacabana), onde gravou por mais de 30 anos todos os maiores sucessos de sua carreira. No ano seguinte, lançou seu primeiro sucesso com a música "Maria Teresa", de Altamiro Carrilho. Nos anos seguintes, continuou a gravar inúmeros sambas, com destaque para "Mandei Fazer Um Patuá", de Raimundo Olavo e Norberto Martins (1948), "Perdi Você", de Raimundo Olavo e Silva Jr. (1954), "Mãe Solteira", de Wilson Batista e Jorge de Castro (1954), "Notícia", de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Norival Reis (1955), "Samba Rubro-Negro", de Wilson Batista e Jorge de Castro (1955) e "Emília", de Wilson Batista e Haroldo Lobo (1957). No ano seguinte, Roberto lançou seu primeiro LP, "Descendo o Morro...", o qual teria sua continuação com mais três LP's, e que é o tema da postagem de hoje. Lançado pela Copacabana, o disco traz doze sambas de altíssimo nível, com destaque para as músicas "Ai! Que Saudades da Amélia" (como nota, para mim esta é uma das melhores interpretações desta música que já ouvi até hoje), "Risoleta", "Juracy", "Falsa Baiana", "A Voz do Morro", "Agora É Cinza", "Emília", "Indecisão" e "Seu Libório. Um disco sensacional, que traz o melhor do samba da época, de autores referenciados, consagrados, na interpretação leve, alegre, no estilo sincopado e marcado de Roberto Silva. Considerado príncipe não por acaso, com o dom de transformar grandes sambas em verdadeiras jóias do samba de morro e da música brasileira.

1 - Indecisão ( Aylce Chaves / Paulo Marques)
2 - Risoleta (Raul Marques / Moacyr Bernardino)
3 - Juracy (Antônio Almeida / Cyro de Souza)
4 - A Mulher de Seu Oscar (Ataulfo Alves / Wilson Batista)
5 - Seu Libório (Alberto Ribeiro / João de Barro)
6 - Agora É Cinza (Marçal / Bide)
7 - Pisei No Despacho (Geraldo Pereira)
8 - Ai! Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago)
9 - Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
10 - Emília (Haroldo Lobo / Wilson Batista)
11 - Bebida, Mulher, Orgia (Manoel Rabaça / Luiz Pimentel / Anis Murad)
12 - A Voz do Morro (Zé Ketti)

sábado, 27 de setembro de 2014

1961 - Miltinho

Oi pessoal! Depois de mais de três meses de ausência, volto com mais uma homenagem a um grande cantor brasileiro que infelizmente nos deixou no último aniversário da independência, aos 86 anos de idade. Trata-se do cantor e instrumentista Miltinho, que durante os anos 1960 fez grande sucesso como cantor de sambas e canções românticas. Carioca de samba e nascimento, Miltinho ingressou na música na década de 1940 ao participar como instrumentista e vocalista de diversos conjuntos musicais, com destaque para Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do Inferno (grupo que fez enorme sucesso nos EUA acompanhando a cantora Carmen Miranda), Quatro Ases e Um Coringa, Orquestra Tabajara e Milionários do Ritmo. Em 1960, lançou-se em carreira solo com dois velhos discos 78 RPM pela gravadora Sideral, com as músicas "Menina Moça", "Ri", "Eu E O Rio" e "Mulher de Trinta", todas de autoria do compositor carioca Luiz Antonio. Dentre estas quatro, destaca-se "Mulher de Trinta", que tornou-se um grande sucesso e um dos maiores de sua carreira, o que motivou o lançamento de seus primeiros LP's, também pela Sideral, "O Diploma do Astro" e "Um Novo Astro", gravados ainda no mesmo ano de 1960. No ano seguinte, gravou mais dois velhos 78 RPM com as músicas "Poema das Mãos", "Poema do Adeus" e "A Canção Que Virou Você", as três de Luiz Antonio, e "Só Vou de Mulher" (Haroldo Barbosa / Luis Reis). Neste mesmo ano, gravou o disco "Miltinho", o terceiro LP de sua carreira solo, pela gravadora RCA Victor, o qual é o tema da postagem de hoje. Apesar de ter se lançado em carreira independente menos de um ano antes do lançamento deste disco, as doze músicas mostram um cantor já experiente, com um talento sem igual ao cantar sambas, com em "Teleco-Teco Nº 2", "O Amor E A Rosa", "Eu Quero Um Samba", "Murmúrio", "Samba Em Tu", "Se Você Disser Que Sim" e "Sincopado Triste". Destaque para "Rosa Morena", um dos maiores sucessos do baiano Dorival Caymmi, na genial interpretação de Miltinho, que na minha opinião é uma das melhores já gravadas até hoje. Um disco completo, repleto de grandes sambas, com o estilo e o talento inconfundível de Miltinho.       

1 - Murmúrio (Djalma Ferreira / Luiz Antonio)
2 - Eu Quero Um Samba (Haroldo Barbosa / Janet de Oliveira)
3 - Se Foi Passado (William Duba / A. Louro / L. Rodrigues)
4 - A Dor de Uma Saudade (Luiz Bonfá / Aor Ribeiro)
5 - Samba Em Tu (Hianto de Almeida / Macedo Neto)
6 - Sincopado Triste (Hianto de Almeida / Macedo Neto)
7 - Volta (Djalma Ferreira / Luiz Bandeira)
8 - Se Você Disser Que Sim (Luiz Bandeira)
9 - Vou Te Contar (Hianto de Almeida / Otávio Teixeira)
10 - O Amor E A Rosa (Pernambuco / Antonio Maria)
11 - Rosa Morena (Dorival Caymmi)
12 - Teleco-Teco Nº 2 (Nelsinho / Oldemar Magalhães)

domingo, 8 de junho de 2014

1966 - O Sorriso de Jair

Oi pessoal! Neste último dia 8 de junho lembramos com saudade do cantor Jair Rodrigues, que nos deixou há um mês atrás, deixando órfãos seus fãs e admiradores de sua alegria, seu talento e sua carreira de mais de 50 anos de muitos sucessos. Nascido em Igarapava, interior de São Paulo em 6 de fevereiro de 1939, Jair Rodrigues iniciou sua carreira aos dezoito anos, cantando como crooner em casas noturnas no interior de São Paulo. No início dos anos 1960, se mudou para a capital paulista, participando de programas de calouros, com destaque para o "Programa de Claúdio de Luna", apresentado pela Rádio Cultura, no qual obteve o primeiro lugar. Dois anos mais tarde, Jair grava seu primeiro disco, um 78 rpm, com duas músicas para a Copa do Mundo daquele ano: "Brasil Sensacional" e "Marechal da Vitória", ambas de Alfredo Borba e Edson Borges, sendo a segunda muito tocada na Rádio Record na época. Lançou entre 1962/63 alguns outros discos, como os velhos bolachões "Tem Bobo Pra Tudo" (João Correa da Silva / Manoel Brigadeiro) e "O Morro Não Tem Vez" (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes), este com Portinho e sua orquestra, e "Brigamos" (Jorge Costa / Nairson Menezes) e "Feio Não É Bonito" (Carlos Lyra / Gianfrancesco Guarnieri), e compactos simples, dentre os quais merece destaque o disquinho "Balada do Homem Sem Deus", de Fernando César e Agostinho dos Santos, e "Coincidência", de Venâncio e Corumba. No início de 1964, Jair lança seu primeiro long-play, "O Samba Como Ele É", pela gravadora Philips, a qual o acompanharia por quase 20 anos de carreira. Neste mesmo ano, o samba "Deixa Isso Pra Lá", de Alberto Paz e Edson Menezes, interpretado com a gesticulação característica de Jair, tornou-se seu primeiro grande sucesso, alcançando repercussão nacional e grande popularidade, sendo gravado no long-play "Vou de Samba Com Você" e lançado no final de 1964. Atualmente, esta música é considerada a precursora do "rap" nacional, por seu refrão "falado". No início de 1965, Jair foi convidado a participar do programa "Almoço com as Estrelas", apresentado por Airton e Lolita Rodrigues na Tv Tupi, onde conheceu a então estreante cantora gaúcha Elis Regina, que se tornaria uma grande parceira musical e sua grande amiga. Neste mesmo ano, Elis foi convidada por Walter Silva para fazer um espetáculo no Teatro Paramount, em São Paulo, juntamente com Wilson Simonal e o Zimbo Trio. Porém, como o Simonal e o Zimbo Trio já tinham fechado um contrato para uma excursão internacional com a Rhodia, Walter Silva convidou para o lugar deles ao lado de Elis o Jongo Trio e o violonista Baden Powell, que já havia viagem marcada para a Alemanha e não podia participar. E, para o lugar do compositor carioca, Walter Silva convidou Jair Rodrigues, que estava se apresentando com sucesso na Boate Cave, aceitando, assim, o convite. O espetáculo, marcado para os dias 9, 10 e 11 de abril de 1965 transformou-se num imenso sucesso de público e crítica, projetando a carreia de ambos no cenário musical da época. Logo após a seqüência de shows, Elis se apresentou na final do I Festival de Música Brasileira, conquistando o primeiro lugar com a música "Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, transformando-se num dos ícones da música brasileira. E a partir daí, foi contratada pela Tv Record, juntamente com Jair Rodrigues e o Zimbo Trio, para apresentar o programa "O Fino da Bossa", o qual rendeu aos dois sucesso e reconhecimento do público nacional e internacionalmente. No final de 1965, o LP "Dois Na Bossa", gravado ao vivo, contendo a trilha sonora do show apresentado no Paramount, foi lançado ao público, alcançando a surpreendente marca de mais de 1 milhão de discos vendidos. No ano seguinte, Elis e Jair lançam o segundo disco da dupla (Dois Na Bossa Nº 2), também gravado ao vivo, só que desta vez no Teatro Record, também alcançando grande sucesso de público e crítica. Neste ano de 1966, Elis e Jair participam do II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Record, onde Elis conquistou o quinto lugar com "Ensaio Geral", de Gilberto Gil, e Jair conquistou o público, ao emplacar o primeiro lugar com "Disparada", empatada com a inesquecível "A Banda", de Chico Buarque, interpretada por Nara Leão e o próprio compositor. Sucesso absoluto, Jair se consagrou neste festival, lançando ainda neste mesmo ano o LP "O Sorriso de Jair", tema da postagem de hoje, gravado ao vivo no Teatro Record de São Paulo, que nos traz o sucesso de "Disparada", além de "Chão de Estrelas", clássico de Silvio Caldas, "Vem Chegando a Madrugada", de Noel e Zuzuca, "A Rita", de Chico, além do "Pot-Pourri: Louco / Meu Fraco é Mulher / Emília / Fechei A Porta / Só Eu Sei / Volta / Dá-Me", e de "Vem, Menina", "Deixa Como Está", "Inaê", "Fiz Meu Amor de Manhã", "Contracanto", "O Chegar da Primavera", "Rapaz da Moda" e "Balanço do Jequibau". Um disco sensacional, que traz a alegria de Jair num dos momentos mais intensos e felizes de sua carreira musical, mesclando clássicos e sucessos da sua canção, além de nos prestigiar com boa música essencialmente brasileira, típicos sambas na interpretação do inesquecível Jair Rodrigues.

1 - Disparada (Geraldo Vandré / Théo de Barros)
2 - Vem Chegando A Madrugada (Zuzuca / Noel Rosa)
3 - Rapaz da Moda (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)
4 - Contracanto (Paulinho Nogueira)
5 - O Chegar da Primavera (Luiz Henrique Rosa / Niltinho Tristeza)
6 - A Rita (Chico Buarque)
7 - Vem, Menina (Gilberto Gil / Torquato Neto)
8 - Pot-Pourri: Louco (Henrique de Almeida / Wilson Batista) / Meu Fraco É Mulher (Conde / Heitor de Barros) / Emília (Wilson Batista / Haroldo Lobo) / Fechei A Porta (Sebastião Mota / Ferreira dos Santos) / Só Eu Sei (Francisco Ávilla / J. Marques Ferraz) / Volta (Djalma Ferreira / Luiz Bandeira) / Dá-Me (Adylson Godoy)
9 - Chão de Estrelas (Orestes Barbosa / Silvio Caldas)
10 - Inaê (Vera Brasil / Maricenne Costa)
11 - Deixa Como Está (José Di)
12 - Fiz Meu Samba de Manhã (César Roldão Vieira)
13 - No Balanço do Jequibau (Mario Albanese / Ciro Pereira)

Uma singela homenagem do Blog da Música Brasileira a este artista alegre, "pra cima", que revolucionou a música brasileira nas décadas de 1960, 70 e 80 (principalmente) com seus sucessos, seu carisma e seu talento. Obrigado Jair! A música brasileira tem orgulho de ter você em sua história, e jamais se esquecerá da sua alegria de cantar, de viver, de sambar! Viva Jair!


domingo, 18 de maio de 2014

1979 - Louça Fina - Sueli Costa

Oi pessoal! Neste domingo, trago aqui no Blog mais um disco de uma cantora e compositora carioca ainda inédita por aqui. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro dos anos 1940, Sueli desde a infância foi criada em Juiz de Fora com os quatro irmãos, todos voltados de alguma forma à música. Desde os quatro anos de idade, sua mãe lhe dava aulas de canto e piano, vindo a formar anos depois com as irmãs Telma e Lisieux o Trieto, para participar dos festivais que aconteciam nas cidades vizinhas. Aos 17 anos, compôs ao violão sua primeira canção, "Balãozinho", inspirada numa apresentação da cantora Sylvia Telles na televisão. Logo depois, ao preferir o violão para realizar suas composições, musicou algumas das letras de João Medeiros Filho, sendo que a primeira delas, "Por Exemplo: Você", foi gravada em 1967 pelo Grupo Manifesto e por Nara Leão. Cursou a faculdade de direito em Minas até que, no último ano, abandonou tudo e se mudou para o Rio, onde dividiu com o compositor Sidney Miller as músicas do espetáculo "Alice No País do Divino Maravilhoso" e começou a ensinar música em escolas. No ano seguinte, participou do V Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, com a música "Encouraçado" (Sueli Costa / Tite Lemos), interpretada pelo cantor Fábio, alcançou o 3º lugar. Em 1971, três de suas composições foram escolhidas por Maria Bethânia para compor o antológico show "Rosa dos Ventos": "Aldebarã", "Assombrações" e "Sombra Amiga" (todas as três em parceria com Tite Lemos). No ano seguinte, "20 Anos Blue" (com Vitor Martins), composta durante uma viagem de ônibus entre Rio e Juiz de Fora, foi gravada por Elis Regina em seu LP "Elis", transformando-se num dos maiores sucessos da carreira de Sueli. Com o sucesso de suas músicas, Sueli foi contratada pela gravadora EMI e gravou seu primeiro LP "Sueli Costa", em 1975, com produção de Gonzaguinha e arranjos de Paulo Moura e Wagner Tiso. Dois anos depois, foi lançado seu segundo LP "Sueli Costa", com produção de João Bosco e Aldir Blanc. Nesta época, deixou de dar aulas por não conseguir acumular as duas funções, dedicando-se à música e ao seu casamento com Raymundo Wanderley, com quem ficou casada por 8 anos e que gerou seu único filho Pedro. Em 1978, Sueli gravou seu terceiro disco, "Vida de Artista", que contou com a participação da irmã Telma Costa na música "4 de Dezembro" (Sueli Costa). No ano seguinte, Sueli lança seu quarto disco, "Louça Fina", tema da postagem de hoje. Com doze músicas de seu belíssimo repertório, destacam-se entre elas "Para Os Meninos da Nicarágua", "Altos e Baixos", gravada por Elis em seu LP "Essa Mulher" no mesmo ano, "O Primeiro Jornal", "Alegria E A Dor", "Louça Fina", Sabe de Mim", "Flecha Ligeira" e "Esperar Eu Não Sei". Um disco que mostra o talento de uma compositora versátil, em temas, parceiros e sucessos, que nos traz grandes sucessos da música de Sueli, uma compositora já consagrada e uma cantora em ascensão musical. Um belíssimo trabalho, que resultou num disco gostoso de ouvir, grata surpresa para aqueles que não conhecem ou não tiveram a oportunidade de conhecer o talento de Sueli Costa.


1 - Para Os Meninos da Nicarágua (Sueli Costa / Paulo Emílio / Aldir Blanc)
2 - Louça Fina (Sueli Costa / Abel Silva)
3 - Sabe de Mim (Sueli Costa)
4 - Alegria E A Dor (Sueli Costa / Abel Silva)
5 - Uma Vida Em Segredo (Sueli Costa / Abel Silva)
6 - Esperar Eu Não Sei (Sueli Costa / Abel Silva)
7 - Flecha Ligeira (Sueli Costa / Tite de Lemos)
8 - Segredo Quebrado (Sueli Costa / Paulo César Pinheiro)
9 - Primeiro Jornal (Sueli Costa / Abel Silva)
10 - Altos e Baixos (Sueli Costa / Aldir Blanc)
11 - Jura Secreta (Sueli Costa / Abel Silva)
12 - O Inocente (Sueli Costa / Tite de Lemos)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

1980 - Francis Hime - Francis

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, trago aqui no Blog um disco do cantor e compositor carioca Francis Hime. Filho da pintora Dália Antonina, Francis desde cedo se interessou pela música, iniciando seus estudos de piano aos seis anos de idade. Aos 23 anos, começou a participar de reuniões musicais realizadas na casa de Vinicius de Moraes em Petrópolis, onde conheceu Carlos Lyra, Edu Lobo, Dori Caymmi, Baden Powell, Wanda Sá, Marcos Valle, dentre outros grandes nomes da música brasileira do período. Destas reuniões surge a composição de Francis, ao lado de Vinicius de Moraes - "Sem Mais Adeus" -, gravada pela primeira vez por Wanda Sá, em 1963. Ainda nos anos 1960, participou de shows e escreveu arranjos para inúmeros artistas da época, além de gravar o LP instrumental "Os Seis Em Ponto", com o grupo do qual Francis participava como pianista. Outra importante participação de Francis na época foi na chamada "era dos grandes festivais", os quais eram promovidos pelas maiores emissoras de televisão da época. Destacam-se destes festivais as participações de Francis em (i) "Por Um Amor Maior", em parceria com Ruy Guerra e interpretada por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1965; (ii) "Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Wilson Simonal no I Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Rio em 1966; (iii) "Samba de Maria", em parceria com Vinicius de Moraes e interpretada por Jair Rodrigues no III Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Record em 1967; (iv) "Tempo da Flor" e "Eu Te Amo, Amor", ambas em parceria com Vinicius de Moraes e interpretadas pela cantora Cláudia, no II Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1967; (v) "A Grande Ausente", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida por Taiguara no IV Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Tv Excelsior em 1968; e "Anunciação", em parceria com Paulo César Pinheiro e defendida pelo MPB-4 no III Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, em 1968. Em 1969, formou-se em Engenharia e casou-se com a cantora Olívia Hime, mudando-se para os Estados Unidos, onde ficaram por quatro anos. Ao retornar ao Brasil em 1973, Francis lança seu primeiro LP individual, "Francis Hime", pela gravadora Odeon, o qual traz sua primeira parceria com Chico Buarque, "Atrás da Porta". Nos anos seguintes, compôs algumas trilhas sonoras para o cinema e para a televisão, lançando em 1977 o disco "Passaredo" pela Som Livre, o qual marcou a estréia de Olívia Hime como cantora, letrista e produtora, e em 1978 o disco "Se Porém Fosse Portanto" (também pela Som Livre), consagrando as parcerias de Olívia Hime, Chico Buarque, Cacaso, Vinicius de Moraes, Ruy Guerra, entre outros. Finalmente, em 1980 excursionou pelo Brasil ao lado de Toquinho e Maria Creuza, gravando neste mesmo ano o LP "Francis", o qual é o tema da postagem de hoje. Deste disco, merecem destaque as músicas "E Se", "Cabelo Pixaim", "Pássara", "Baião do Jeito", "Parintintin", "Elas Por Elas", "O Rei de Ramos" e "Marina Morena". Além de trazer o talento de um compositor já consagrado na música brasileira, com arranjos belíssimos e trilhas sonoras de sucesso, este disco também nos revela um cantor que encontrou sua forma particular de dar vida às suas canções, assinando a parceira com Cacaso, Chico Buarque, Olívia Hime, Tite Lemos e, surpreendentemente, Dias Gomes, em "O Rei de Ramos". Apesar de não fazer parte da lista dos mais lembrados nomes da MPB, Francis Hime é sem dúvida, na minha opinião, um dos principais pilares da música brasileira de sua geração. E este disco nos mostra exatamente isto: um compositor que se confunde com o excelente cantor, com o belíssimo arranjador e, é claro, com o grande compositor que é, genuinamente brasileiro e essencialmente Francis Hime.

1 - E Se (Francis Hime / Chico Buarque)
2 - Cabelo Pixaim (Francis Hime / Cacaso)
3 - Pássara (Francis Hime / Chico Buarque) - com Chico Buarque
4 - Navio Fantasma (Francis Hime / Paulo César Pinheiro)
5 - Baião do Jeito (Francis Hime / Cacaso)
6 - Cinzas (Francis Hime / Olívia Hime)
7 - Parintintin (Francis Hime / Olívia Hime)
8 - Elas Por Elas (Francis Hime / Cacaso)
9 - Meio Demais (Francis Hime / Cacaso)
10 - O Rei de Ramos (Dias Gomes / Francis Hime / Chico Buarque)
11 - Flor do Mal (Francis Hime / Tite Lemos)
12 - Marina Morena (Francis Hime / Cacaso)
13 - Grão de Milho (Francis Hime / Cacaso)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

2004 - Em Algum Lugar - Beto Guedes

Oi pessoal! Nesta quinta-feira, trago mais um cantor ainda inédito por aqui, o mineiro Beto Guedes. Ainda na infância, teve contato com a música, visto que o pai já era músico e compositor. Aos nove anos, mudou-se com a família de Montes Claros (sua cidade natal) para a capital, Belo Horizonte, onde conheceu seu amigo e parceiro musical, Lô Borges. Na adolescência, participou de bandas de rock como "The Beavers" (com Márcio Aquino, Lô e Yé Borges) e "Os Bructos", esta última com os irmãos e o amigo Lô Borges. Em 1969, sua música "Equatorial" (em parceria com Lô e Márcio Borges) ganhou o primeiro lugar no 1º Festival Estudantil da Canção de Belo Horizonte. Um ano mais tarde, aos 18 anos, participou do V Festival Internacional da Canção (FIC), realizado pela Tv Globo, com a música "Feira Moderna", composta em parceria com o também mineiro Fernando Brant. Neste mesmo ano, o grupo Som Imaginário gravou em seu primeiro LP, pela gravadora Odeon, a música "Feira Moderna". Em 1972, participou da gravação do LP Clube da Esquina, juntamente com os músicos mineiros Milton Nascimento (carioca de nascimento mas mineiro de criação e coração) e Lô Borges, e com a cantora Alaíde Costa. Neste disco, Beto Guedes participou tocando viola 12 cordas, guitarra, percussão, fazendo parte do coro e cantando nas músicas "Nada Será Como Antes", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, "Saídas e Bandeiras Nº 1" e "Saídas e Bandeiras Nº 2", ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant. No ano seguinte, gravou, junto com Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, o disco "Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta", lançado pela EMI-Odeon e que trazia duas de suas composições ("Caso Você Queira Saber" e "Belo Horror"). Em 1975, participou da gravação do disco "Minas", de Milton Nascimento, na música "Fé Cega, Faca Amolada" (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos), alcançando grande popularidade. Dois anos depois, foi convidado pela gravadora EMI-Odeon para a gravação de seu primeiro LP solo, "A Página do Relâmpago Elétrico", alcançando elogios da crítica e boa receptividade do público. Contudo, seu primeiro grande sucesso veio em 1978, com a gravação do LP "Amor de Índio", o qual se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. Outro grande sucesso de sua carreira veio com o disco "Sol de Primavera", lançado em 1979 pela mesma gravadora, sendo a música que dá título ao disco (com letra de Ronaldo Bastos e arranjo de Wagner Tiso) o principal destaque. Durante a década de 1980, Beto Guedes continuou no âmbito musical, gravando ao todo 6 trabalhos, todos pela EMI-Odeon, porém não alcançando grande expressão. Nos anos 1990, Beto Guedes dedica-se à marcenaria e à mecânica, afastando-se um pouco da música, retomando a carreira com o lançamento do disco de inéditas "Em Algum Lugar", tema da postagem de hoje. Lançado pela Sony Music, o disco tem como destaque as músicas "Em Algum Lugar", "Sonhando o Futuro", "Até Depois", "Amor de Filho", "O Amor Por Nós", "Vem Ver O Sol", "A Via Láctea" e "Um Sonho Para Viver". Um disco interessante, que traz na voz e interpretação do próprio Beto Guedes músicas inéditas de seu repertório, que nos mostra seu estilo "comportado" da música mineira, além do talento deste compositor em transformar em música lindas letras e histórias vividas em nosso cotidiano. Um disco que vale a pena se ouvir, para conhecer um pouco mais do trabalho e do talento deste músico essencialmente brasileiro, mineiro e integrante deste importante movimento musical chamado "Clube da Esquina".

1 - Até Depois (Luis Guedes / Paulo Flexa / Thomas Roth)
2 - Sonhando O Futuro (Cláudio Venturini / Lô Borges)
3 - O Amor Por Nós (Jimmy Webb / Vrs. Beto Guedes / Tadeu Franco)
4 - Um Sonho Para Viver (Renato Vasconcelos / Murilo Antunes)
5 - Outro Amanhã (Beto Guedes / Murilo Antunes)
6 - Lamento Árabe (Godofredo Guedes)
7 - Em Algum Lugar (Frederick Rousseau / Vrs. Fernando Brant)
8 - Eu Te Dou Meu Coração (Beto Guedes / Léo Lopes / Ronaldo Bastos)
9 - Amor de Filho (Beto Guedes / Milton Nascimento)
10 - A Via Láctea (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
11 - Tua Canção (Ronaldo Cotrim / Carolina Futuro)
12 - Vem Ver O Sol (Claudio Faria)
13 - Júlia (Gabriel Guedes)