sábado, 26 de maio de 2012

1977 - Somos Todos Iguais Nesta Noite - Ivan Lins

Oi pessoal! Neste sábado, de muito sol e céu azul, posto aqui no Blog mais um disco de um dos maiores compositores de nossa música brasileira, Ivan Lins. Carioca, um dos melhores e maiores pianistas brasileiros, iniciou sua carreira em 1968, participando do Festival Universitário da Tv Tupi, com a música, em parceira com Waldemar Correia, "Até O Amanhecer". Em 1970, com o sucesso da música "Madalena", de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, alcançou um enorme sucesso na interpretação da gaúcha Elis Regina, que transformou "Madalena" num propulsor para a carreira dos compositores. Neste mesmo ano, Ivan Lins classificou "O Amor É O Meu País", também em parceria com Ronaldo Monteiro de Souza, no V Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv Globo, gravando em seguida seu primeiro disco "Agora",pelo selo Forma, da Philips. Entre os anos de 1970 e 1971, Ivan Lins apresentou, ao lado de Elis, o programa "Som Livre Exportação", promovido pela Tv Globo, contando com a participação de inúmeros nomes da música brasileira da época, como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Toquinho, Vinicius de Moraes, Tim Maia, Gonzaguinha, Os Mutantes, Chico Buarque, Aldir Blanc, César Costa Filho, entre outros. Numa das apresentações, gravada ao vivo do Parque Anhembi, em São Paulo, em março de 1971, um público de mais de 100 mil pessoas compareceu para prestigiar os grandes nomes da música, entre eles Roberto Carlos e Wilson Simonal. Até o lançamento do disco tema do post de hoje, Ivan Lins gravou três discos pela Philips, consolidando nesse meio tempo uma parceria sólida e de grande sucesso com o compositor Vitor Martins, com o qual criou inúmeros sucessos de sua carreira. Em 1977, ao mesmo tempo em que Elis gravava seu LP "Elis", no qual destacava-se o sucesso de "Romaria", além das músicas de Ivan Lins "Qualquer Dia" e "Cartomante", Ivan lançava seu LP "Somos Todos Iguais Nesta Noite", com destaque para as músicas "Somos Todos Iguais Nesta Noite", "Dinorah, Dinorah", "Ituverava", "O Passarinho Cantou / Marinheiro / Meu Amor Não Sabia / Água Rolou Nº 1 / Água Rolou Nº 1", "Qualquer Dia", "Velho Sermão", "Aparecida" e "Um Fado". Um disco fantástico, que mostra a genialidade do compositor, do cantor, do músico Ivan Lins.

1 - O Passarinho Cantou / Marinheiro / Meu Amor Não Sabia / Água Rolou Nº 1 / Água Rolou Nº 1
2 - Um Fado
3 - Dinorah, Dinorah
4 - Aparecida
5 - Velho Sermão
6 - Choro das Águas
7 - Somos Todos Iguais Nesta Noite
8 - Mãos de Afeto
9 - Dona Palmeira
10 - Ituverava
11 - Qualquer Dia

segunda-feira, 21 de maio de 2012

1976 - Alucinação - Belchior

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, posto aqui no Blog um disco interessante, muito gostoso de ouvir, além de sua imensa importância, tanto para a carreira de Belchior, ainda não postado por aqui, quanto para a nossa música brasileira. Cearense de nascimento, foi cantador de feira e repentista, sendo influenciado fortemente na infância por Ângela Maria, Nora Ney e Cauby Peixoto. Aos dezesseis anos, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia, Humanidades e Medicina, embora não tenha concluído este último, ligando-se nesta ao "Pessoal do Ceará", novos compositores e músicos que na época procuravam seu espaço na música brasileira, como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino, entre outros. De meados dos anos 1960 até o início da década de 1970, Belchior apresentou-se em diversos festivais de música no Nordeste, até que, em 1971, se mudou para o Rio de Janeiro e, no IV Festival Universitário da MPB, ganhou o primeiro lugar com a música "Na Hora do Almoço", defendida por Jorge Melo e Jorge Teles. Neste mesmo ano, gravou seu primeiro disco, um compacto lançado pela gravadora Copacabana, com "Na Hora do Almoço", mudando-se para São Paulo no final de 1971. No ano seguinte, a cantora Elis Regina gravou sua primeira composição de grande sucesso, "Mucuripe", em parceira com Fagner. Dois anos depois, grava pela Chantecler seu primeiro LP "Mote e Glosa", com uma nova versão de "Na Hora do Almoço". Nos anos seguintes, durante a temporada de Elis no show "Falso Brilhante", as músicas "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", ambas da autoria de Belchior, ganharam destaque e alcançaram grande sucesso e reconhecimento do público, sendo incluídas no LP lançado pela cantora com a trilha do show em 1976. Neste ano, Belchior lança seu segundo disco, desta vez pela Philips / Polygram, contemplando, além destas duas últimas músicas, o sucesso de "Apenas Um Rapaz Latino-Americano", "A Palo Seco", "Alucinação", que dá nome ao disco, "Não Leve Flores" e "Sujeito de Sorte". Um disco antológico, sensacional, que mostra a importância da música de Belchior, repleto de sucessos, de canções inspiradoras: essencialmente, de música brasileira.

1 - Apenas Um Rapaz latino-Americano
2 - Velha Roupa Colorida
3 - Como Nossos Pais
4 - Sujeito de Sorte
5 - Como o Diabo Gosta
6 - Alucinação
7 - Não Leve Flores
8 - A Palo Seco
9 - Fotografia 3x4
10 - Antes do Fim

segunda-feira, 14 de maio de 2012

1980 - O Samba Continua - Demônios da Garoa

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, fria e com a garoa típica de São Paulo, nada melhor que um disco de sambas dos "demônios" que fazem da garoa seu nome registrado. Como registrado na contra-capa do disco, temos uma breve história deste grupo com quase 70 anos de história, inúmeros sucessos e a cara da música paulista, a qual é transcrita abaixo.

" O Conjunto DEMÔNIOS DA GARÔA nasceu no ano de 1943, no velho bairro da Moóca, em São Paulo, e, depois de uma fase de serestas boêmias, se apresentou ao público pela primeira vez num programa de calouros da Rádio Bandeirantes, com o nome de "Grupo do Luar". Vencedores do programa, por sugestão do apresentador Vicente Leporace, mudaram o nome para DEMÔNIOS DA GARÔA, segundo aquele radialista um nome mais de acordo com as tradições e o clima de São Paulo. A partir daí, a história se conta apenas com sucessos. São 37 anos marcados por sambas que são a própria voz do povo. (...) Em suas viagens pelo Brasil, a maior reclamação ouvida pelo grupo é quanto à condição técnica de seus grandes sucessos. Por isso, a CONTINENTAL resolveu atender a esse apelo dos admiradores e principalmente dos radialistas, reavaliando e reapresentando esses sucessos, dentro das mais modernas condições técnicas, sem, porém, tirar-lhes o sabor original. Este disco não se trata de uma remontagem. É uma regravação, que dá, inclusive, aos DEMÔNIOS DA GARÔA a oportunidade de mostrar ao público que o tempo só desatualizou seus sucessos no aspecto técnico, mas não no artístico. Eles continuam tão saborosos e autênticos como sempre, agora acrescidos de dois sambas inéditos, que por certo seguirão a trilha dos anteriores: "Copo D'áuga", de Arnaldo Rosa, e "Vai no Bexiga pra Ver", do excepcional Geraldo Filme".

Bom, como já foi dito no trecho transcrito acima, este disco nos traz as regravações dos maiores sucessos do grupo, como "Trem das Onze", "Saudosa Maloca", "Samba do Arnesto", "As Mariposas", "No Morro da Casa Verde", "Iracema" e "Pogréssio", todas do inesquecível Adoniran Barbosa, além de "Lenço Na Molera", de Elzo Augusto, "Ói Nóis Aqui Tra Veis", de Geraldo Blota e Joseval Peixoto, e a inédita "Vai no Bexiga Pra Ver", de Geraldo Filme e que, como não conhecia, foi uma grata surpresa descobri-la. Um disco animado, completo dos sambas, os quais mostram muito bem a cara da capital paulista, bem ao estilo dos Demônios da Garoa.

1 - Copo D'Áuga
2 - Saudosa Maloca
3 - Samba do Arnesto
4 - Lenço na Molera
5 - Iracema
6 - Pogréssio
7 - Vai no Bexiga Pra Ver
8 - Trem das Onze
9 - As Mariposas
10 - No Morro da Casa Verde
11 - Samba Italiano
12 - Ói Nóis Aqui Tra Veis

segunda-feira, 7 de maio de 2012

1958 - Tonico e Tinoco com Suas Modas Sertanejas

Oi pessoal! Nesta segunda-feira, após a triste notícia do falecimento do cantor e compositor Tinoco na sexta-feira, posto aqui no Blog uma singela homenagem à dupla sertaneja que representa o que há de melhor no estilo, na temática do sertão e da música caipira. Tonico e Tinoco, a "Dupla Coração do Brasil", deixou um imenso vazio e uma dor que jamais será esquecida, principalmente para aqueles que admiram o trabalho que esses dois irmãos, por mais de 50 anos, realizou pelos quatro cantos do país. A dupla, surgida ainda na década de 1940, começou se apresentando em programas de rádio até que, em 1942, foi contratada pela Rádio Tupi por uma soma de 1 conto e duzentos mil-réis por dois anos. Dois anos mais tarde, foram convidados pela gravadora Continental para a gravação de seu primeiro disco, um velho 78 rpm com a música "Invéis de me agradecê", do Capitão Furtado, Jayme Martins e Aimoré. Nos anos seguintes, gravam diversos discos, escreveram peças teatrais e circenses, além de se apresentar frequentemente em circos, teatros e ginásios. Neste meio tempo, renovaram contrato com a gravadora Continental, além terem programas nas Rádios Nacional e Bandeirantes. Em 1950, participaram da inauguração da Tv Tupi, canal 3, cantando o sucesso de "Pé de Ipê". Ainda nos anos 1950, criaram o programa "Beira da Tuia" na Rádio Nacional, até que em 1958, a dupla grava seu primeiro long-play pela Continental (com músicas já consagradas nos velhos 78 rpm já gravados), tema da postagem de hoje do Blog. Deste primeiro disco, destacam-se os sucessos de "Chico Mineiro", de Tonico e Francisco Ribeiro, "Tristeza do Jeca", de Angelino de Oliveira, "Cana Verde", de Tonico e Tinoco, "Rio Grande", de B. Santos, "Aparecida do Norte", de Tonico e Anacleto Rosas Jr., "Saudades de Matão", de Raul Torres e Jorge Gallati, "Pé de Ipê", de Tonico, e "Adeus Morena, Adeus", de Piraci. Um disco maravilhoso, para aqueles que admiram, tanto quanto eu, a obra e a carreira de Tonico e Tinoco, a eterna "Dupla Coração do Brasil".

1 - Cana Verde
2 - Saudades de Matão
3 - Rio Grande
4 - Adeus Morena, Adeus
5 - Princesa
6 - Aparecida do Norte
7 - Chico Mineiro
8 - Saudades de Ouro Preto
9 - Eu e a Lua
10 - Pé de Ipê
11 - Cabocla

terça-feira, 1 de maio de 2012

1960 - Morgana

Oi pessoal! Neste feriado de primeiro de maio, trago aqui no Blog mais uma novidade, um disco incrível de uma cantora que, infelizmente, não é muito conhecida nos dias de hoje. Trata-se de Morgana, pseudônimo de Isolda Correa Dias, cantora que fez grande sucesso do final da década de 1950 até meados da década de 1960, gravando ao longo de sua curta carreira mais de 20 discos e inúmeros sucessos. Iniciou sua carreira no início dos anos 50 como cantora lírica até que, em 1958, adotou o nome artístico de Morgana Cintra e passou a dedicar-se à música popular brasileira. Ainda no mesmo ano, contratada pela gravadora Copacabana, gravou seu primeiro disco, com seu primeiro sucesso "Serenata do Adeus", de Vinicius de Moraes, com acompanhamento da orquestra de Severino Filho. Ganhou ainda em 1958 o Troféu Imprensa de melhor cantora do ano, gravando o LP "Esta É Morgana", o primeiro de sua carreira. Em 1959, com seu nome artístico abreviado para Morgana apenas, participou do filme "Moral e Concordata" interpretando a música "Mais Brilho nas Estrelas", de Aloysio e Nelson Figueiredo, além de gravar mais um dos grandes sucessos de sua carreira, a canção "Hymne a l'amour", de Edith Piaf e Monnot, em versão de Odair Marzano e participar da gravação do disco "A Música de Dolores", em homenagem à cantora e compositora falecida neste mesmo ano, com a música "Canção da Tristeza". No ano seguinte, em 1960, Morgana grava seu terceiro LP, tema da postagem de hoje do Blog. Trata-se de um disco que mostra claramente o talento desta cantora que há apenas três anos trilhava nos rumos da música popular, com músicas belíssimas e contagiantes, como "Só Falta Aqui Você", de Edison Borges e Sandra Alves e "Tome Continha de Você", de Edison Borges e Dolores Duran, além de "Menina Moça", de Luiz Antonio, "Encontrei o Amor", de Fernando Cesar e Roberto Mario, "Leva-me Contigo", de Dolores Duran, "Falar Por Falar", de Fernando Cesar, e "A Rosa", de Edison Borges. Um disco memorável, o qual não se pode deixar esquecido na memória daqueles que tiveram o privilégio de conhecer o talento da "Fada Loura" Morgana. Uma cantora extraordinária que merece ser lembrada, referenciada e servir de inspiração aos novos nomes da música popular brasileira. E, pra resumir, 12 músicas que são um prato cheio para aqueles que, como eu, adoram ouvir uma boa dose música brasileira de qualidade.

1 - Tome Continha de Você
2 - Encontrei o Amor
3 - A Rosa
4 - Carinho e Amor
5 - Leva-me Contigo
6 - Sonata Sem Luar
7 - Menina Moça
8 - Falar Por Falar
9 - Segredo Para Dois
10 - Só Falta Aqui Você
11 - A Flor
12 - Elegia ao Violão

sábado, 21 de abril de 2012

1955 - Baião com Carmélia Alves

Oi pessoal! Neste sábado, 21 de abril, em que comemoramos os 220 anos da morte de Tiradentes, num dos principais movimentos pró-independência da história deste país, e os 52 anos da inauguração de Brasília, capital projetada e idealizada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, trago aqui no Blog um disco maravilhoso de nossa música brasileira, gravado pela Rainha do Baião, a carioca Carmélia Alves. Sua carreia iniciou-se no início dos anos 40 ao cantar músicas do repertório de Carmen Miranda no programa "Picolino" da Rádio Mayrink Veiga, à convite de Barbosa Júnior. Alguns anos mais tarde, é contratada pela rádio, ganhando seu primeiro programa semanal e, depois, pelo Copacabana Palace, como crooner do hotel, ganhando uma soma de 100 mil-réis por dia de apresentação, tendo suas apresentações retransmitidas por todo o Brasil pela Rádio Nacional. Em 1943, gravou seu primeiro disco pela gravadora RCA Victor, bancando com suas próprias economias, com as músicas "Quem Dorme No Ponto É Chofer", de Assis Valente, e "Deixei de Sofrer", de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro. Seis anos mais tarde, gravou com Ivon Curi seu primeiro grande sucesso, "Me Leva", de Hervê Cordovil e Rochinha. Nos anos seguintes, continua gravando inúmeros sucessos, direcionando sua carreira para as músicas e os temas regionais, sendo chamada de "A Rainha do Baião" que, juntamente com Luiz Gonzaga ("O Rei"), Luiz Vieira ("O Príncipe"), e a então iniciante Claudette Soares ("A Princesa"), integra a "Corte do Baião". Até 1954, Carmélia grava inúmeros sucessos de sua carreira pela gravadora Continental, alcançando fama nacional e internacional, sendo convidada a gravar um disco na Alemanha pela gravadora Telefunken. Em 1955, muda para a gravadora Copacabana, também gravando muitos discos e revelando sucessos. E, neste ano, para coroar o público que tanto admirava Carmélia Alves e seus baiões, a gravadora Continental lança um LP de dez polegadas, com os maiores sucessos da cantora lançados pela gravadora ao longo dos anos, numa pequena (mas riquíssima e belíssima) coletânea, contendo oito músicas que, dentre elas, merecem destaque: "Sabiá Na Gaiola", de Hervê Cordovil e Mario Vieira, "Saia de Bico", de Braguinha, "Esta Noite Serenou", "Eh! Boi" e "Cabeça Inchada", todas de Hervê Cordovil, e "No Mundo do Baião - I", Pot-Pourri de vários compositores. Um disco fantástico, que merece ser ouvido, lembrado, referenciado e, principalmente, dar-se a importância merecida à cantora que, não por coincidência, ficou conhecida como Rainha, e que por seu imenso talento e suas músicas memoráveis, ficará para sempre na história da música popular brasileira, como a eterna cantora do Rádio, Carmélia Alves.

1 - Sabiá na Gaiola
2 - Cabeça Inchada
4 - No Mundo do Baião - I
5 - Eh! Boi
6 - Adeus, Adeus Moreno
8 - No Mundo do Baião - II

sábado, 14 de abril de 2012

1960 - Choros Famosos - Ademilde Fonseca

Oi pessoal! Neste sábado de sol e céu azul, trago aqui no Blog um disco em homenagem a uma das maiores cantoras brasileiras da era de ouro do Rádio, a cantora Ademilde Fonseca, falecida no último dia 27 de março. Natural do Rio Grande do Norte, Ademilde se mudou para o Rio de Janeiro na década de 1940, trabalhando e cantando em programas de rádio até que, em 1942, obteve seu primeiro sucesso com a música já consagrada por Carmen Miranda, "Tico-Tico No Fubá", com a Regional de Benedito Lacerda. Neste mesmo ano, gravou seu primeiro disco pela Columbia, gravando esta música e, no outro lado, o samba "Voltei do Morro", alcançando grande sucesso e reconhecimento do público. Nesta época, sua fama se espalhou rapidamente, e os compositores de choros a procuravam para gravar suas músicas, ficando conhecida como a "Rainha do Chorinho". Em 1944, foi contratada pela Rádio Tupi, gravando ainda nesse ano a música "Brinque à Vontade!" e, no ano seguinte, "O Que Vier Eu Traço", de Osvaldo dos Santos e Zé Maria. Em 1950, gravou dois dos maiores sucessos de sua carreira, já pela gravadora Philips: "Brasileirinho", de Waldir Azevedo e Pereira da Costa, e "Teco-Teco", de Pereira da Costa e Milton Vilela. No ano seguinte, pela gravadora Todamérica, gravou dois clássicos do choro, "Galo Garnizé" e "Pedacinhos do Céu", além do baião "Delicado", de Waldir Azevedo e Ari Vieira. Em 1954, pela Rádio Nacional, acompanhou os regionais de Canhoto, Jacob do Bandolim e Pixinguinha, além de gravar, no ano seguinte, "Rio Antigo", de Altamiro Carrilho e Augusto Mesquita e "Polichinelo", de Gadé e Almanir Gago. Em 1957, pela gravadora Odeon, gravou o samba "Telhado de Vidro", além de ficar em terceiro lugar no concurso de "Rei e Rainha do Rádio". Em 1958, gravou seu primeiro long-play, "À La Miranda", com músicas do repertório de Carmen, em homenagem à pequena notável e, no ano seguinte, gravou "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso, além de gravar seu segundo LP, desta vez pela Philips, "Voz +Ritmo = Ademilde Fonseca". Finalmente, em 1960, temos a gravação do disco tema da postagem de hoje: "Choros Famosos", com destaque para as músicas "Carinhoso", "Tico-Tico No Fubá", "O Que Vier Eu Traço", "Delicado", "Apanhei-te Cavaquinho", "Comigo É Assim", "Doce Melodia" e "Pedacinho do Céu". Uma das maiores cantoras brasileiras, inigualável nas suas interpretações de choros, com um fôlego impressionante e importância sem igual para a nossa música. Uma perda irreparável para nossa música e história brasileiras e que, no estilo do chorinho que a consagrou, deixa uma lacuna que, certamente, não será preenchida, nem sequer esquecida.

1 - Tico-Tico No Fubá
2 - Sonhando
3 - Dinorah
4 - Apanhei-te Cavaquinho
5 - Pedacinho do Céu
6 - Sonoroso
7 - Flor do Abacate
8 - O Que Vier Eu Traço
10 - Carinhoso
11 - Doce Melodia
12 - Delicado

quinta-feira, 5 de abril de 2012

1960 - Ninguém Me Ama - Nora Ney

Oi pessoal! Nesta quinta-feira santa, posto aqui no Blog um disco de uma cantora ainda inédita por aqui. Trata-se da cantora Nora Ney, um dos maiores nomes da música brasileira, especialmente no gênero samba-canção. Dona de uma voz grave e grande talento, iniciou sua carreira no início da década de 1950 na Rádio Tupi, no programa "Fantasias Musicais", cantando músicas internacionais. No início dos anos 50, a cantora, inspirada em sucessos de Aracy de Almeida e incentivada por Haroldo Barbosa, deixa de cantar músicas internacionais e passa a cantar músicas nacionais, sambas-canção e boleros, gêneros musicais que marcaram sua carreira e a música brasileira da época. Em 1952, Nora Ney foi convidada pela Continental para gravar seu primeiro disco, que contou com as músicas "Menino Grande", do ainda desconhecido compositor Antonio Maria, que se tornou o primeiro grande sucesso da carreira da cantora, e "Quanto Tempo Faz", de Paulo Soledade e Fernando Lobo. Ainda no mesmo ano, Nora Ney grava o maior sucesso de sua carreira, "Ninguém Me Ama", consagrada como símbolo do samba-canção da época, inspirando até o cantor Nat King Cole a gravar essa música anos depois, em uma turnê pelo Rio de Janeiro. Em 1953 gravou os sucessos de "De Cigarro em Cigarro", de Luis Bonfá e "Preconceito", de Antonio Maria e Fernando Lobo, sendo também eleita "Rainha do Rádio" no mesmo ano. Nos anos seguintes, gravou inúmeros sucessos, como "Aves Daninhas", de Lupicínio Rodrigues, e "Se A Saudade Me Apertar...", de Ataulfo Alves e Jorge de Castro. Em 1955, gravou seu primeiro LP, com as músicas "Quando a Noite Me Entende", de Vinicius de Moraes e Antonio Maria, "Se Eu Morresse Amanhã", de Antonio Maria, e "O Que Vai Ser de Mim", uma das primeiras músicas gravadas do maestro Tom Jobim. Ainda nesse mesmo ano, Nora Ney gravou pela primeira vez rock no Brasil, com a música "Rock Around the Clock", de Bill Halley e, no ano seguinte, o samba "Só Louco", de Dorival Caymmi. Nos anos seguintes, gravou os sucessos "Se O Negócio É Sofrer", de Mário Lago e Chocolate, "Saudade da Bahia", de Dorival Caymmi, a valsa "Chove Lá Fora", de Tito Madi, "Vai, Mas Vai Mesmo", de Ataulfo Alves, "Castigo" e "Solidão", de Dolores Duran. No final dos anos 1950, viaja com Jorge Goulart, seu marido com quem viveu a maior parte de sua vida, pela América do Sul, Europa e África. Em 1960, Nora Ney grava o disco "Ninguém Me Ama", tema da postagem de hoje, pela RCA Victor. Destacam-se, neste disco, além do sucesso de "Ninguém Me Ama", as músicas "Menino Grande", "Felicidade", "Telecoteco Nº 2", "De Cigarro em Cigarro", "Você Nasceu Pro Mal" e "Preconceito". Um disco fantástico, que mostra o estilo inconfundível de Nora Ney, com suas interpretações carregadas de emoção, em sambas-canção inconfundíveis, com a marca de uma das maiores cantoras que o Brasil já teve e que, infelizmente, hoje em dia é pouco lembrada pela mídia e pelo público. Fica aqui registrada a homenagem do Blog da Música Brasileira à esta cantora única em seu estilo, impecável em sua voz: pura e simplesmente Nora Ney.

1 - Ninguém Me Ama
2 - Felicidade
3 - Preconceito
4 - Bar da Noite
5 - De Cigarro em Cigarro
6 - Menino Grande
7 - Você Nasceu Pro Mal
8 - Saudade Mentirosa
9 - Telecoteco Nº 2
10 - Contraste
11 - Imenso Amor
12 - Mentira

domingo, 25 de março de 2012

1960 - Eu Sou O Samba - Jorge Goulart

Oi pessoal! Neste domingo, em que se multiplicam homenagens a um dos maiores humoristas que o Brasil já teve o prazer de conhecer, Chico Anysio, falecido na última sexta-feira, trago aqui no Blog da Música Brasileira um disco também em homenagem a um dos maiores nomes da música brasileira das décadas de 1940 e 1950, Jorge Goulart, que nos deixou no último dia 17 de março. Em 1943, aos 16 anos de idade, estreou em casas noturnas do Rio de Janeiro cantando músicas de Custódio Mesquita como crooner. Neste mesmo ano, participou do programa de Ary Barroso cantando seu primeiro sucesso, "Xangô", de Ary Barroso e Fernando Lobo, garantindo seu primeiro contrato exclusivo com a Rádio. Dois anos depois, por influência de Custódio Mesquita, lança seu primeiro disco pela RCA Victor, com as músicas "A Volta" e "Paciência, Coração", ambas de Aldo Cabral e Benedito Lacerda. Ainda neste mesmo ano, gravou mais um disco pela RCA Victor com as músicas "Nem Tudo É Possível", de Cícero Nunes e Aldo Cabral, e "Feliz Ilusão", de Castro Vargas e Aldo Cabral. Em 1946, participou do filme "Segure Esta Mulher", de Watson Macedo, ao lado de Grande Otelo, Aracy de Almeida, Bob Nelson, Emilinha Borba, dentre outros. Em 1948, gravou pela Star os sambas "Caso Perdido", de Henrique de Almeida e Geraldo Gomes, "Meu Amor", de Valdemar de Abreu, o Dunga, e "Fiquei Louco", de Erasmo Silva e Ciro de Souza. No ano seguinte, participou do filme "Carnaval de Fogo", de Watson Macedo, gravou "Noites de Junho", de Lamartine Babo, e "São João", de Alcyr Pires Vermelho e Moreira da Silva, para as festas juninas. Ainda em 1949, gravou pela Continental as músicas "Miss Mangueira", de Antônio de Almeida e Wilson Batista, e "Balzaqueana", de Nássara e Wilson Batista, sendo esta um dos maiores sucessos do Carnaval de 1950. Pelo sucesso de "Balzaqueana", foi contratado pela Rádio Nacional, permanecendo mais de 15 anos na rádio. Neste ano de 1950, atuou no filme "Aviso aos Navegantes", de Watson Macedo, além de gravar os sambas "São Paulo", de Haroldo Barbosa e Garoto, e "No Fim da Estrada", de Wilson Batista e Nóbrega de Macedo. No ano seguinte, gravou as músicas "Meu Drama", de Wilson Batista e Ataulfo Alves, "Mexe Mulher", de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, além do sucesso do Carnaval, "Sereia de Copacabana", de Nássara e Wilson Batista. Em 1952, casa-se com a cantora Nora Ney, recém divorciada, além de gravar os sucessos de "Mundo de Zinco", de Nássara e Wilson Batista, e "Mané Fogueteiro", de João de Barro, além de participar dos filmes "É Fogo na Roupa", de Watson Macedo, e "Tudo Azul", de Moacir Fenelon. Ainda neste ano, gravou as músicas "A Mulher do diabo", de Antônio de Almeida, e "Salve a Mulata", de Antônio de Almeida e João de Barro, pela Todamérica. Em 1953, gravou, entre outras, "Festa Canora"de Humberto Teixeira, e "Asa Branca", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, e "Cais do Porto", de Capiba, um dos maiores sucessos do compositor pernambucano. No ano seguinte, gravou o sucesso "Couro de Gato", além de "Maria das Dores", de Ary Barroso, e "Graças a Deus Ela Não Veio", de Alcyr Pires Vermelho e João de Barro, ambas com acompanhamento do maestro Radamés Gnattali. Em 1955, gravou com Radamés Gnattali os sambas "Ninguém Tem Pena", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira e "Você Não Quer, Nem Eu", de Ataulfo Alves, além de gravar seu primeiro LP "Brasil em Ritmo de Samba", com destaque para o sucesso da música de Zé Ketti "A Voz do Morro" e, no ano seguinte, gravou as músicas "O Samba Não Morreu", de Zé Ketti e Urgel de Castro, "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e "Onde o Céu É Mais Azul", de João de Barro, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho. Em 1957, gravou "Brasil", de Lindolfo Gaya, "Sempre Mangueira", de Nássara, Wilson Batista e Jorge de Castro, "Descendo o Morro", de Billy Blanco e Tom Jobim, e "Laura", de João de Barro e Alcyr Pires Vermelho. No ano seguinte, gravou "Palhaço", de Ivon Curi, participou do filme "Rio 40 Graus", de Nelson Pereira dos Santos, além de ser escolhido pela revista Radiolândia como o melhor cantor do ano. Em 1959, gravou o LP "Em Tempo de Samba" e, no ano seguinte, gravou o LP "Eu Sou o Samba", tema da postagem de hoje. Um dos maiores e melhores discos de sambas da música brasileira, este disco traz um Jorge Goulart no auge de sua carreira, em músicas como "A Voz do Morro", "João Cachaça", "Samba Fantástico", "É Luxo Só", "Não Sou Feliz", "Se O Mal Pensar É Pecado", "É Amanhã no Morro" e "Eu Nasci No Morro". Um disco maravilhoso, de sambas, música genuinamente brasileira, que mostra àqueles que não conheceram, o talento e a importância de Jorge Goulart para a história da nossa música brasileira.

2 - Não Sou Feliz
3 - Eu Nasci No Morro
4 - Meu Samba
5 - Se O Mal Pensar É Pecado
6 - Brasília, Capital da Esperança
7 - Samba Fantástico
8 - João Cachaça
9 - É Luxo Só
10 - Lamento de Um Sambista
11 - É Amanhã No Morro
12 - O Rei do Samba

sábado, 17 de março de 2012

1979 - Elis Especial

Oi pessoal! Neste sábado, 17 de março, comemora-se o aniversário de 67 anos de Elis Regina, uma das maiores cantoras que o Brasil já viu e ouviu, que encantou sua geração e continua, até hoje, influenciando as novas gerações, seja por seu estilo inconfundível de "pimentinha", seja por seu talento e suas interpretações inesquecíveis de clássicos de nossa música brasileira. Apesar de ter nos deixado há mais de trinta anos, sua obra continua muito atual e referência musical para a MPB dos dias de hoje, sendo temas de trilhas sonoras de novelas, como "Redescobrir", na novela "Ciranda de Pedra" (2008), "Alô, Alô, Marciano", na novela "Cobras & Lagartos" (2006), "20 Anos Blues", na novela "Insensato Coração" (2011), "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá", na novela "Caminho das Índias" (2009), entre outras. Contudo, ao longo da carreira de Elis, por entre sucessos e discos lançados ano a ano, muitas músicas de última hora foram cortadas dos projetos finais de seus discos. Com a saída da cantora da gravadora Philips, em 1979, foi lançado o disco "Elis Especial", tema da postagem de hoje, com onze músicas que ao longo dos anos ficaram de fora dos LPs de Elis. Dentre as onze, a música "Violeta de Belfort Roxo", de João Bosco e Aldir Blanc, tinha ficado de fora do LP "Elis", de 1977, juntamente com "O Que Foi Feito de Vera", de Milton Nascimento e Fernando Brandt. As outras músicas fazem parte das "sobras" do projeto do disco de Elis, de 1972, que seria lançado como LP duplo, mas que ao final acabou saindo como disco simples. Apenas as músicas "A Fia de Chico Brito" e "Osanah", que faziam parte deste mesmo disco, tinham sido gravadas no compacto duplo de 1971, juntamente com "Nada Será Como Antes" e "Casa No Campo", além de "Entrudo", que havia sido lançada num compacto simples, em 1972, juntamente com "Águas de Março". Um disco que apesar de ter sido lançado sem a aprovação de Elis, visto que a cantora devia à gravadora dezesseis fonogramas, sendo este o motivo principal do lançamento do disco, traz músicas incríveis do repertório de Elis que acabaram sendo descartadas por ela, como "Deixa O Mundo e o Sol Entrar", de Marcos & Paulo Sérgio Valle, "Noves Fora", de Fagner e Belchior, "Bonita", de Tom Jobim, "Credo", de Milton Nascimento e Fernando Brandt, e "Dinorah, Dinorah", de Ivan Lins e Vitor Martins. Um disco muito bom, que mostra que mesmo as músicas de Elis consideradas como "sobras" pela cantora se revelam para o público como obras-primas de sua interpretação brilhante e seu talento incomparável. Fica aqui a memória desta que considero a maior cantora que o Brasil já teve, que deixou muitas saudades e um vazio na música que nunca será preenchido. Viva Elis!

1 - Noves Fora
2 - Violeta de Belfort Roxo
3 - Ou Bola ou Búlica
4 - Credo
5 - Dinorah, Dinorah
6 - Joana Francesa
7 - Bodas de Prata
8 - Entrudo
9 - Valsa Rancho
10 - Bonita
11 - Deixa O Mundo e o Sol Entrar